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Garagem Organizada em 10 Passos!

Garagem: santuário de tralhas várias

Todas as santíssimas vezes que entramos com o carro na nossa garagem é a mesma coisa: começamos pouco a pouco a olhar em nosso redor, fazemos uma pequena reza para que nada nos caia em cima e ficamos com a leve impressão de fazer parte de um daqueles filmes de série B que envolve cenas de terror numa garagem. Com aquela música.

E porque é que isso acontece? Não é preciso ser propriamente um rocket scientist para se perceber que a nossa garagem, sendo normalmente um dos lugares menos visistados da casa e dos menos agradáveis, acaba por ser menosprezado e ser relegado para segundo plano no âmbito das funções, ocupando o lugar de mero depósito permanente do que supostamente já não usamos mas está ali porque até podemos vir a usar.

Este espaço muito particular tem também outras funções muito curiosas:

  • é o habitáculo dos nossos tempos de faculdade, dos anos de imberbe inocência ou simplesmente daqueles longínquos e inacreditáveis anos em que o nosso dia-a-dia não era ainda monopolizado por seres de palmo e meio;
  • é antro das nossas versões futuras, espelhadas em pelo menos 3 projectos que se dizem “em standby” mas que estão na verdade completamente abandonados;
  • é ainda covil dos nossos vários planos B, aqueles que nós decretamos como essenciais porque “nunca se sabe”.

Garagem Organizada em 10 Passos

Mas sabes que mais? Hoje vamos falar um bocadinho sobre como podemos mudar essa situação.

Aposto que já olhaste tantas, mas tantas vezes para esta divisão que assimilaste parte da confusão visual e agora já nem sabes o que fazer, nem quando, nem como. A isso se chama assoberbamento ou overwhelming e é muito comum quando sabes que tens uma grande tarefa pela frente. E começas a duvidar das tuas capacidades para a resolver. Ficas desorientada e acabas por fechar a porta da garagem e ao mesmo tempo a um universo paralelo em que tens uma garagem organizada, limpa e funcional.

No entanto, agora tens algo a mais: um artigo que te vai dar algumas linhas-guias essenciais para conseguires finalmente ultrapassar essa grande onda de frsutração e obteres a garagem dos teus sonhos.

E vamos fazer isso em 10 pequenos passos:

1. Retira tudo das estantes e separa por categorias

É um dos princípios básicos da organização: temos sempre de começar por visualizar o que temos na realidade. Se isto é verdadeiro para o teu roupeiro não o é menos para a tua garagem.

Esvazia as estantes e outros contentores e coloca tudo num espaço mais ou menos amplo que te permita movimentar esses bens com algum à vontade. Separa por categorias para saberes concretamente a quantidade que tens para cada uma delas.

Isto permite ter uma bird’s eye view das coisas o que facilita uma tomada de consciência e, por conseguinte, uma tomada de decisão.

2. Destralha tudo o que não queres guardar

Respira fundo. Sei que não é fácil veres todos os bens que tinhas guardado na garagem à tua frente. No entanto, aposto que à medida que os foste retirando do seu sítio original olhaste para alguns deles com alguma incredulidade e com a típica expressão “Mas isto ainda por aqui anda?” ou “Ui, mas há quantos anos tenho isto?”.

Aproveita este momento de alguma estranheza para destralhares tudo aquilo que realmente, racionalmente e funcionalmente já não te faz falta.

Nesse processo estas perguntas poderosas poderão ajudar:

Por que motivo específico estou a guardar-te? É um motivo válido?

Existe alguma data em particular em que me veja a usar-te?

Tenho espaço para te manter? 

Estarei a roubar espaço vital para o que verdadeiramente preciso?

Se estás aqui guardado há tanto tempo, será que ainda preciso de ti?

3. Guarda tudo em caixas de plástico por causa da humidade

O ambiente das garagens é, de um modo geral, bastante hostil. É onde se acumula mais humidade, mais sujidade e pó. Junta a isso o facto de ser usada para entrares com o carro e, por conseguinte, para entrares com o fumo e os cheiros típicos de um carro (se não for eléctrico) para teres o quadro completo.

Tudo o que irás guardar na garagem tem de passar por esse teste de resistência. Isto porque existem efectivamente coisas que fazem todo o sentido guardar na tua garagem e que, se não for tomado um cuidado adicional, poderão deteriorar-se e ficas a perder valor e dinheiro (que não são exactamente a mesma coisa).

O que fazer então? O conselho mais útil que te posso é o de usares suportes adequados, como caixas de plástico com fecho estanque ou quase estanque. Isso vai permitir salvaguardar todos aqueles bens que queres armazenar e que podem sofrer mazelas com o tempo. Podes também utilizar saquinhos de silicone para controlares a humidade nessas caixas.

Tenta também que nada toque directamente o chão. Se usares estantes com pés poderás conseguir implementar esta solução. Trabalha com o que tens, mas se for preciso compra os acessórios que necessitas, sobretudo se estiver em causa guardar algo de valioso como os bens de uma herança.

4. Coloca as coisas que mais precisas ao teu alcance

Claro que há sempre coisas que vais utilizar mais do que outras. Por isso vê se faz sentido para ti: mantém tudo o que usas mais ao teu alcance e de uma forma que faças menos esforço. É a mesma lógica do supermercado que te coloca a altura dos olhos tudo o que quer que tu compres. Vamos aplicar essa lógica às coisas que mais te interessam.

No fundo, é o ovo de Colombo da organização, mas talvez o aspecto mais importante é este passo obrigar-te a puxar pela cabeça e reveres os teus hábitos. E , no meu entender, tudo o que faça reflectir sobre hábitos e rotinas é um ganho imenso.

5. Coloca as coisas mais leves em cima e as mais pesadas em baixo

É uma dica bastente intuitiva e que serve a poupar esforços desnecessários, com um ponto de vista  Vê, no entanto, se são coisas muito pesadas ou demasiado leves. Poderás ter que configurar de outra forma, sobretudo se queremos evitar daqueles acidentes rocambolescos que têm tendência para aparecer em compilações manhosas do youtube.

Um dos segredos está no tamanho da caixa: caixas pequenas para coisas mais pesadas e caixas grandes para coisa mais leves.

E de repente fica tudo muito mais fácil e acessível.

6. Utiliza espaço vertical

A maior parte das garagens até nem tem muito espaço na horizontal, mas costuma tê-lo mais na vertical. Insiste em utilizar esse espaço por vezes tão menosprezado, mas que afinal de contas até te faz ganhar algum espaço. Mais nem seja para te movimentares sem embateres nas coisas continuamente.

Existe uma miríade de acessórios para esse efeito. Dão para pendurar a bicicleta, as ferramentas de jardinagem, entre outros. Testa-os bem e confirma o peso que cada um desses acessórios aguenta.

Não caias também em exagero: quando se diz de aproveitar o espaço vertical, devemos ter sempre em conta que esse aproveitamento possa ser prático e acessível. Colocares seja o que for na vertical sem teres nenhuma hipótese de aceder não é boa política, por exemplo.

7. Guarda items perigosos em lugar seguro

Este passo é por sobejamente evidente. No entanto, nunca é demais relembrar: todos (ou quase todos) temos nas nossa garagens materiais que nem sempre são muito seguros. Podem até ser utilizados para o carro (é o mais comum) ou situações ainda mais corriqueiras.

Não interessa. Não deves facilitar.

Faz uma revisão do que precisas de ter e o que não queres acondiciona e recicla de forma correcta. O que fica tem de ficar seguro, guardado de preferência em local mais arejado e fora do alcance das crianças. É o ABC da segurança. Se precisares opta também por utilizares alguns acessórios neste processo: sacos herméticos, caixas fechadas com ventilação ou um armário com cadeado.

8. Cria zonas na tua garagem

Qualquer espaço da tua casa deve estar separado por zonas para ser ainda mais funcional. Assim optimizas o espaço e retiras maior proveito dele. A tua garagem não é excepção. Aposto que arranjas pelo menos 4 categorias ou zonas para definir essas funcionalidades:

  • lugar das bicicletas;
  • produtos e acessórios para o carro;
  • jardinagem;
  • arquivo documental.

Isso, já estás no caminho certo, Agora só falta pensar o que cabe ou deve entrar em cada zona, sem exageros, sem corromper a função inicial. Pensa na figura do porteiro da discoteca: só entra quem ele deixar e o que vai acrescentar valor à discoteca, isto é, a zona definida.

9. Cria espaços de trabalho

Porque não criar um espaço de trabalho na tua garagem? Se houver espaço, a luminosidade suficiente e vontade de fazer coisas novas (talvez até envolvendo a miudagem), faz todo o sentido haver um espaço em que se possa dar azo a essas actividades. Pode ser uma bancada de carpinteiro ou um pequeno atelier para fazer cerveja (conheço uma pessoa lá em casa que até gostaria de fazer isso… talvez num futuro não muito longínquo?).

No entanto, antes de dares um passo em falso, planeia, planeia, planeia. Vê quanto é que podes/deves gastar, seja em acessórios, seja em estruturas mais fixas ou sólidas. Considera também situações em que tenhas de remover tudo de novo, numa mudança de casa por exemplo. Finalmente, não te esqueças nunca de medir para ver se cabe lá tudo com espaço sobejo e acessível.

Também convém que tenhas tratado da garagem na totalidade antes de avançares com este plano.

10. Faz revisões de 6 em 6 meses

Finalmente, cereja no bolo, não te esqueças de dar a voltinha da praxe pelo menos duas vezes por ano, de 6 em 6 meses. Vais ver que à segunda vez já é tudo mais fácil e intuitivo, sobretudo porque a tua capacidade de tomada de decisão está menos enferrujada.

E olha, já reparaste? Tens finalmente uma garagem organizada, limpa e funcional!

Não é bom?

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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