Menos Plástico, Mais Ambiente!

Um mundo de plástico

É assoberbante a quantidade de notícias, eventos e abordagens diferentes que encontramos sobre este assunto. Por esta altura, todos sabemos ou, pelo menos, todos temos acesso a essa informação de que caminhamos para um oceano cada vez mais poluído e cada vez mais saturado de plástico.

Nem sempre conseguimos ter uma verdadeira percepção do impacto que temos no nosso dia-a-dia. Com pequenos hábitos e automatismos fomos convidando para a nossa prática diária o uso de plásticos que hoje quase nem questionamos. Uma das formas de verificar essa fraca percepção é começar por pegar num dos nossos hábitos mais comuns e questionar o que nos levou ao mesmo.

No meu caso, comecei a “estranhar” um hábito que eu tinha de comprar fruta embalada. Afinal de contas, quando é que isso começou? A minha mãe não costumava comprar fruta desta forma. Recordo-me que a minha avó inclusivamente trazia um daqueles carrinhos com saco. A fruta até ia lá dentro num saco de pano reutilizável. Sinais de outros tempos.

Hoje por uma questão de conveniência e sintoma de um tempo em que tudo anda a mil, já ninguém tem tempo para se lembrar desse saquinho de pano. Acabamos todos, inevitavelmente, por levar aquela embalagem que de uma maneira ou outra vai juntar-se ao número infindável de recipientes de plástico que nós consumimos aos milhares por dia. Embalagens essas que contribuem para uma poluição galopante do nosso planeta.

How Long Until it's Gone?

Alguns números de plástico

Cerca de 700 espécies marinhas estão em perigo de extinção devido à ameaça que o plástico lhes coloca de emaranhamento, poluição e ingestão. Todos os anos, 300 milhões de toneladas de materiais plásticos entram em circulação. Seja sob a forma de embalagens plásticas, utensílios, recipientes, sacos ou mesmo roupas. Para além disso, 85% do plástico mundial não é reciclado. Isso significa que é enviado para aterros sanitários. Mas não é onde fica.

Onde termina? No oceano. Um estudo recente descobriu que 80 por cento do lixo que acaba nos oceanos vem de fontes terrestres e quase 90 por cento disso é plástico. Isso perfaz um total de 8,8 milhões de toneladas de plástico que fazem o caminho da terra para a água todos os anos. Só a reciclagem pode não ser resposta suficiente. Em vez disso, devemos começar a rever os nossos hábitos de consumo… agora!

Daí que tenha decidido dedicar não um mas dois artigos a esta temática que é também um dos temas da eco-organização. Deixo assim, em jeito de lista de tarefas, algumas dicas que poderão ser úteis e que poderão com o nosso pouco fazer o muito. Assim espero.

Recolha de Plástico

Faz praia e apanha o lixo!

Se tiveres intenção de fazer praia, por poucos dias que seja, leva contigo um saquinho do lixo, umas luvas de látex e reserva pelo menos 10 minutos no fim para apanhar mais algum lixo para além do teu. Parece complicado e fora do comum mas não é, de todo. Muitas escolas têm enveredado por esta abordagem para ensinar a ecologia e o respeito pelo ambiente. E é algo que pode ser reproduzido em casa, no âmbito das nossas famílias, sem problemas.

Não é algo de que nos tenhamos que envergonhar, muito pelo contrário! Quem nos veja a “cometer” este acto altruísta quanto muito poderá ter duas a três atitudes. Poderá ignorar, perguntar o que estamos a fazer ou então, melhor ainda, participar!

Se a miudagem estiver connosco, sejam nossos filhos, sobrinhos ou filhos dos nossos amigos, estamos também a fazer o papel de educadores. A passar uma ideia simples mas tão essencial: o nosso planeta é a nossa responsabilidade e podemos fazer a diferença!

Lembra-te no entanto de tomar algumas precauções:

  • usa sempre luvas por uma questão de higiene – para as crianças convém colocar duas;
  • tem cuidado com o sol: aproveita os dias de menor calor para o fazer ou as horas solares “seguras”;
  • outras precauções já conhecidas: chapéu, creme solar e hidratação, sempre essenciais;
  • não te afastes muito: com toda a probabilidade numa mesma zona encontras lixo suficiente para começar a encher pouco a pouco o saco.

Colheres de Gelado

Reutiliza as colheres do gelado

Sabe tão bem esse geladinho durante uma tarde solarenga de verão, não sabe? Sobretudo aqueles bem artesanais, italianos com aqueles sabores maravilhosos.

Há pouco tempo dei por mim a olhar para aquelas colherinhas que nos dão sempre com os gelados de copo. E comecei a fazer cálculos: afinal de contas quantas colheres de plástico destas são deitadas fora todos os dias?

De facto, seis milhões de toneladas de plásticos não duráveis ​​são descartados todos os anos. “Não durável” significa que o plástico tem uma vida útil inferior a três anos. Outros exemplos de plásticos não duráveis ​​incluem embalagens plásticas, sacos de lixo, copos e muito mais.

E o que fazer? Mais uma vez, temos que criar hábitos. Neste caso, o hábito a criar passa por trazer colheres reutilizáveis na carteira. E sim, pode parecer um hábito algo esquisito e até difícil de seguir de tão infiltrados que está os nossos automatismos, mas é tudo uma questão de tentativa e erro. O truque está em haver um esforço comum. De cada vez que vou comer gelado com os meus filhos, não sou a única a lembrar-me. De facto, os meus filhos muitas vezes são os primeiros a lembrar-me da bolsinha que tenho na carteira com algumas colheres extra.

Mais uma vez, cuidados a ter:

  • certifica-te que essas colheres estejam sempre limpas e prontas a uso – lembra-te de as limpar mal chegues a casa;
  • se comerem cones, com toda a probabilidade não precisam de colheres;
  • não te esqueça de avisar a pessoa que está a servir de que não precisas de colher.

Loiça de Plástico

Não uses loiça de plástico não durável

Sei que quase todos nós usamos pratos e talheres de plástico para deitar fora nas festas da criançada, não é? E talvez numa festa com muitas pessoas. E que dá muito trabalho limpar pratos no final de uma festa. Acho que podemos todos concordar com essas verdades universais. Daqui que o que tenho a propor não seja fácil e seja bem passível de falhas.

Quanto às festas de miúdos:

Tem à parte aqueles pratos de plástico todos jeitoso do Ikea, já de propósito para esses eventos. Tal como acontece com os pratos de plástico costumeiros, vai recolhendo os pratos que forem sendo utilizados. Prepara a lava-loiça com água para os lavar rapidamente. Coloca a prima, a tia, a irmã ao barulho e pede ajuda de forma a tudo ser feito com coordenação e rapidez. Afinal de contas, estas festas duram só umas poucas horas. É um esforço que no final compensa, sobretudo para o meio ambiente mas também para os gastos finais da festa.

Quanto às festas de adultos:

O segredo está na coordenação das ajudas. Na aceitação dessas ajudas sem aquele controle tão típico de quem quer tudo feito à sua maneira (contra mim falo!). Nas festas deste tipo, sobretudo nesta altura de verão, o importante é a convivência, portanto concentre-se em delegar e coordenar mas deixe fazer. No final irá ter os pratos limpos e a cozinha mais ou menos limpa e organizada: pode não estar à sua maneira, mas terá tempo no dia a seguir para dar o seu jeitinho.

Soube-te a pouco não foi? Pois é! Não te preocupes, daqui a uns dias vamos voltar à carga com mais alguns conselhos!

Entretanto, toca a pôr em acção estas dicas e pensar noutras formas de mudar os nossos hábitos. E não te esqueças de passar a palavra!

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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