Quarta Farta – Pegadas Verdes (6)

Com um dia de atraso (esta semana está concorrida), nesta Quarta Farta chegamos ao nosso oitavo RE: Reparar!

Reparar

Um dos grandes problemas relacionados com o ambiente está directamente relacionado com a quase impossível reciclagem de todos os materiais e consumíveis dos actuais electrodomésticos e outros engenhos eléctricos que temos nas nossas casas.

Temos televisões plasma do tamanho de uma sala, telefones ultra-tecnológicos com peças demasiado complexas que se tornam obsoletos após 3 meses, máquinas de lavar roupa que duram 5 a 10 anos em vez dos 30 anos do tempo das nossas avós, torradeiras, jarros térmicos, máquinas de café que saem aos milhares das linhas de produção para durar só até àquele momento em que achamos que merecemos uma coisinha melhor porque mudamos de casa / temos filhos / casamos / ganhamos mais dinheiro e pouco a pouco o planeta vai ficando sem espaço para tanta evolução tecnológica e tão pouca reflexão sobre as consequências dessa corrida que é a human race.

Este talvez seja um dos problemas mais graves relacionados com o ambiente, com menos soluções e uma das batalhas mais difíceis de travar, porque fomos e somos educados, indoutrinados, induzidos todos os dias pelos media, pelos outros, por nós mesmos e pelos nossos medos, frustrações e sede de compensações a consumir freneticamente e inevitavelmente a deitar fora como um ritual quotidiano automatizado. Nunca ninguém nos veio dizer para fazer um pouco mais de ginástica mental para chegar a outras soluções. As gerações dos nossos avós faziam-no, sem ter uma atitude ecológica, mas a sociedade que temos construído ao longo destas últimas décadas leva-nos a termos cada vez menos em conta a sabedoria dos mais velhos e a criarmos cada vez mais vícios e dependências nos mais novos.

Ninguém pode atirar pedras ao telhado dos outros neste assunto. Todos nós, num momento ou noutro, deitámos fora irreflectidamente aquele leitor antigo de cassetes que estava no sótão há uns tempos e que entretanto teve de ser limpo para fazer espaço para mais tralha. Costuma dizer-se que aquilo que os olhos não vêem, não aflige o coração. É esse o grande problema: desde o momento em que atiramos aquele velho aspirador para o lixo, sentimo-nos mais leves e aliviados como se o problema se tivesse resolvido por magia com aquele caixote do lixo tão conveniente. O único senão é que o problema não deixa de existir, fica ali, à espera de alguém que o resolva e enquanto o tempo passa, é a natureza (e outros que não conhecemos em países distantes) quem paga as favas e quem assume a tarefa hercúlea e impossível de biodegradar algo que não foi concebido para ser biodegradável.

Apesar de nem sempre concordar com a maneira exagerada e um tanto ou quanto extremista e simplista de passar os seus conceitos, concordo com o sentimento de base que move o projecto Story of Stuff que tem-nos trazido ao longo dos anos muitos filmes do género “abrir-os-olhos” e que tanto caracteriza e acompanha esta era da electrónica desenfreada. Este video é um dos muitos que poderá encontrar no site deste projecto, intitulado “História dos Equipamentos Electrónicos” (Story of Electronics):

Para a próxima semana, falarei mais um pouco deste RE: nesse artigo constará uma lista de acções a tomar e um pequeno flow chart que lhe permitirá chegar a soluções que prometem uma resolução verdadeira do problema.

Porquê dedicar mais do que artigo a este RE em específico e não ter feito o mesmo com os outros? Porque de entre todos os REs de que temos falado até agora é este o que tem maior impacto, o que está intrinsecamente ligado com a maneira como fomos educados pelo consumismo e que vai à matriz do problema, modificando atitudes. Reparar não implica só o mero acto de dar uma nova oportunidade ao seu aparelho mas também reparar o que nós somos, a nossa educação, plantando sementes na nossa sociedade para uma mentalidade mais verde, menos preguiçosa e mais consciente, através da prática da não compra, da rebelia contra o consumismo sem sentido, pela reutilização das mentalidades em tempos de guerra, pela partilha do que nós temos e somos com os outros à nossa volta.

Fique atento ao artigo da próxima Quarta!

Boa Quarta e Boas Reparações!

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About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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