Ano Novo, Decisões Novas!

Início do ano

Não está fácil, pois não?

Estamos no início do ano e é quase perceptível fisicamente a pressão que sentimos para que este ano seja melhor do que o anterior. Para que finalmente consigamos cumprir o que estipulámos. Para que não percamos de novo a confiança. Em todo o lado, lemos por essas plataformas sociais fora: “2017 é que vai ser!”.

Esperança Feita Mês

Se houvesse um mês dedicado à esperança, seria o mês de Janeiro. Porque é o primeiro do ano. Um ano que nos é entregue fresquinho. Aquele ano que ainda traz o cheirinho a novo, acabadinho de sair da loja. Até temos medo de tirar o plástico protector, não vá o diabo tecê-las e ele cair e estragar-se. Ficar com riscos. Depois deixa de ser novo. Passa a ser o ano com defeitos e já não olhamos para ele da mesma forma. Está estragado.

Talvez até nem funcione da mesma forma, cheio de riscos. E a nossa sensação anterior, aquela de ter nas mãos um ano ainda inocente e perfeitinho, perde-se. E acabamos por deixar de ter cuidado. Feito um risco fazem-se outros, até que damos com o nosso ano, por volta de Junho já todo riscado e aí então deixamos de nos importar. Afinal de contas estamos a meio do ano, não é?

É natural que deposite neste mês toda essa esperança e confiança. Estamos programados para isso. Temos a passagem de ano, todos aqueles desejos coroados de 12 passas para que tudo corra bem. Rodeamos cada final de ano de uma aura de premonição e sebastianismo tal que, à primeira desilusão, caímos por terra. Afinal para que serviram todas aquelas passas?

Mês igual aos outros

Agora vou-lhe dizer uma verdade. Uma verdade que eu própria tenho que me forçar a acreditar. Não é fácil. Este mês é igual a todos os outros! Sabia? Pois, eu também não. Todo aquele champagne tinha-me convencido do contrário. Tinham-me prometido um ano novo e eu, crédula que sou, abri o pacote e convenci-me que tinha perante mim um ano sem igual. Sem precedentes. Sem o peso dos erros do passado.

E pouco a pouco convenço-me que eu também, agora, sou diferente. Que com o ano novo, chegou uma pessoa nova, com uma nova personalidade, capaz de tudo. Capaz de fazer todas as dietas à face da terra, de ir ao ginásio todos os dias, de me levantar às 5 da manhã para fazer ioga, de cumprir os objectivos mais impensáveis e inatingíveis. Afinal de contas sou uma pessoa diferente ou não?
E depois chegamos a meio do mês de Janeiro. E, afinal, aquela pessoa nova, estranhamente, tem hábitos e costumes muito parecidos com a pessoa do ano passado. Coisa esquisita. E lá se vão todos aqueles objectivos que a pessoa nova tinha, porque a pessoa do ano passado ainda está aí e não os consegue cumprir.

Daí eu dizer que não está fácil. Passar de ano, qualquer um faz. Mudar de hábitos e costumes precisa de tempo e não há 12 passas que lhe valham. Talvez 12 meses…

Conheça a suas limitações

Começa com pouco, com um olhar para dentro inédito, sim, para essa pessoa do ano passado. Que fez ela de bem? Que fez ela de menos bom? Que hábitos foram prejudiciais? O que impediu que não se conseguisse chegar lá, a esses objectivos no ano passado? Comece por se conhecer e, sobretudo, tomar bem consciência das suas limitações. Depois, é uma questão de adequar esses objectivos a essa pessoa. Não à pessoa do ano passado mas à pessoa do ano passado que quer mudar e precisa de se habituar.

Assim a ida do ginásio todos os dias pode começar com o andar a pé 3 vezes por semana. Pode começar com o levantar às 7, depois às 6 e por aí adiante. Com o decidir deixar de comer um alimento que se come em excesso por mês em vez da dieta radical.

Decisão com d pequeno

A palavra “decisão” tem o condão de nos abrir as portas dessas limitações e começar a vislumbrar o início de algo de interessante, de concretizável. Engane-se quem veja esta palavra no topo de um pedestal bem lá em cima como se de um herói da antiga Grécia se tratasse.

Aqui não precisamos de Argonautas nem da companhia de Ulisses (até porque esses não nos levavam a lado nenhum… e demorávamos 20 anos a lá chegar!), mas de um herói menor, de um semi-herói. Estou a falar na decisão pequena, aquela que ocorre todos os dias, a cada hora e que normalmente acompanha os nossos hábitos. Aquela que nos leva a acordar às 7:00 em vez de acordar às 7:30. Aquela que nos leva a andar mais 500 mts e que a longo prazo, nos leva mais longe que qualquer grande decisão.

Por isso, comece com pouco. Treine a tomada de decisão, dia-a-dia, hora a hora, minuto a minuto. E deixe-se pertencer a essas decisões, ganhe-lhes o copyright. São suas. Se hoje conseguiu acordar às 7:00, fui você que tomou essa decisão. Ganha o direito a ter confiança para a próxima decisão que tiver que tomar.

Esse treino pode parecer-lhe insignificante e até pouco importante ou com poucos efeitos, pelo menos a curto prazo. Não é um treino que lhe vá trazer grandes resultados imediatamente e nós estamos programados para esperar sempre esse tipo de resultados, estrondosos, fabulosos e com pouco esforço e em pouco tempo. Basta ver o exemplo dos anúncios de que nos rodeamos todos os dias em que a expressão “em minutos” ou “em segundos” é dita de forma quase obscena de tão ridiculamente irreal que é. Desconfie sempre de quem lhe diga que algo possa mudar radicalmente em pouco tempo e com pouco esforço.

Paciência e Confiança

Terá que fazer também um segundo treino: o da paciência, algo tão esquecido e tão menosprezado hoje em dia. Todos perdemos a paciência e já não sabemos por onde ela anda. Descubra-a porque vai precisar dela, a par da confiança. Essa tríade de softs skills – tomada de decisão, paciência e confiança – vai passar a ser o seu cocktail diário e vai fazer-lhe mais efeitos a longo prazo que essas bebidas verdes e saudáveis que andam tanto na moda.

Um dos grandes obstáculos a estas duas capacidades – paciência e confiança – está no peso que damos às nossas expectativas e na ideia (falsa) de que precisamos de mudar no menor espaço de tempo. Infelizmente nem sempre podemos alterar o que nos pedem de nós, sobretudo no nosso trabalho, nem tão pouco se pode dizer que esse âmbito esteja regrado pela “paciência” e não são raras as vezes em que aquilo que nos é pedido e os prazos que nos são impostos estão fora de qualquer quadro realista.

É inegável que, quando estamos treinados para conviver com a impaciência de atingir objectivos por vezes inatingíveis ou pelos quais temos que abdicar de outros âmbitos da nossa vida (pessoal, familiar, etc), torna-se difícil imprimir ou pautar todas as outras áreas em que temos o controlo com a paciência, a perseverança e a confiança que precisamos, se queremos efectivamente mudar essa pessoa do ano passado. No entanto, há que tentar discernir uma realidade da outra se queremos chegar mais longe.

Da Teoria à Prática

Pois então, descortinadas que estão as armas de que terá de se munir para poder fazer deste ano um ano de mudança e para que o mês de Janeiro possa ser realmente o início desse caminhar para o objectivo pretendido a longo prazo, passemos à prática. Ficam então algumas sugestões para passar para papel:

1ª Passo: Comece por fazer uma lista do que entende serem as suas limitações ou dificuldades – seja honesto!

2º Passo: Nomeie um grande objectivo, em jeito de meta, para este ano, algo de concretizável, tendo em conta as suas limitações.

3º Passo: Enumere pelo menos 12 objectivos que possam ajudar a chegar a essa meta final.

4ª Passo: Estipule um objectivo por mês, que poderá ser verificável no final de cada mês – lembre-se de escolher algo de atingível e realista!

5º Passo: Agora faça uma pequena lista de tarefas por semana para que, no final da semana, possa estar um bocadinho mais perto do objectivo estipulado para esse mês;

6º Passo: Finalmente, nomeie 3 acções, 3 tomadas de decisão a treinar para cada dia, para que possa mudar alguns hábitos que estejam a mais.

Monitorizar o plano estabelecido

Agora tratar-se-á de ir monitorizando o plano estabelecido:

-Ao final de cada dia, reflicta nas 3 tomadas de decisão que fez e não se esqueça de anotar o que correu bem, mal e o que sentiu – por vezes poderá ser só uma frase ou uma palavra mas escreva!

-Ao final de cada semana, aponte o que fez da sua lista de tarefas e o que não fez: relativamente às que não fez, anote o que poderá estar na origem do problema – tarefas a mais? tempo a menos?

-Comece a semana a seguir com tarefas “corrigidas”: ou menos tarefas por semana ou mais tempo para a realização de cada uma;

-Ao final de cada mês, verifique se o objectivo foi atingido e o que poderá estar na origem de eventuais entraves: leia as suas reflexões diárias e peça a opinião de quem convive consigo – estará a faltar alguma coisa? será concretizável?

Finalmente, não se esqueça de escrever algo de positivo, todas as semanas. O reforço positivo será a base da sua confiança.

Bom ano!

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About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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