Regresso às Aulas de A a Z – Parte 2

De volta (outra vez)!

Segunda parte do glossário que comecei no artigo anterior! Espero que gostem! 🙂

J de JOGOS DE COMPUTADOR

Não é preciso muito para que uma criança perca o foco e se distraia. Numa altura em que estamos a voltar a habituar os nossos pequenos ao jogo que é a aprendizagem, passando pela leitura e a matemática, o computador é o príncipe das distracções, na sua armadura reluzente e cavalo branco para os salvar da seca que é estudar. Sim, é verdade que até para nós adultos o acto de pegar num livro e estudar pode ser menos convidativo do que ver videos como este. No entanto, os momentos de estudo são tão essenciais como os de lazer e há que lhes explicar isso: um pouco de cada coisa. Daí que seja necessário:

  • estabelecer um horário específico para televisão e consola (ao final de cada dia, depois dos deveres ou só ao fim-de-semana, fica ao vosso critério);
  • decidir uma duração a seguir religiosamente;
  • e, mais importante ainda, dar o exemplo.

 

L de LIVROS

Mais especificamente o acto de os encapar. Tão bom não é? Melhor ainda: quando os professores enviam livros a encapar para o dia seguinte e pedem coisas específicas como “capas não aderentes” e “etiquetas que só se compram na staples”. Uns amores. Para ser sincera, quando penso na quantidade de alunos que têm em média na sala de aula ao mesmo tempo, acabo por encapar o livrinho e não fazer muitas ondas. Parece-me uma troca mais do que justa. Então como fazer para que este pequeno entretém de tantos pais e mães seja um pouco mais fácil. Ficam aqui algumas sugestões:

  • tem já prontos em casa todos os acessórios que vais precisar: tesoura, papel autocolante, capas específicas para cadernos e livros, etiquetas, fita-cola e caneta;
  • cria uma zona no espaço de estudo para se deixar todos os cadernos/livros que trazem consigo da escola para encapar: fica mais fácil do que andar a ver em cada mochila;
  • arranja uma rotina e uma hora livre para a tarefa: para mim é ao final do dia.

M de MATERIAL

Já falei várias vezes sobre este tema no meu blog, portanto não me vou alargar muito. Tens alguns artigos interessantes a esse respeito aqui e aqui.

De todas as formas ficam aqui algumas dicas:

1. Recolhe todo o material 

Começa por correr os quatro cantos da casa à procura de material perdido. Sei que guardaste tudo num só sítio no ano passado, mas, porque não temos a atenção e a vigilância do Terminator, estarão um pouco por todo o lado porque tens filhos e eles gostam de espalhar coisas. Coloca tudo em cima de uma mesa grande.

2. Selecciona o que vai e o que fica (por categorias)

Selecciona o que vai ser utilizado e o que está pronto para a incineração. Faz estas 3 perguntas: escreves mal? estás partido? faltam-te peças? Se a resposta a qualquer uma destas perguntas for Sim, lixo.

3. Escolhe um local onde vai ficar tudo armazenado durante o ano lectivo

O sistema de gavetinhas é o melhor. Nos artigos que mostrei anteriormente são mostrados alguns exemplos. Dá prioridade a um sistema que possas usar tu e eles, com etiquetas a identificar cada coisa e fácil de manusear.

4. Faz a lista de compras tendo por base a lista de materiais da escola

Tem em consideração que deverá ficar sempre material em casa para eventuais substituições, portanto convém juntar mais uns pózinhos para que depois não andes às compras como uma barata tonta porque o teu filho perdeu a borracha, a caneta, o lápis e/ou a cola e precisa para o dia a seguir. O sistema de que falei neste artigo é bom para essas coisas e para miúdos já com alguma autonomia.

Depois é só marcar tudo com etiquetas e fazer uma reza para que dure tudo mais do que duas semanas pelo menos.

N de NÃO

Esta palavrinha tem o condão de pôr qualquer pai que se preze do avesso. Por vezes é fácil proferi-las, outras vezes passamos pelo inferno na terra só para as dizer. E nunca sabemos a medida certa e ficamos completamente perdidos no meio de mares nunca dantes navegados. Mais ainda se o nosso interlocutor de palmo e meio tem uma reacção tão intensa que nos sentimos impelidos a chamar um exorcista.

O que fazer então? Há que fazer um pacto com eles desde o início. Estabelecer o que é permitido e o que é proibido, pelo menos em dias de escola. Desde os jogos na consola e comer doces, aos convites para festas de pijama, ao deitar tarde. O truque está em manter essa postura. Uma vez dito o “Não”, não vaciles. Há diferentes tipos de “Não”. O Não Agressivo. O Não duvidoso. O Não indiferente. O Não que destrói, corrosivo. E finalmente o Não reconciliador, assertivo e que contrói personalidades e educa. O Não de quem não tem dúvidas e que sabe o que é preciso.

Qual é que achas que faz a diferença?

 

O de OPINIÃO

No meio de tanta coisa a acontecer, esquecemo-nos tantas vezes de lhes pedir a opinião. De os fazer participar. Escondemo-nos por detrás da capa parental porque fica mais fácil, porque há coisas que dão uma trabalheira desgraçada. Parar por um instante que seja a perguntar “E tu? O que é que tu pensas sobre isto?” acaba por ficar guardado numa gaveta.

E, atenção, não digo isto de cima de um pedestal, alto lá! Também faço isto, com certeza. Sou mãe, sou organizada, mas também sou humana. Por isso que muitas vezes isto fica esquecido na penumbra dos nossos afazeres. Sabes que mais? Vou mudar o anel de mão para me lembrar de perguntar estas coisas aos meus filhos mais logo. E fazer disto um hábito. Bora lá?

P de PLANO

Ui, o que esta palavra promete! Tanta coisa. Fazemos planos a torto e a direito. Pelo menos na nossa cabeça. E só para algumas coisas. Para outras dá muito trabalho, mas quem é que consegue pensar assim tanto para a frente?

Então olha faz o seguinte: para tudo, pega numa caneta e num bloco de notas. Se possível numa agenda. Senta-te durante uma meia-hora e estabelece um plano para este ano. Para ti e para eles. Coloca datas importantes, escrever o que queres fazer, o que é preciso fazer, as metas finais a cumprir. O que vais fazer nas férias intercalares? E no próximo fim-de-semana? E no Natal? Sei que custa um bocadinho, mas quanto mais previsões fizeres mais preparação terás para o que vier. Quer corra bem ou mal. O melhor é parares uma vez por semana e ires estabelecendo o que vai ser feito por dia, por semana e por mês.

R de REFEIÇÕES

Aí há uns tempos meti na minha cabeça (que às vezes consegue ser mais complicada e burocrática que uma repartição de finanças) que haveria de criar uma ementa semanal toda xpto desde o início das aulas com tudo o que há de bom e do melhor. Estás a ver o problema não estás? Quando comecei a fazer estas refeições, armada em carapau asmático de corrida, perdi imenso tempo à procura daquela gaja, a perfeição, e acabei por passar por cima de horários e coisas igualmente importantes.

Por esse motivo nunca sou completamente apologista de criar menus (depende muito de pessoa para pessoa, claro). Prefiro então sugerir que quando fizeres compras, tenhas em conta o número de refeições que terás que fazer (ou tu ou outra pessoa). Depois é uma questão de entrar na cozinha e preparar a refeição já com algumas sugestões predefinidas. Podes até ter um dia por semana em que faças uma comida específica. Mas não compliques: opta por refeições ligeiras, simples, rápidas de se fazer e acessíveis.

Outra sugestão: opta por ter um panelão de sopa sempre pronto em casa ou, melhor ainda, pequenas refeições pré-cozinhadas congeladas (caseiras!), tipo sopa ou massa de pizza. Assim fica mais fácil, ao final do dia, sobretudo quando não há vontade de cozinhar.

S de (AUTO-)SUFICIÊNCIA

Ou por outras palavras Autonomia. Já falei sobejamente no papel da Autonomia no ensino da organização, pelo menos neste artigo. Por esse motivo não vou adiantar muito mais. Por mais difícil que te possa parecer, deixa-os fazer sozinhos. Perfeito ou não, ficará feito e eles vão apreendendo a fazer, o que significa novas competências e novas aprendizagens, com os altos e baixos necessários.

É mesmo muito importante: estamos a falar de construir a auto-estima deles e a contribuir para um futuro adulto responsável, consciente e equilibrado. Fantástico, não é?

T de TPC

Não há forma de o evitar: novo ano lectivo significa, mais uma vez, voltar a rotina habitual dos TPCs. O que divide os pais em duas categorias: há os que apoiam a 100% os deveres; há os que não estão de acordo e acham que a criança, chegando a casa, deveria descansar.

Entendo os argumentos de parte a parte. Entendo que, como pais, o TPC possa ser uma forma de se inteirarem do que se passa em termos de aprendizagem. Faz com que os pais sintam que estão a participar activamente no projecto educativo que é a escola. Por outro lado, há um momento para cada coisa e compreendo que se queira que o dia-a-dia da criança possa ser enriquecido por todos esses momentos. Por isso entende-se que a escola seja espaço de estudo e a nossa casa seja o refúgio, o covil emocional deles, o espaço do jogo e da descoberta do afecto entre irmãos, entre pais e filhos. Se as crianças vierem carregadas de TPCs irá haver inevitavelmente uma invasão desse refúgio.

Mas independentemente da nossa opinião, há um compromisso a respeitar, há uma relação entre aluno e professor em curso. Se escolhemos uma escola, temos de estar prontos a aceitar as suas regras.

Para fazer frente a mais um ano de TPCs, ficam aqui alguns conselhos:

  • cria um espaço de estudo equilibrado, longe de distracções e bem iluminado;
  • tem sempre à mão o que é preciso para a hora de estudo: canetas, lápis, borracha, etc;
  • deixa sempre pronto um snack rápido para eles comerem num momento de pausa;
  • apoia-te num horário e numa duração adequada: por exemplo, 1 hora, entre as 17:00 e as 18:00;
  • vai ritmando os tempos de cada exercício/tarefa- usa um cronómetro se for preciso;
  • tenta reagir sempre com calma, constância e paciência;
  • marca sítios específicos para cada coisa – usa fita-cola colorida se for preciso.

U de UNIÃO (FAZ A FORÇA)

Um esforço conjunto é sempre melhor do que cada um a remar por si só. Vocês são uma família e uma equipa. E não há nada que não se faça quando se têm os mesmos objectivos e a mesma vontade de fazer.

V de VISUAL

Já viste as paredes das salas de aula? Estão sempre carregadas de informação, desenhos, projectos e tabelas de apoio. Num instante ficas a saber o que já se fez há uns meses e os projectos que estão em curso. O mesmo paradigma está a ser utilizado pelas fábricas por este Portugal fora, pouco a pouco. Basta entrar na Bosch ou na Shmidt para perceber isso.

Essas fábricas têm uma coisa engraçada chamada Obeya Space. É um espaço que resume todas as informações necessárias para se fazer o ponto da situação, por dia, por semana e por mês, sendo muito utilizado por reuniões e pausas de reflexão.

O meu desafio? Cria uma zona semelhante no espaço de estudo dos teus filhos. Uma zona em que possas ter o que precisa de ser assinado, as actividades que estão a ocorrer neste momento, os horários deles, eventuais viagens de estudo e outros projectos.

X de X (MARCA O LOCAL)

Depois da união, o traçar de objectivos é o passo a seguir. Tem sempre em vista os objectivos do dia, da semana e do mês. Partilhem esses objectivos e façam-nos vossos. Quer seja “ver menos televisão”, “apreender a jogar xadrez”, “ir correr aos Sábados com o meu mais novo” ou “ajudar o meu filho a ultrapassar as dificuldades a matemática” ou ainda muitos mais, falem sobre eles, discutam-nos e façam deles o vosso X no mapa dos vossos sonhos enquanto família-projecto.

Z de ZONA DE ESTUDO

Deixo o melhor para o fim, não é?

Em vez de me pôr aqui com muitas descrições, coloco aqui algumas fotos como exemplo do espaço que criei para os meus 3 pequenos com (já??) 13, 11 e 9 anos feitos. O tempo passa.

Este espaço era o nosso escritório mas com as exigências que a hora dos TPCs pedia, decidimos transformá-lo num espaço de estudo, com zonas de descanso, arquivo e criação artística.

 

Um sítio para entrada de documentos para assinar e livros para encapar…

 

Folhas de rascunho são sempre úteis!

 

Um quadro que serve para deixar algumas mensagens: aqui se vê uma da minha mais velha! 😉

 

Convem manter todos os acessórios para encapar no mesmo sítio!

 

Um bom conjunto de gavetinhas para mantero material escolar organizado!

 

Mais alguns materiais de apoio!

 

A importância do visual management!

 

Um espaço tipo cacifo para cada criança pousar os livros e cadernos!

 

Sistema Kanban, muito útil para crianças um pouco mais velhas e autonomas!

 

Ficheiros para os documentos da escola e actividades que precisma de ser guardados…

 

Uma zona de descanso…. e leitura! 🙂

 

Cubículos de estantes são perfeitas para capas e cestos são óptimos para portfolios e outras capas!

 

Cadernos e livros de outros anos juntamente com as avaliações: sempre prático e útil!

 

Finalmente, havendo espaço, uma zona de criação artística com tudo o que isso implica! 🙂

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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