Quarta Farta – Semana da Procrastinação

Introdução

Nos Estados Unidos, esta é a semana da Procrastinação (National Procrastination Week), uma semana dedicada a dar a conhecer ao público este pequeno grande problema que é a procrastinação em todos os seus níveis e igualmente dedicada a elucidar todos quantos queiram sobre como resolver e ultrapassar este obstáculo que nos impede, na grande maioria das vezes, de passar à acção e realizar aquele sonho há muito guardado na gaveta das coisas de amanhã.

Problema menor para uns e maior para outros, é um comportamento que a todos diz respeito, numa ou mais etapas da vida ou simplesmente em horários específicos do nosso dia-a-dia. Quantas vezes nos ouvimos dizer que “amanhã estarei mais concentrado para fazer isto” ou “agora não vou ter tempo”?, isto sem esquecer o clássico de todos os tempos “amanhã sem falta tenho que acabar isto”. E pomos ênfase no “sem falta” como se de uma fórmula mágica se tratasse, como se a mesma, só por si, fosse elixir suficiente para resolver e desenovelar os nossos raciocínios procrastinadores e a nossa atitude optimista que nos dita que conseguimos fazer tudo em pouco tempo e para todos. Somos invencíveis, mas aparentemente sempre no dia a seguir.

Por esse motivo e porque na OrganiGuru nos empenhamos sobretudo em esclarecer e acordar as consciências adormecidas pela inércia dos tempos, hoje vamos falar sobre procrastinação e sobre o que leva à mesma, quem é mais propenso. E porque acreditamos que a informação deve ser administrada com peso e medida, para a semana, na próxima “Quarta Farta” iremos falar sobre como vencer todos estes obstáculos, Prepare-se porque esta é uma viagem sem retorno que promete muitas mudanças!

Etimologia

A palavra “procrastinação” vem do étimo latino procrastinare, composto por pro– (“a favor”, “) e por crastinus (“relativo a amanhã”), adjectivo proveniente de cras (“amanhã”). Podemos dizer então que a procrastinação é uma atitude que “favorece o amanhã”, em detrimento do hoje.

O Procrastinador e as causas da procrastinação

Não podemos dizer que o procrastinador é facilmente reconhecível, sobretudo porque qualquer um de nós, num momento ou outro da nossa vida, devido ao nosso estado de saúde física ou psíquica podemos começar a adquirir comportamentos que a nós mesmos soam a estranho e que nos fazem adiar o que numa primeira análise nos parecia prioritário. As características de um procrastinador são muitas e variadas:

-optimista – acha sempre que tudo se conseguirá fazer no menor tempo possível e com poucos recursos; na gestão do tempo vem muitas identificados como aquelas pessoas que dizem “sim” a todos os compromissos e depois nunca conseguem cumprir;

-pouco realista – tem uma ideia pouco ligada à realidade no que diz respeito ao que consegue factualmente fazer: se lhe for pedido para escrever um documento em 15 dias ele acha que o conseguirá fazer em 5 e daí começar a adiar até constatar que não terá efectivamente tempo suficiente para completar a tarefa;*1

-com baixa auto-estima – este factor não é de somenos importância: a pouca confiança e e procura de um nível superior em determinado trabalho porque não se acredita o suficiente no que se consegue fazer para o completar satisfatoriamente, mesmo que esse nível superior seja inatingível e utópico, pode produzir efeitos devastantes relativamente à tarefa que nos é imposta;

-demasiado ocupado – a procrastinação pode ser uma forma de chamar a atenção para o quanto estamos ocupados e não podemos completar determinada tarefa: o tempo que perdemos a justificar a quantidade de trabalho que temos e o quão estamos ocupados equivale exactamente ao tempo que precisaríamos para completar a tarefa;

-teimoso – a sensação de estarmos a ser empurrados por alguém para alguma coisa pode causar em nós uma reacção de rebelia e teimosia que impede-nos de avançar: no fundo queremos fazer determinada coisa não porque os outros nos dizem mas porque nós assim decidimos;

-manipulativo – podemos usar o “atirar para amanhã” como forma de manipular os outros, de obter uma posição de controlo que nos é vital e aparentemente viciante: “se eu não estiver aqui vocês não podem começar”;

-gere pressões – o estabelecimento de comportamentos de atraso pode estar tão enraizado que é utilizado como forma de lidar com tudo o que nos pressiona – é mais fácil atrasar e ter desculpas do que ter de lidar com tanto stress ao mesmo tempo ou apreender a fazê-lo a longo prazo como muitas vezes é necessário;

-uma vítima frustrada – o procrastinador sente-se muitas vezes vítima do seu comportamento e não consegue entender porque onde outros conseguiram ele não consegue: muitas vezes a frustração leva à depressão e a um comportamento reforçado;

-perfeccionista – a busca da perfeição é a nemesis constante do “fazer a tempo e horas” e um grande aliado da procrastinação, apesar de ser uma boa qualidade quando controlada e quando se estabelecem prioridades;

-falta-lhe conhecimento e capacidades – em vez de o admitir antes de aceitar determinada tarefa, espera até obter conhecimento e competências suficientes para o fazer o que atrasa grandemente qualquer projecto em que esteja metido;

-tem medo de falhar – este sentimento tem um peso enorme em qualquer tipo de projecto e pode realmente afectar qualquer pessoa: quer se trate de entregar um relatório médico, um plano arquitectónico ou uma mudança de casa, é normal que todos sintamos medo de falhar quando a tarefa irá exigir de nós e retirar-nos da zona de conforto;

-má percepção/gestão do tempo – como a tarefa é percebida como muito morosa, adia-se até se ter mais tempo… o que normalmente acontece quando chegamos ao fim-de-semana.

Por hoje é tudo! Lembre-se de aparecer pelo nosso cantinho para mais uma “Quarta Farta” na qual falaremos sobre como vencer a procrastinação!

Deixo-vos aqui o artigo original do qual extrai parte deste texto.

Boa Quarta e Boas leituras!

CRAS

*1 Na verdade este tipo de comportamento é muito frequente nos estudantes que após constatarem o pouco tempo que têm para completar determinado trabalho acabam por ganhar uma energia que antes não tinham e por completarem o trabalho, mal ou bem, a tempo, dando-lhes uma falsa sensação de que “trabalham melhor sob-pressão”. Acabam por entregar o trabalho a tempo e por ter também uma boa nota no trabalho que fizeram “às 3 pancadas” e por obter um reforço positivo de uma situação que não só não é desejável, como produz muitos efeitos negativos a longo prazo, tais como stress, estilo de vida pouco saudável devido às noites mal dormidas, etc

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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