Quinta com Pinta – Cabo(s) das Tormentas

Ora viva! Bem dispostos? Vamos falar de mais uma certa e determinada situação que nos abespinha consideravelmente e contribui para a acumulação de acido úrico nas nossas articulações e para a qual a OrganiGuru encontra sempre uma fantástica solução? Então, venha daí!

Passamos todas as fases da nossa vida utilizando toda uma panóplia de utensílios, gadgets e gerigonças várias que sem darmos por ela vem com o extra aborrecido do cabo (também vem com cd e folhetos de instruções mas sobre esses falamos mais tarde).

Permitam-me fazer um pequeno relato de uma viagem com que muitos se poderão identificar.

Nascemos, crescemos. Estragamos as coisas dos nossos pais. Nem fazemos a mais pequena ideia do que nos espera e do que eles têm de aguentar enquanto vivemos com eles. Estudamos (mais ou menos), estudamos (definitivamente mais), estudamos (até ao desespero) e na nossa cabeça afigura-se um destino, um desafio, um objectivo e, sobretudo, um propósito. Finalmente, uns mais cedo outros mais tarde, estamos prontos para sair de casa dos nossos progenitores (infelizmente para muitos nesta geração nem sempre é fácil tomar este passo, por várias e complicadas razões que não vou aqui explorar porque daqui a bocadinho vou almoçar).

Na nossa primeira mudança de casa, seja para uma residência universitária, um apartamento com outros colegas, o apartamento antigo do cunhado / tio / avó e outras habitações similares sentimo-nos pela primeira vez senhores de nós mesmos (mentira) e levamos connosco toda a nossa bagagem emocional e psíquica. E tecnológica. Incluindo o telemóvel (-eis) todo catita, ultra-nova geração, hiper-mega-rifixe (ainda se pode dizer isto?) que faz tudo menos levantar-nos da cama de manhã e fazer-nos o pequeno-almoço como nos fazia a mamã, o IPod, isto é, o primeiro apêndice externo conhecido do homem, a máquina fotográfica toda jeitosa, digital mas que faz umas fotos com a qualidade de outros tempos, que nos deram quando fizemos 20 anos porque tínhamos jeito para a coisa e mais outras tretas giras que usamos com a mesma frequência com que faremos limpezas de primavera na nova casa. Tudo isso mais os cabos (dois por cada brinquedinho, normalmente).

Depois fazemos um upgrade e começamos a viver com alguém, possivelmente com quem iremos ficar por um grande período de tempo (mais ou menos o equivalente ao tempo que levará a termos uma ligação TGV Lisboa-Madrid ou a vermos o governador, os vice-governadores e sub-alternos do banco de Portugal a abdicar das pensõezinhas). Começa a falar-se de comprar uma televisão. Que vem com cabo(s).

Mais tarde, o nosso trabalho muda e temos de andar mais de carro pelas ruas da nossa ou várias cidades. Compramos um GPS para não nos perdermos (mesmo que a destinação final esteja ao virar da esquina, seja acessível a pé e seja um dos locais mais visitados por nós desde os nossos cinco anos) porque é mais prático e giro. Para além disso, tem a voz de uma fulana porreira (não disse gaja porque é pouco lisonjeiro mas, no fundo, a coisa chama-se G.P.S., que – toda a gente sabe – quer dizer Gaja Para Seguir) que nos diz para onde temos que ir com mais precisão do que o senhor que está ali sentado na esquina a jogar à bisca com os vizinhos e mais agradável do que nossa cara-metade sem nos pedir para baixarmos constantemente a tampa da sanita ou apanharmos os boxers sujos do chão. E com este bicho são mais dois cabos.

Finalmente, quando as coisas começam a assentar com a nossa (ou nosso) mais-que-tudo, alguns de nós (para ser politicamente correcta) ponderam o filho e um futuro maravilhoso pela frente do qual desconhecem totalmente o lado negro das noites sem dormir, das fraldas, das birras, da falta de vida social, das paredes com nova cor e outras coisas assaz agradáveis e queremos, obviamente, registar cada momento. Aí a nossa mente consumista assume novas características, atravessa uma completa metamorfose e torna-se imperativo comprar como se não houvesse amanhã e consumir gadgets que capturem aquele momento inebriante em que o nosso rebento faz chichi pela primeira vez em cima da colcha antiga da trisavó que está na família há uns aninhos valentes.

Compramos e devoramos catálogos de “brinquedos” tecnológicos engraçadíssimos que conseguem gravar e reproduzir vídeos fabulosos do nosso filho recém-nascido em fase REM que duram horas e causam ataques de neurastenia só a quem não concebeu a criatura.

Mais tarde e sem qualquer tipo de aviso, disclaimer ou prognóstico (ninguém nos diz estas coisas!) o nosso filho cresce. E parte tudo. Ficam para sempre inutilizados todos aqueles produtos engraçados peso pluma e cada vez mais do tamanho médio de um dedal que não prevêem que um dia serão objecto de desejo dessas criaturinhas produtoras de litros de baba que tanto adoramos.

E acabamos com a cassete da câmera de filmar enfiada na sanita, a máquina fotográfica coberta com uma camada ressequida de baba com cheiro a papa Cerelac, o computador portátil transformado literalmente num IPad (sem botões… irá encontrar os mesmos enfiados nas meias do seu quarto… tem de pensar como eles…) e o comando da televisão sem tampa, sem pilhas (muito cuidado com as pilhas), sem qualquer utilidade para os anos vindouros, visto ter sido objecto de continuados testes à resistência, dureza e experiências relacionadas com a força gravitacional do nosso planeta. Acabamos por ter de recomprar (ou talvez não) todas estas coisas. Com mais cabos.

Adivinhem o ingente, titânico extra desta montanha russa de eventos. Pois é. Cabos. Paletes de cabos. Quando damos por ela temos a nossa gaveta / armário / dispensa / garagem com uma infestação de cabos que até as ratazanas e outras pestes citadinas ponderam a mudança de casa à procura de melhores paragens sem tanto campo electromagnético. E o pior disto tudo é que este espécime conhecido do mundo da electrónica ganha vida própria à medida que vai aumentando. Evolui para algo o mais parecido possível com aquela cena de documentário de domingo de manhã na RTP em que vemos um covil de cobras a darem à luz centenas de cobrinhas pequenas para nosso improvável entretenimento enquanto tomamos o pequeno-almoço enfiados nas pantufas dois números acima com caras de coelhinhos outrora brancos.

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É mais ou menos isso.

Não há que ter vergonhas nem pudores falsos. Todos nós passamos por essa selva de cabos. Como esposa certificada de um verdadeiro (mas controlado) consumidor de gadgets, posso assegurar-vos que já por lá passei e sobrevivi para contar a história.

Daí que, durante as próximas Quintas, a OrganiGuru toma como sua pessoal senda e empresa trazer novas soluções para resolver este cabo das tormentas e chegar ao busílis da questão. Vamos organizar cabos e aCABar com a confusão!

Para aguçar o apetite para artigos vindouros nas próximas semanas sobre este ecleticamente interessante tema, deixamo-vos com esta maravilhosa e ecológica solução (sim, são rolos de papel higiénico…preferencialmente limpos…) para cabos de vário tipo. Não se esqueça de utilizar etiquetas!

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(Especial agradecimento à Sr Dr Eng Mónica Galamba Valadas pela sugestão.)

Boa Quinta e Bons aCABamentos!

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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