Quarta Farta – Dieta da Tralha (1)

Já alguma vez pensou porque estamos tão ligados às nossas coisas? Existem várias processos psicológicos que inconscientemente nos levam a um estado de tamanha dependência que se torna extremamente difícil desfazermo-nos do que já não serve e está a ocupar espaços vitais. Durante as próximas semanas falaremos desses processos e de que modo fazer a importante “Dieta da Tralha”. Hoje iremos falar de um desses processos:

Antropomorfismo

Antropomorfismo é o acto de atribuir características humanas como sentimentos a objectos e é um dos grandes entraves a uma boa organização: de facto, de cada vez que estivermos a deitar fora alguma coisas, sentimos que a estamos a abandoná-las e tudo se torna mais difícil. Identificar esse comportamento permite-nos encontrar técnicas para lidar com ele e avançar mais um passo. Muitas vezes, sem nós darmos conta, desenvolvemos essa conexão emocional com aquele bibelot antigo que a sua avó lhe deu quando ainda andava na faculdade ou aquele peluche velho e já a precisar de um banho da sua infância. Esse sentimento é tão forte que sentimos que, ao abdicarmos desse nosso objecto querido estamos a abandoná-lo e a trai-lo.

Muitas vezes confundimos esse objecto com a pessoa que representa ou que nos ofereceu o mesmo. Frequentemente este tipo de conexão está muito presente em casais em que faleceu um dos cônjuges: tudo o que está relacionado com a pessoa falecida é passível de criar dependência na pessoa que ficou, sendo uma situação extremamente difícil de superar e muito sensível.

A melhor maneira de conseguir ultrapassar esta situação é através da doação, assegurando que o bibelot antigo será entregue a alguém que saberá cuidar bem dele e respeitá-lo tanto como o faria a antiga dona. Dessa forma, a pessoa poderá ter oportunidade de se despedir dos bens do falecido marido ou daquela avó que nos acompanhou nas nossas tropelias de criança e saber que lhes foi dado um fim digno do nosso ente querido.

E quando os nossos bens nos trazem à baila todas aquelas memórias fabulosas? Como é que conseguimos separarmo-nos dessas boas sensações? Descubra connosco na próxima semana!

Boa Quarta e Boas Despedidas!

ANTRO

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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