Quarta Farta – Pegadas Verdes (3)

Mais uma Quarta Farta, mais um artigo sobre Eco-Organização. Desta vez, dada a vastidão do tema, falaremos só de um dos dois REs mencionados na nossa última Quarta Farta: Rejeitar. Prontos? Aqui vai:

5. Rejeitar

Uma das formas de respeito pela natureza e, por conseguinte, por nós próprios, é a recusa de vivermos num ambiente poluído, doente e impregnado de tudo o que subliminalmente nos faz mal. Estamos a falar de produtos de limpeza da casa, de limpeza pessoal, de materiais utilizados nos nossos móveis, de embalagens do supermercado… tudo o que podermos substituir por uma alternativa mais viável, sustentável e que nos danifique menos é sempre um ponto a nosso favor. A grande questão que se põe aqui é qual o equilíbrio entre o que podemos fazer e o que podemos pagar. Honestamente, nem sempre é simples nem tão pouco fácil. Será exigido de si uma ginástica mental extra e umas mudanças comportamentais para começar a destrinçar e a escolher com consciência.

Eis algumas sugestões:

-nos supermercados, opte pela fruta e vegetais não embalados que para além de serem mais económicos, não vêem com desnecessárias embalagens de plástico que usaram demasiados recursos para serem feitas;

-mesmo que esteja numa pressa, não compre saladas, já feitas, pelo mesmo motivo… no fundo, só precisará de uns minutos extra para lavar os ingredientes e cortá-los, será que pode abdicar desses minutos em nome de um menor desperdício?

-faça uma pesquisa de produtos de limpeza da casa amigos do ambiente e faça as suas contas atempadamente – mesmo que não possa dar-se ao luxo de os comprar sempre, escolha pelo menos uma vez em cada 2 meses em que possa fazê-lo (aqui encontra um site com alguns desses produtos);

-da mesma forma, procure sempre produtos de limpeza pessoal mais amigos do ambiente e também mais delicados com o seu corpo – aqui encontrará algumas sugestões;

-poderá também criar em casa e com ingredientes bem simples todos os produtos de limpeza de que precisa: só precisa de meia-dúzia de ingredientes, uma dose de paciência e algumas receitas como estas;

-os produtos anti-bacterianos muito em voga que matam 99% das bactérias danificam outras formas de vida vitais para o ambiente e causam o aparecimento das chamadas super-bactérias com o uso prolongado (veja este artigo): a água com que lava as mãos ao usar esses produtos irá acabar por destruir muitos microorganismos que fazem parte do ambiente e que lhe são benéficos (acabam por pagar os justos pelos pecadores) e parte dos antibióticos usados acabam na água e vão eventuamente parar às águas residuais usadas para a agricultura e em última análise, para os bens alimentares que consumimos todos os dias – dado todos os estudos que apontam que uma vida saudável, sobretudo para uma criança, passa por obter as chamadas “vacinas naturais” através do contacto com a terra e a sujidade (lembra-se dos bolinhos de lama da sua juventude?), será que precisa mesmo de se livrar de 99% das bactérias?

-escolha ou dê preferência a produtos alimentares sem corantes, conservantes, espessantes ou educlorantes que não só são pouco recomendados para um estilo de vida sã (muitos deles são cancerígenos) como a sua composição normalmente inclui substâncias consideradas pouco amigas do ambiente – eis aqui uma lista de aditivos alimentares com informações sobre cada um e alguns factos sobre os corantes e conservantes usados na nossa indústria alimentar;

-ao comprar brinquedos para o(s) seu(s) filho(s), opte sempre por fazer uma pesquisa prévia acerca da sua composição, evite tudo o que tiver ftalatos, outros plásticos perigosos e tintas suspeitas como a tinta de chumbo (já banida da UE) – uma boa ideia é deixar de pôr os pés nas lojas chinesas e optar por brinquedos feitos com materiais biológicos e sustentáveis com o bónus extra de terem sido fabricados eticamente, pela corrente chamada “equosolidal”, como apresentados neste site (talvez tenha que pagar um pouco mais do que o habitual mas se comprar menos brinquedos – lembre-se “menos é mais” – e pensar nesta compra como um investimento já tem um bom argumento para avançar);

-quando tiver que comprar móveis, verifique que tipo de materiais estão envolvidos na sua construção – hoje em dia já há uma boa fatia de lojas a optar por materiais sustentáveis, reciclados e recicláveis e a preços bastante satisfatórios tal como a conhecida e badalada loja Ikea (se não quiser gastar demasiado dinheiro numa peça de mobiliário e quiser ser extra amigo do ambiente opte por comprar o que pretende num dos bazares de venda em segunda mão da própria Ikea);

-recuse-se a comprar lâmpadas que gastem mais do que precisa: evite as lâmpadas halogéneas, lâmpadas incandescentes e quejandos e faça um bom investimento em lâmpadas economizadoras e luzes LED que apesar de custar um pouco mais caro, tem como efeito secundário uma baixa de consumo energético na sua factura;

-se puder evitar, não compre pratos, copos e talheres de plástico para as festas – afinal de contas, se há tanta gente na sua festa, porque não pedir ajuda para pôr a loiça na máquina (se tiver mesmo que optar por comprar loiça descartável – festas da miudagem – opte por um item deste género);

-apesar de ainda não haver um serviço de apoio como existe no Reino Unido (recolha de fraldas usadas) e dos preços ainda não estarem a favor dos pais de filhos pequenos, vá dando uma vista de olhos de vez em quando nas fraldas de pano ou na nova alternativa às fraldas descartáveis – as fraldas descartáveis de material biodegradável;

-esta última sugestão é mesmo o mínimo dos mínimos e já muito conhecida: substitua todo o papel que usa em casa por papel reciclável (papel higiénico, guardanapos, papel de cozinha, cadernos, papel de impressora, etc) – os preços já estão muito mais baixos, portanto já não há desculpas.

Finalizo com uma pequena nota: tal como nos meus outros artigos, aqui deixo só algumas das muitas sugestões que populam a net, até para não deixar aqui textos tão compridos que se assemelhem a uma “bíblia” – crie as suas alternativas e sempre que possível passe pela net a ver que mais poderá fazer. Veja ainda este supermercado biológico online!

Na próxima Quarta iremos falar de Restaurar!

Boa Quarta e Boas Escolhas!

PEGVERD

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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