Como escolher a Prenda de Natal ideal?

Nesta altura do campeonato imagino que esteja já a planear na sua cabeça, pelo menos, o que vai se passar nas próximas semanas. É uma estação do ano que exige realmente muito de nós e que requer uma queda especial para o multi-tasking, o que é, por si só, sobejo desafio.

Uma das perguntas que nos costumamos fazer, entre muitos outras, é que prendas comprar e a quem. É daquelas coisas que consideramos inevitáveis porque assim manda a tradição e, fazendo jus à própria palavra, nem ousamos sequer desafiar esse conceito, nem tão pouco mudar de ponto de vista. Mas será mesmo assim?

Confesso que vejo-me chegada a mais um final de ano e começo a contemplar “esta cena” de dar prendas só porque sim, só porque a tradição assim o dita, algo que já perdeu o brilho de outros tempos, quando eu achava que a organização era tão somente fazer grandes tabelas cheias de números e ter os dados todos bem alinhadinhos e em que as prendas eram, tradicionalmente, bastantes. 

Entretanto, descobri que ser-se organizado é muito mais do que isso. É também uma atitude perante a vida, uma postura assertiva que por vezes nos leva a rever o que sempre considerámos e demos como certo e a procurar alternativas.

E assim, e apesar do título deste artigo poder ser algo enganador, dou por mim a contrariar mais uma vez a corrente e a sugerir: pensem de forma diferente!

Queremos mesmo que as memórias deste Natal sejam ditadas pelo número de prendas que se trocou entre familiares? Não estaremos já todos um pouco saturados de entrar em lojas e de aproveitar dias promocionais em que, no meio de kms e kms de centro comercial, nos é dada a oportunidade de constatar que o crescimento e o aumento da densidade populacional não é só meramente uma estatística e é algo de bem real?

 No título proponho-me dar conselhos sobre como escolher a “prenda ideal”. Reservo-me ao direito de ressalvar que essa prenda possa não ser inteiramente física.



Comecemos:

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Ir tomar café com uma pessoa amiga

Sim, isto pode ser uma prenda, ou melhor, o tempo que está a dedicar a essa pessoa é a verdadeira prenda. Se calhar, na turbulência das semanas e dos meses, poucas oportunidades surgiram para o fazer. Ponham a conversa em dia, falem mal dos maridos, contem anedotas, riam-se a bandeiras despregadas. Assim, só porque sim.

Só porque faz bem à alma (à dela e à sua).

E se quiserem trocar prendas, troquem experiências, troquem receitas, troquem opiniões.

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Ofereça um bilhete para um espectáculo

Acredito que oferecer uma experiência é bastante mais valioso do que qualquer prenda física. Está a oferecer um momento em que a pessoa se vai desligar do seu dia-a-dia, do stress e vai vivenciar algo que poderá por momentos trazer-lhe aquela paz interior de que precisa para continuar.

 Nesta era da tecnologia, transbordamos de sites que vendem bilhetes para espectáculos e felizmente a oferta é muita.

Uma pequena nota pessoal:

Fomos este verão de viagem a acampar por Espanha com a miudagem (2 adultos e 3 crianças e, sim, estamos ainda vivos). Na viagem de regresso, quisemos oferecer uma surpresa à miudagem no dia de anos da minha mais velha que fazia 12 anos. Fomos ver o “The Lion King, the Musical” a Madrid.

Juntamos dinheiros vários dados pelos parentes e fizemos dessa experiência a prenda dos 3 miúdos este ano (uma das minhas filhas faz anos em Junho e os outros dois em Agosto com poucos dias de distância). O que me convenceu que esta era a prenda ideal (na verdade foi o maridão a sugerir e muito bem)? O olhar cheio de lágrimas e de emoção da minha filha mais velha nos primeiros minutos daquele que seria o seu primeiro musical e (espero) o primeiro de muitos.



E foi isto. Foi aí que percebi que nenhuma prenda física me traria esse olhar. Nada de físico pode trazer algo assim.

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Faça um bolo em casa

Mas haverá algo mais confortante do que receber um bolinho? Bem, pelo menos para mim, obviamente.

Apesar de ser algo de físico, a comida tem aquele efeito sobre nós, não é? Tem a qualidade fenomenal de nos estimular os sentidos e de nos levar aos recônditos da memória, sobretudo se for aquele tipo de confort food fabulosa que nos leva à nossa infância (ainda alguém se lembra daquela cena do filme Ratatouille? Sim essa!)

Mesmo que não tenha grande jeito na cozinha, pode sempre pedir ajuda a quem saiba e juntas (ou juntos) poderão fazer coisas muito bonitas na cozinha. O que é, por si só, uma prenda para ambos. Sempre que ofereço um bolo a alguém, tenho uma satisfação enorme de ver emergir aquele típico sorriso de criança, como se, de repente, o mundo fizesse mais sentido e se tivesse ganho a sorte grande.

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Planeie uma visita a um lar de terceira idade com os seus filhos

Não há melhor combinação do que idosos e crianças. Uns rejuvenescem na presença desses seres luminosos que são as crianças e essas ganham em sabedoria e ouvem histórias de outros tempos com a curiosidade palpitante que tanto as caracteriza.



Planeie com antecedência para que tudo possa estar a postos para a sua visita. Nunca convém aparecer de surpresa, sobretudo por causa dos horários algo restritos que regem essas instituições. Fale com os seus filhos e acorde com eles algumas regras básicas para que tudo possa correr pelo melhor. Poderá também trazer alguns livros ou jogos que possam animar um pouco a conversa entre miúdos e graúdos.



Mesmo que seja uma visita breve, a prenda que está a oferecer a uns e a outros é gigantesca e neste caso, ideal. Por um lado está a trazer alguns momentos de felicidade e companhia a quem está (quase) sempre sozinho, por outro lado está a educar os seus filhos a respeitar os mais velhos e a conhecer realidades diferentes do seu dia-a-dia e a consciencializá-los para as mesmas.

Fica também a dica para os professores fazerem o mesmo com as suas turmas (um pequeno grupo de alunos de cada vez, tendo em conta o número excessivo de alunos que existe, regra geral, por turma).

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Troque dois dedos de conversa com o seu talhante

Quantas vezes passamos pelo mesmo supermercado, pelo mesmo café, pela mesma lavandaria e nunca trocamos dois dedos de conversa com quem nos recebe? Temos tantos automatismos a funcionar que acabamos por nos transformar num perfeito autómato que nunca sai fora da sua rotina, repetindo, repetindo, repetindo. Nunca paramos, nem olhamos duas vezes.

Está na hora de quebrar o feitiço!

Comece por olhar a pessoa nos olhos e faça a pergunta do costume, mas, desta vez, pare para ouvir a resposta. Responda, comunique, interesse-se e troquem histórias de vida. E assim, sem mais nem menos, trouxe um pouco mais de sentido aquele dia-a-dia com tanta azáfama ( e talvez também ao seu) em que a humanidade por vezes se perde e se esquece que se existe fora desse esquema.

Parece-me ser uma prenda excelente. Todos precisamos de alguém que nos oiça, que nos valide, que nos sorria.

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Largue o telemóvel

Parece-lhe pouco? Acredite, não é. Esta tem a benesse de ser uma prenda que serve a si e aos outros. Largue o telemóvel. Troque galhardetes, ria-se, volte a descobrir o que é passar uma refeição sem interferências, sem precisar de consultar o estado no facebook, sem ter que controlar os emails. Pare por um momento e oiça o seu filho, a sua filha, o seu pai, a sua mãe.

Esta é daquelas prendas que requer esforço, dedicação, tempo, determinação. Não é algo que se compre com um cartão de crédito e não há promoções que lhe valham. Tem de ser entregue, assim, sem descontos, sem filas de supermercado, sem esperas.

Mais uma vez, vemo-nos protagonistas de uma situação em que damos muito, mas muito pouco peso ao que somos para os outros e à importância que temos nas suas vidas. O acto de pousar o telemóvel é um acto de verdadeira revolução e rebelia em que voltamos a ganhar vida e voltamos a conhecermo-nos, a encontrar aquela pessoa que viveu antes do telemóvel, antes dos social media, antes dos emails.

Acredite, irá valer a pena. Vamos fazer isso juntos, ok?

Giving the invaluable gift of reading this holiday is a terrific way to open the minds of those we love the most. (StatePoint)

Ofereça um livro

Pois. Quebrei a minha promessa. Faço desta a minha única excepção. Todos os Natais, independentemente do que decidir oferecer em conjunto com o meu marido, ofereço sempre um livro a cada um dos meus filhos. Porquê? Porque um livro é educação, é fantasia, é informação.

Um livro leva-nos ao próximo patamar. Revestidas em couro ou simplesmente cartão, aquelas páginas contêm em si a promessa de uma verdadeira viagem no tempo, a única possível e a mais fantástica de todas. Ao final dessa leitura, estamos outros, somos outros. Conhecemos algo sobre nós que desconhecíamos, revelamos mistérios que estavam por desvendar.

Um simples livro faz isso tudo. A experiência nem sempre é positiva, mas é sempre uma experiência. É sempre um passo numa direcção, é sempre a direcção certa.

Boas prendas!

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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