Práticas Japonesas a incluir na sua casa Hoje!

A cultura nipónica nos nossos hábitos

O melhor do fenómeno da globalização é o contacto contínuo que temos com outras culturas, sobretudo a cultura nipónica. Nunca como hoje houve tanta influência, seja no âmbito gastronómico, seja nos filmes e nos desenhos animados dessa cultura tão rica e tão contida e ritualista. Cada vez mais se fala sobre os benefícios da organização japonesa primeiro nas indústrias, depois nas empresas. Agora finalmente começa a entrar nas nossas casas pouco a pouco.

Por esse motivo decidi dedicar o artigo deste mês a algumas práticas japonesas que podem ser benéficas dentro de casa. Seja na organização da logística caseira, seja nas nossas relações e até no que diz respeito à alimentação.

 

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Deixe os sapatos à porta

Esta prática tipicamente japonesa e bem inculcada nos hábitos diários dos japoneses seja dentro como fora de casa está cada vez mais a ser difundida um pouco por todas as casas. Um pouco como moda, um pouco porque começamos a deixar que se entranhe nos nossos hábitos.

E porque não?

Os benefícios são mais do que suficientes:

1) É mais higiénico: ao deixar os sapatos à porta, impede que entre toda a sujidade que os mesmos trazem da rua;

2) É mais relaxante: não há como enfiar um bom par de chinelos ao final do dia;

3) É mais natural: não estamos feitos para andar com sapatos apertados e muito menos de tacão portanto é um descanso para os pés bem convidativo.

Agora para a parte logística: é preciso saber onde colocar os sapatos e onde ir buscar os chinelos. O ideal é ter uma pequena sapateira na entrada de casa ou garagem, de preferência aberta mas prática que permita armazenar os sapatos até ao dia a seguir. Convém ter um plano de limpeza da mesma, para não cair no esquecimento, sendo que irá acumular alguma sujidade de fora a longo prazo. Nessa mesma sapateira arranje espaço à parte para colocar os chinelos. Convém que cada um tenha os seus chinelos e que não haja transferências.

E para as pessoas de fora?

Regra geral cá em casa costumamos oferecer essa opção a quem vem de fora, tendo obviamente um par de chinelos à parte para estes casos. Já há venda kits de chinelos, havendo a possibilidade de os lavar as vezes necessárias e de ter um par sempre limpo para convidados. Há quem aceite e há quem não esteja tão à vontade.

Logicamente esta é uma prática que não deve ser imposta a quem vem de fora, mas para quem habite na mesma casa é essencial que estejam todos na mesma página.

 

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Prepare bento boxes para o almoço

É daquelas pessoas que tem trabalho como freelancer com horário (mais ou menos) livre e flexível, sem escritório fixo, mas que não consegue trabalhar em casa? A marmita, lancheira ou bento box é então a sua melhor opção a longo prazo. Sobretudo no que diz respeito a orçamentos neste âmbito (não convem gastar dinheiro em restaurantes todos os dias).

A bento box tem o benefício de ter várias divisórias e pelas suas dimensões mais reduzidas, convidar a comer um pouco menos, mas o suficiente. É uma prática muito utilizada no Japão e há quase uma verdadeira religião na preparação destas refeições que primam pelo detalhe e pela imaginação.

Não será preciso obviamente replicar esses mesmos detalhes. Convém, no entanto, saber gerir a logística da preparação destas refeições com afinco e força de vontade:

1) Opte sempre por preparar estas refeições no dia anterior;

2) Use várias cores na confecção destas refeições, não esquecendo leguminosas, vegetais e uma fonte de hidratos de carbono, para que haja mais equilíbrio mas também saciedade (por exemplo: uma batata cozida aos cubos, dois ovos meio-cozidos, feijão verde ou vermelho e cenoura às tiras);

3) Tenha cuidado em acondicionar bem as divisórias para que não haja fugas de líquido;

4) Utilize um contentor especial para sopas para evitar vazamentos;

5) Sempre que chegar a casa ao final do dia crie a rotina de esvaziar a lancheira por completo, de a lavar e de deixar pronto para o dia seguinte.

 

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Utilize cartões Kanban para sua a despensa

Já falei aqui num dos meus artigos destes cartões de controle de stock, típicos da filosofia Kaizen e do TPS (Toyota Production System) que utilizo para o material escolar. Têm-me poupado muitas preocupações e trouxeram autonomia aos meus filhos na preparação do material da escola.

Desta feita venho propor o mesmo raciocínio, mas para a sua despensa. A ideia é simples:

1) Crie pequenos cartões ou pequenos lembretes para lhe lembrar que o stock de determinado produto está a acabar;

2) Lembre-se antes de mais de estabelecer o trigger da compra, ou seja, a quantidade mínima que tem de ter em casa, que varia consoante os consumos de casa para casa;

3) Opte sempre por um sistema pull, ou seja, é o consumo da casa que requer determinada quantidade de consumíveis e não o contrário;

4) Prepare-se para mudar a definição de quantidades mínimas à medida que os meses vão passando, seja porque se muda de estação, seja porque simplesmente se muda de hábitos, rotinas e, consequentemente, de consumos.

Este é um método que precisa sempre de pequenos acertos, de melhoria contínua. Por esse motivo sabe que, de vez em quando, terá que parar e fazer-se as perguntas necessárias o que me leva ao último ponto deste artigo.

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Pratique os 5W e a Filosofia Kaizen

Quantas vezes queremos que as coisas funcionem e parece que está tudo contra nós? Ou nos atrasamos de manhã, seja a ir para o trabalho, seja a chegar à escola? Einstein já dizia, sabiamente: “Fazer sempre o mesmo, vezes sem conta e esperar resultados diferentes é sinal de insanidade.”

Então porque nos obstinamos a fazer o mesmo em casa, sem querer perceber a fonte do erro?

É isto que vos proponho fazer: se costumam chegar atrasados à escola, reúna-se com os seus filhos e faça-lhes essa questão. Pode até optar pela táctica dos 5W (5 whys, 5 porquês). É uma prática que está na base do diagrama de Ishikawa ou diagrama de causa-efeito, outra conhecida prática japonesa.

Fica aqui o exemplo de uma conversa real que tive com os meus filhos:

Porque chegámos tarde à escola? Porque saímos tarde de casa.

Porque saímos tarde de casa? Porque nos atrasámos a arranjar.

Porque nos atrasámos a arranjar? Porque tivemos pouco tempo.

Porque tivemos pouco tempo? Porque acordámos depois da hora.

Porque acordámos depois da hora? Porque dormimos pouco.

Porque dormimos pouco? Porque nos deitámos tarde no dia anterior.

Chegámos assim à conclusão que chegávamos tarde porque no dia anterior os meus filhos iam para a cama muito tarde. Não vou mentir e dizer-vos que esta foi uma solução milagrosa. Nada disso. Os atrasos reduziram bastante, consideravelmente. De vez em quando, vão acontecendo porque não somos seres perfeitos e porque com crianças (e adultos!) há sempre um caminho a percorrer. O que este exercício proporcionou é bem mais valioso: auto-avaliação, capacidade de análise e pensamento crítico. Ferramentas fundamentais para nós e para eles.

E o melhor disto tudo? Põe pais e filhos a falarem, a criarem ligações e a fazerem as perguntas fundamentais, sem cruzar os braços perante um problema.

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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