Sexta em Festa – Festejando a criançada (2)

Esta Sexta continuamos a nossa digressão pelo mundo das festas para crianças. Preparados? Desta vez estamos a duas semanas da festa:

2 semanas antes

1. Faça uma selecção de zonas permitidas e zonas proibidas

Em qualquer festa de miúdos em que participem miúdos traquinas ou com repentinas curiosidades científicas sobre a intrigante correlação entre a sua escova de dentes eléctrica, as superfícies horizontais e verticais da sua casa de banho e o creme da barba do seu marido (todos os miúdos, portanto), convém de antemão estabelecer que zonas estarão completamente e irrevogavelmente off-limits.

Será sempre melhor fechar o seu quarto, o escritório, as casas de banho mais apetrechadas ou qualquer divisão da sua casa que após o make-over forçado da miudagem seja passível de atribuir um novo significado ao título do filme Pesadelo em Elm Street, versão de olhos abertos. O Freddy Krueger que me desculpe mas as suas unhas que há muito não vêem uma boa manicure não têm comparação com os gritos quebra-tímpanos provenientes de uma criatura de 3 anos em estado de birra ou com os efeitos devastadores de crianças do sexo masculino na faixa etária dos 5-8 anos enfiados num quarto com uma pasta de dentes na mão.

Feche todas as zonas proibidas, feche-as bem à chave e atire a chave ao rio mais próximo (uma opção mais agradável ao tradicional “engula a chave”). Se a deixar por perto terá pelo menos 99.9% de hipóteses que a encontrem.

Certifique-se também que deixa uma única casa de banho disponível para as variadíssimas necessidades de miúdos e graúdos: não deixe demasiado papel higiénico e limite o número de produtos que quiser deixar a um mínimo (proporcional à quantidade de horas que quererá passar a limpar a casa de banho e áreas circunstantes no final da festa).

2. Escolha jogos, prendinhas e áreas de actividades dentro e fora de casa

Convém desde o início adequar a festa e as suas actividades não só ao tema que escolher (se optar por esse caminho), mas também às condições atmosféricas existentes no momento da festa. Não vou aqui falar em estações, até porque o tipo de tempo que temos tido é perfeitamente análogo ao nosso panorama político-económico – quando parece que vem um bocadinho mais de sol cai-nos a chuva em cima e quando foi tempo dela, nem pó. O melhor mesmo é estar atenta às últimas das meninas da meteorologia e, se planear uma festa no jardim, arranje um plano B que acabe com o pessoal com um máximo de 10% de humidade exterior adicional nas roupas, sapatos e quejandos.

Crie áreas de actividades dentro e fora de casa:

-o cantinho da leitura, com livros adequados a várias idades;

-o cantinho dos legos: coloque todas as peças numa daquelas mantas de abrir e fechar – assim quando acabarem de brincar é só fechar e fica tudo lá dentro (bem, pelo menos 70%, vá lá…);

-o cantinho dos desenhos: deixe só materiais laváveis em qualquer superfície animada ou inanimada conhecida pelo homem;

-o cantinho das pinturas faciais (consegue bons kits de pinturas faciais, laváveis e fáceis de usar aqui);

-o cantinho dos saltos onde poderá ter um insuflável, emprestado, alugado ou gentilmente cedido pelos avós (permita-lhes esses mimos, mais tarde não se arrepende);

-o cantinho da piscina: o melhor, nestes casos, é usar um tipo de piscina que dê para todos e não cause perigos desnecessários, tipo uma piscina insuflável bastante grande – se já tiver uma piscina grande e com várias profundidades pondere o uso ou não, tendo em conta o número de adultos e de crianças e quem ficará de vigia. Desta forma pode evitar problemas desagradáveis, seja com crianças, seja com adultos sem grandes controlos na ingestão de líquidos (o melhor mesmo é rever a lista de convidados…);

-o cantinho das bonecas e das casinhas, etc.

Desta forma, poderá criar grupos de crianças e se estiver já tudo à disposição da criançada, terá menos hipóteses de encontrar tudo misturado. Se tiver caixas coloridas e chamativas com etiquetas grandes a identificá-las podem sempre jogar ao jogo da arrumação no final da festa…. tá bem, tá… (tentar não mata).

Relativamente à escolha das prendinhas, a primeira pergunta que tem a fazer é a seguinte: precisa mesmo de dar prendinhas aos amiguinhos do seu filho no final da festa? Tenha em atenção que na festa já terão comido 90% de todos os tipos de açúcar conhecidos à face da terra sob a forma de gelatinas, gomas, chocolates, bolos, chocolates, bebidas passíveis de estimular a hiperactividade no miúdo mais apático, chocolates e levar mais um fornecimento para casa poderá não ser muito prático nem aconselhável. Costumamos dizer que os doces são para as ocasiões especiais como as festas, mas se levar guloseimas para casa irá acabar por quebrar essa regra e transformar algo especial em algo banal.

Se comprar joguinhos como prendinhas, penso que acaba por tornar o seu orçamento demasiado caro, mesmo que opte por coisas muito pequeninas (o que não é bom para miúdos mais novos) e a qualidade nunca será o seu forte. No entanto, existem muitas e boas ideias para prendinhas saudáveis, amigas do ambiente e da sua carteira, algo que irei explorar nas próximas semanas. Uma boa ideia e que pode envolver o seu filho é a de fazerem as prendinhas em casa a partir de materiais recicláveis: aproveite os pedaços de tecido, as caixinhas de sapatos, embalagens de sumos e use os domingos para ir criando com o seu filho cada prendinha (escolha coisas simples de fazer… não é o caso de uma Hello Kitty em papier maché com lantejoulas e pintada à mão com uma lupa…). É uma boa maneira de passar algum tempo de qualidade com o seu filho e ele ficará radiante ao entregar as prendas aos amigos.

3. Planeie a sua ementa

O segredo de qualquer boa ementa de festa está na reflexão e preparação. Eis aqui alguns conselhos para a planear:

keep it simple: de nada lhe serve preparar comidas e bebidas das quais nem sequer sabe pronunciar o nome, mantenha-se pelas coisas simples, práticas, fáceis de fazer e, sobretudo, fáceis de explicar como se fazem, se tiver ajudas;

-planeie comidas para miúdos e graúdos: fazer uma festa só à base de caviar beluga é típico de uma estrela de Hollywood com sérios problemas de personalidade, dinheiro para gastar, uma neura bestial e nenhuma ideia sobre como se fazem festas para crianças, o que não é o seu caso – crie algo de entusiasmante, menineiro, mas sempre, sempre adequado para todas as idades;

-verifique antecipadamente se não há pessoas com alergias especiais: nada quebra mais o ritmo de uma festa do que uma divertidíssima ida ao hospital com um caso de ataque anafilático digno de documentário sobre sobrevivência na selva amazónica. Prepare a sua ementa em conformidade com alergias que possam surgir e lembre-se de avisar toda a gente;

-pense sempre no aspecto prático não só no fazer e preparar mas também na altura de comer: se não vai fazer uma festa com os convidados sentados à mesa, de nada lhe vale estar a preparar comidas que obriguem uma pessoa a comer na horizontal, a não ser que considere as superfícies do seu sofá como substitutos de mesa;

-tenha em atenção o equilíbrio comida/bebida: se preparar comida tendencialmente seca, tem de ter algo para contrastar isso, se fizer questão de servir comidas com mais gorduras, também terá de servir bebidas que cortem esse excesso (como sumo de laranja ou o espumante… este último convém dar só aos adultos…);

-se não quer acabar a festa com muitos restos, faça um só bolo de aniversário, um doce de colher (tipo mousse de chocolate) e vários acepipes para trincar, primando pela qualidade e variedade das coisas pequenas;

-uma última sugestão: sirva a gelatina em copinhos para os miúdos – eles adoram a ideia e assim evita-se de desfazer a gelatina em mil pedaços numa taça grande que tira qualquer apetite e fica feio.

E por hoje fechamos a loja! Na próxima semana iremos falar do que fazer 1 semana antes da festa, vá pensando nas suas ideias e se tiver alguma sugestão a fazer-nos, escreva-a no nosso mural!

Boa Sexta e Bom Fim-de-Semana!

KDPT2

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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