Sexta em Festa – Mais 3 dicas

Hoje proponho mais 3 dicas para vos ajudar a organizar mais um jantarinho em sua casa. Vamos a isso:

1. Leia receitas

O segredo para qualquer prato é estar bem preparado: não é questão para trazer a sua faca do mato ou vestir a camuflagem, mas cozinhar ou preparar novos pratos é uma acção que requer realmente um plano estratégico e um bom armamento ao seu dispor. Nada soa pior que um souflé de peixe que se parte a golpes de martelo e com um ligeiro sabor a chocolate. A improvisação é boa para os actores comediantes, para os chefs de renome internacional (não é o seu caso) e para qualquer pessoa que tenha levado com um piano em cima.

Escolha bem a receita que quer fazer, certifique-se que é do gosto de todos e que não há nenhum ingrediente alergénico susceptível de recriar a mesma cena do oitavo passageiro na sua mesa de jantar. Também é recomendável que não exija de si os dotes de um malabarista russo num trapézio ou qualquer outra coisa que não defina o fim da sua noite num hospital. Coisas simples. A genialidade dos grandes pratos está na simplicidade.

Também não caia na ratoeira dos ingredientes raros e difíceis de arranjar que necessitem de pelo menos 3 dias de avião, uma peregrinação com um sherpa pelos himalaias ou de entrar num templo secreto rodeado de bicharocos suspeitos para encontrar aquela especiaria especial guardada num cofre e que acabará numa saída apressada com uma bola de pedra gigante atrás de si e vários indígenas a persegui-la com setas. O Indiana Jones tentou isso e não me cheira que os seus cozinhados fossem grande coisa (o que não é propriamente a primeira coisa que nos vêm à cabeça quando pensamos num personagem como o Indiana Jones…).

Escolha, leia, leia, leia, estude e prepare-se. Para além dos ingredientes é necessário saber se haverá alguma ferramenta vulgo forma ou utensílio de cozinha que lhe falte: se for preciso peça o que falta à sua mãe ou à sua avó – com todas as probabilidades e dado o grande legado gastronómico das gerações anteriores são bem capazes de ter tudo o que procura. Se estiver em poupanças e não conseguir arranjar o que precisa, opte por uma receita que não a obrigue a gastar grandes somas de dinheiro em utensílios extra.

2. Prepare sobremesas no dia anterior

Estarei talvez a dizer algo que cai na categoria das coisas Dah!, mas na verdade, se pretende acabar o seu jantar em beleza com uma sobremesa passível de provocar o delírio dos anjos e a inveja do demónio, nada melhor do que prepará-la no dia anterior.

Normalmente os pratos doces são de fácil conservação, podem ser guardados no frigorífico ou no congelador de um dia para o outro e muitos até ganham uma melhor consistência. Prepare bem os ingredientes e acessórios após ter lido bem a receita (ver tópico anterior) e reserve o serão do dia anterior para enveredar pelos meandros da culinária doce.

Atenção, no entanto, a dois obstáculos: o marido e os filhos. Comecemos pelo marido. Com toda a probabilidade, o seu marido fica de plantão na cozinha questionando cada seu movimento, dando provas efectivas de que os homens efectivamente e, em determinadas situações, regridem para o mesmo desenvolvimento psíquico de uma criança de 4/5 anos na idade dos porquês. “Como é que tu partes os ovos?” “Costumas fazer a receita nessa ordem?” “Puseste açúcar?” ou o supra-sumo das perguntas “A tua mãe não te ensinou a envolver as claras?” são algumas das pérolas que nos fazem levar aos píncaros da nossa já pouca paciência. Para isto tem um bom resultado: dê-lhe qualquer coisa para ele fazer na cozinha, tipo lavar os pratos. Desaparece num segundo. Claro que nem todos os maridos são assim. No meu caso, tenho a sorte de ter um marido que tem ganhas de chef na cozinha e, na grande maioria das vezes, consegue dar provas disso. Se for esse o seu caso, óptimo. Mais uma ajuda válida é sempre bem-vinda.

O seu segundo “problema” são os filhos (associar a palavra problema e filhos é puramente contextual). Todas nós temos na cabeça aquela imagem idílica de mãe anos 50 toda sorrisos Prozac, saia arredondada que preenche boa parte da cozinha, rodeado dos seus cinco filhos miraculosamente limpos e quietos como se tivessem ingerido uma quantidade massiva de Ritalin que observam todos os movimentos da mãe, ansiosamente à espera da primeira colher suja de chocolate. A realidade é muito diferente. Com 3 crianças e demasiadas tentativas no reportório, posso certificar-vos que não só é não é fácil, é impossível. Sobretudo dada a natureza da receita que está a preparar, talvez até pela primeira vez.

Esse tipo de experiências é óptima para ocupar as suas tardes de Domingo, de preferência, num pátio ou jardim e com uma grande taça de alumínio (é mais fácil de lavar do que o plástico), uma colher de pau e um abundante avental para cada um e grandes doses de farinha, ovos e chocolate. Assim sim. Neste contexto, mais vale esperar que os seus filhos estejam fora da cozinha, preferencialmente a dormir. E lembre-se de fechar tudo a cadeado com ameaças de morte para quem enfiar um dedo que seja na sua sobremesa, senão acorda no dia seguinte com o frigorífico vazio e uma leve vontade de estrangular alguém.

3. Prepare a mesa com antecedência

Este conselho é mais indicado se vai fazer alguma cerimónia e precisa de usar todo o armamento terrestre e aéreo disponível em casa porque vai receber o cônsul da Nigéria ou os seus sogros (alguns tipos de sogros, entenda-se, não os meus). Ou simplesmente porque lhe deu na ganha e quer pôr a casa bonita, talvez para disfarçar a grande quantidade de cheiros, manchas e marcas de DNA que foi ganhando com os tempos e para se iludir durante umas horas. Porque não? Para que isso aconteça da melhor forma e seja até um pequeno momento de relax em que vai retirando tudo o que precisa e colocando na mesa com um certo vagar, admirando o seu excelente trabalho de decorada improvisada de mesas de jantar, convém que seja algo feito antes de começar a cozinhar, antes dos convidados chegarem. Assim também terá tempo para verificar se haverá algum talher ou prato que precise de ser limpo ou algum copo a substituir.

Claro que na maior parte das vezes, tudo é feito com maior informalidade e até pode puxar os seus amigos para lhe darem uma ajuda nesse sector. Também pode ser um bom momento para por o seu marido ou os seus filhos a fazer alguma coisa de útil (desde que não tenha nada de valioso que se possa partir e que eles tenham idade para isso). Até pode ser que aprendam mais alguma coisa enquanto lidam com talheres diferentes e pratos mais esquisitos. Deixe-os explorar (mas arranje um bom seguro).

Por hoje é tudo!

Boa Sexta e Boas Preparações!

SOFT

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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