Quinta com Pinta – Mala Preta (in memoriam)

Antes de mais, permitem-me elucidar-vos quanto ao título deste artigo. Durante os anos em que os nossos filhos ainda não eram esfínctero-independentes, todas as nossas tropelias e sagas fora de casa eram acompanhadas categoricamente pela nossa saudosa “Mala Preta”. E o que era a nossa Mala Preta? Era simplesmente o mais fabuloso saco de fraldas à face da terra. Ponto Final. Era um modelo preto da Baby Bjorn (segue foto) com espaço para fraldas, toalhetes, mudas de roupa para 3 crianças, creme de fraldas, creme hidratante, pasta de dentes, escova de dentes, saquinhos de sandes para roupa suja e quejandos, bolachas, água, pacotes de sumo, tupperware com papa Cérelac e muitas outras coisas das quais perdi a conta. Era o nosso braço direito e a nossa perna esquerda. Era o nosso farol nas tragédias parentais líquidas e sólidas. Era a companheira dos chichis, compincha das merendas, parceira nas mudas de roupa radicais.

Até tive direito a música sobre as qualidades da nossa querida mala preta, intitulada justamente “Mala Preta”, no dia dos meus anos há uns tempos atrás. Não coloco aqui a dita música aqui por respeito ao meu marido que a elaborou. A única coisa que posso dizer é que foi baseada na versão aciganada da música My Way do Mr Jazz, Frank Sinatra.

Aí há uns dias um grupo de energúmenos com boxers a sair das calças assaltou-nos o carro e para além de nos escacar o vidro lateral de uma das portas que nos custou os olhos da cara (o seguro deu de frosques), roubou-nos também o nosso cabo da boa esperança para sempre. Agora a questão é esta: em que é um saco de fraldas se assemelha a um GPS? Eis uma questão que poderá eventualmente suscitar estudos futuros.
 

Bem, mas falemos de arte. Na minha ideia, os senhores assaltantes não produziram nenhum artefacto digno de nota, nem mesmo para figurar no MoMa. Tivessem roubado os faróis, o volante, o auto-rádio, tirado as cadeiras todas para fora (digno de diploma) e levado também o telecomando do leitor de Dvd que nos permite colocar o video do Panda mais umas 113 vezes, aí teria dito “Sim Senhora! Aqui está um roubo de categoria! Digno do Palácio de Belém!”. Agora assim, partirem-me o vidro e deixarem-me os cacos todos pelo chão com o resto do carro direitinho e levarem-me as fraldas, desculpem-me, meus senhores, mas não é assim que as coisas se fazem… Agora a cassete com fios para leitores de mp3 que comprei na Worten há uns dias, isso sim, foi roubo 5 estrelas, registado e tudo, que essa gente tem orgulho nos roubos que faz. Se estes senhores tivessem ao menos esculpido um patinho, daqueles amorosos patinhos de borracha com bico revirado no vidro ao partirem o mesmo aí poderia dizer ao meu filho “Estás a ver K., estes senhores levaram-te as fraldas e vais ficar com cocó até ao pescoço, mas vê-me só as nuances dadaísticas presentes no desenho do patinho, isto sim é trabalho de profissionais!”

Isto tudo para vos dizer que nesta semana e na próxima iremos falar desse produto fabuloso que é o saco de fraldas. Deixo-vos com o modelo preto da Baby Bjorn comprada há uns anos largos (já nem me lembro) na Pré-Natal em Coimbra.

 Para a semana falaremos do que colocar e não colocar nos sacos de fraldas, como preparar um saco de fraldas para uma viagem de avião com sugestões de sites de venda online e alguns bons exemplos.

Boa Quinta e Boas Viagens!

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About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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