Quarta Farta – Usar ou Deitar, eis a questão!

Como todos sabemos mas, por vezes, tentamos negar, as nossas casas tem todas um espaço definido, finito. Por mais que desejemos e almejemos guardar tudo o que nos para nas mãos, temos de saber escolher e, por vezes, deixar ir, o que não é tarefa fácil. Quantas vezes não ficamos à beira de um ataque de nervos quando deixamos de ter espaço no nosso roupeiro e temos que começar a seleccionar o que tem mesmo que ir? E quando já não temos espaço na garagem (está cheia até ao tecto)? Como fazer?

Entramos em desespero e desejamos ter mais espaço, até porque quem sabe se amanhã não voltaremos a vestir aquela mini-saia gira de ganga e lantejoulas que usamos no início dos anos 80 no nosso liceu? Ou aquela camisola grossa como cavalinhos aos saltos que a nossa avó tricotou há uns anos cujas mangas medem mais de 3 metros mas com umas dobradelas ainda vai? E quem fala de roupas, fala de desenhos dos nossos filhos, de fotografias, de bibelots que guardamos aos pontapés e todas as coisas que fazem da nossa casa um lar…. pelo menos aos nossos olhos.

Vou contar-vos um segredo: não são essas coisas que fazem da nossa casa um lar, é a nossa atitude. Obviamente é inegável que o ser humano depende das coisas, pelo menos em parte, mas cabe a nós transformar essa relação em algo mais prático, útil e, sobretudo, saudável.

Existe um método há muito usado por Professional Organizers com os seus clientes e que pode ajudar neste processo. Não é único e existem muitos mais, mas por hoje falemos só deste. Trata-se do método “Usar ou Deitar” e consiste no demonstrado na tabela seguinte:

matriz

No fundo, trata-se de definir o que é realmente importante para si, o que é útil e imprescindível e que pode servir também para os outros. Tudo o que não é útil e não se gosta não tem lugar na sua casa. Quanto ao resto, teré de priorizar, estabelecer que característica é mais forte: gosta assim tanto que, mesmo que não tenha nenhum uso, justifique ficar?; o uso é assim tão prioritário que lhe permita manter um objecto que não goste?

Arranje argumentos para cada um dos items em questão, com prós e contras, faça de advogado e ponha os seus obectos no tribunal, fazendo-lhes o seguinte interrogatório:

  • foi usado pela última vez há menos de 6 meses?
  • é eficaz?
  • serve só para mim ou também para os outros?
  • está em bom estado?
  • Haverá muitas outras perguntas, mas se, de facto, tiver só repostas negativas a estas, tem argumentos plausíveis para os colocar no cesto do “Fora”. Depois caberá a si decidir se doar, vender ou reciclar. Mas isso já é conversa para outras quartas…

    Boa Quarta e Boas Decisões!

    MART

    About the Author:

    Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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