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O que precisas para ter uma boa resolução de ano novo?

Abriu a caça à resolução

Estamos na altura delas não é? As famosas resoluções. Aquelas que tudo prometem, tudo mudam e que trazem em si uma valentíssima lufada de ar fresco de que estávamos mesmo precisados. Porque aparentemente somos todos invencíveis mas sobretudo depois de amanhã. Agora não dá jeito nenhum.

Há-as de todos os feitios e cores. Quem opta por ter uma vida mais saudável, quem se promete novas competências, quem vai finalmente investir mais na família. Todas recheadas de muitas e boas intenções. A força de vontade vai-se arranjando, mas vemos no acto de escolha da nossa resolução um acto meritório em si mesmo. Afinal está meio caminho feito, certo? Que bom que fizemos esta escolha, não foi? Já merecemos um copo.

É preciso dizer o que acontece após a primeira semana do “ano novo”? As estatísticas falam por si. Qual é o prazo das resoluções (dados de 2017 nos EUA)?

  • 73% das resoluções de ano novo são abandonadas após a primeira semana;
  • 69% das resoluções de ano novo conseguem durar duas semanas;
  • 59% das resoluções de ano novo são mantidas durante um mês;
  • 45% das resoluções de ano novo duram 6 meses.

Calcula-se que apenas cerca de 8% das pessoas consigam atingir os objectivos que delinearam para esse ano. Mesmo assim, a possibilidade de atingir os objectivos aumenta consideravelmente se os mesmos forem explicitados e se for feito um plano.

Uma questão de moda?

Partimos, assim, do princípio que o problema não está no propósito em si. Não deve ser posta em causa a pulsão que nos leva a querer fixar uma resolução de ano novo. O impulso em si é bom e o pretexto serve. É também verdade que metemos na cabeça que só no ano novo se podem tomar essas decisões e que mais nenhuma altura do ano serve. Porque não estamos fresquinhos, porque é má altura, porque ninguém está a fazer.

Lembra-te que o ser humano é um ser social e por isso vive de modas. O que se for bem aproveitadinho até pode trazer algum proveito. Pois bem, aceitemos a entropia e abracemos esta época de decisões que é o fim de mais um ano.

“Então”, dizem vocês meus leitores aí desse lado da fibra, “porque é que exactamente não funcionam as resoluções?”

É isso que vamos então explorar. E, no fim, ainda levam como tpc algumas técnicas que vos poderão ajudar a ultrapassar a “sina-das-resoluções-de-ano-novo”.

Resoluções em baixa-definição

Segundo um artigo da statisticbrain.com, nos EUA estas foram as resoluções mais escolhidas para 2017:

Já reparaste no que estas resoluções têm em comum? Pois é. Todas se referem de forma vaga a um grandessíssimo objectivo a cumprir no prazo de um ano.

Na verdade, a estes objectivos falta algo mais definido. Falta-lhes uma espécie de roadmap. Reparem, nada há de mal em querer encontrar o “amor-da-sua-vida” em 2018. Mas como é que ele (ou ela) vai lá chegar? O que vai fazer? Em quantos meses? Critérios? Como sabe que é o amor da sua vida? Quanto mede? Gosta de chocolate e cerveja?

Tudo perguntas importantes e que não estão contempladas nesta resolução.

Resoluções demasiado ambiciosas

Outra resolução: Poupar 5000 euros ao final do ano. Mais uma que está destinada a fracassar. E porquê? Estamos a começar pelo fim. Onde está o início da coisa? As pequenas decisões? Os pequenos passos? É para começar amanhã a tomar decisões fantásticas que nos poupem logo 500 euros só na primeira semana?

Há que parar e fazer as perguntas necessárias:

“Será que consigo cumprir este objectivo? Quando?”

“Poderei começar com menos?”

“Onde é que este meu objectivo me leva?”

“Tenho recursos suficientes para concretizar este objectivo?”

Na melhoria contínua, não há grandes objectivos. Não há uma mudança radical. Há várias  pequeníssimas mudanças planeadas no tempo, realistas e concretizáveis que nos levam à cereja em cima do bolo. A longo prazo. E a lume brando. Mas com coerência e persistência.

Lembra-te que as 12 badaladas não têm o condão de nos transformar em pessoas novas, cheias de energia, com personalidades diferentes e prontas a mudar este mundo e o outro. Nós continuamos os mesmos. Os nossos objectivos, para serem realistas, têm de espelhar o que somos e acompanhar a mudança que vai ocorrer dentro e fora de nós. Sempre a longo prazo.

Por estas razões convém que os objectivos que delineares para 2018 tenham um determinado formato e sigam uma determinada ordem. E é sobre isso que vamos falar a seguir ao intervalo. Do título, claro, que ainda não me pagam para pôr publicidade nesta coisa.

Objectivos Inteligentes ou SMART

Estes objectivos são o MacGyver de todos os objectivos. São o canivete-suíço das resoluções. Já nem precisas de sair de casa com mais nada.

É tão simples como isto: dar definição e critérios aos teus objectivos. É é uma sigla tão gira! Ora espreita:

S – (E)specíficos

M – Mensuráveis

A – Alcançáveis

R – Realistas/Relevantes

T – Temporizáveis

Concretamente o que são? São objectivos que devem ser bem específicos, que te permitam ter resultados que possas medir com facilidade como leme do teu sucesso, que possas alcançar com alguma facilidade e, por isso, realistas ou relevantes para ti, que se coadunem com a tua personalidade e, finalmente, temporizáveis, ou seja passíveis de ter um prazo para serem cumpridos, prazo esse quer determinará o sucesso ou fracasso da empreitada.

Simples, não achas?

Custa um bocado ao início puxar pela cabeça para conseguir encaixar isto tudo num objectivo, mas logo que começares vai ser a tua segunda pele. Ou um super-poder. Gosto mais de super-poderes. Eu quero voar e ter uma capa por exemplo. Claro que a Edna dos “Incredibles” não concordaria comigo, mas há um charme especial nas capas dos super-heróis. E é sempre preferível àquela cueca que eles colocam por cima das leggins. Nunca consegui perceber essa da cueca.

Bem, passemos ao exemplo, shall we?

Objectivo SMART: Chegar de manhã à escola até 15 minutos antes das 8:30 até ao final do ano lectivo

Como podes verificar aqui temos tudo o que foi mencionado:

Específico: Chegar à escola

Mensurável: até 15 minutos antes das 8:30

Alcançável: já foi atingido no passado mas precisa de ser mantido

Realista/Relevante: 15 (e não 30) minutos antes das 8:30 (o ideal seria 30 minutos antes das 8:30)

Temporizável: até ao final do ano lectivo

Vês como é fácil? “Mas isto parece ser fácil demais para ser uma resolução de ano novo, não tem que durar o ano todo?” Perguntas tu e muito bem.

Há uma distinção entre objectivos gerais, específicos e metas. E tens ainda as actividades ou tarefas para lá chegares. É uma questão de se colocar tudo nos lugares apropriados.

Benjamin Franklin dizia e muito bem: “A place for everything, everything in its place”. Ao menos que o quoteinvestigator.com me venha dizer que afinal não foi ele que o disse.

O mesmo podemos aplicar aos objectivos, às resoluções e às tarefas. Há bocado fiz uma crítica às resoluções escolhidas porque lhe faltava definição. Na verdade, não há mal nenhum em estabelecer uma resolução mais geral ou, por outras palavras, uma meta delineada para 2018. Os nossos problemas começam por só nos cingirmos a esta meta sem escrever mais nada, sem planear em concreto quais os passos para lá chegar. Que, neste caso, vão ser os nossos objectivos e também as nossas actividades. Espreita o exemplo:

Estes objectivos podem ser postos em prática através das seguintes actividades:

Para o objectivo 2: Fazer exercício de forma regular

  1. Inscrever-me no ginásio a partir de Janeiro;
  2. Fazer uma avaliação física total no ginásio com personal trainer;
  3. Estabelecer um plano de treino regular a ser revisto após o primeiro mês;
  4. Criar um espaço na agenda apara treinar (hora de almoço, por exemplo);
  5. Levar lancheira com pequenas refeições para antes e depois de treinar;
  6. Beber 2 litros de água por dia;
  7. Deixar mala de ginástica preparada no dia anterior.
  8. Etc Etc

Agora imagina o potencial que esta lista tem numa agenda e num calendário!

Roda da Vida

Sem querer perder aqui muito tempo, queria só deixar-te aqui uns pózinhos do que tenho andado a apreender na minha pós-graduação e que, vê lá tu, cai aqui como uma luva.

Estas alturas de final de mais um ciclo são um bom pretexto para mudar de perspectiva e optar pela “visão de helicóptero” da nossa vida de modo a trazer de volta o equilíbrio perdido. E é aqui que entra a Roda da Vida. Permite dividir a nossa vida por áreas e reflectir sobre cada uma dessas áreas e sobre a sua importância para nós.

Embora seja uma ferramenta muito simples e simplista é, simultaneamente, muito visual e muito útil. Quando a pessoa toma consciência acerca do que tem realmente valor e pelo qual está disposto a fazer um esforço a longo prazo, há um rumo que se vai traçando à sua frente e se vai evidenciando a cada passo.

Para realizar ou utilizar uma Roda da Vida basta seguires estes simples passos:

1- Dividir um círculo em partes iguais (entre 5 a 10 partes)

Esta divisão deve ser feita consoante o número de áreas que consideramos importantes e determinantes para a nossa vida. É fundamental escolher não menos de 5 áreas, dada a necessidade de ter o mínimo essencial para se poder definir aquilo que constitui o equilíbrio na nossa vida.

2- Dividir cada área de preenchimento por percentagens (de 10% em 10%) 

Não é obrigatório mas este passo poderá facilitar o seu preenchimento conseguinte. Em vez de percentagens também podemos ter outro sistema (1 a 10 por exemplo). O importante é perceber que enquanto 5%~10% faz transparecer um grau de insatisfação muito grande, 80%~100% já veicula um grau de satisfação grande.

3- Preencher cada área do círculo

Deve considerar-se o estado actual, com honestidade e frontalidade (o preenchimento total de cada “fatia” corresponderá a 100% de satisfação relativa a essa área). Esta fase deve ser feita com calma e reflexão, tomando nota do que se considera mais importante e ao mesmo tempo definindo o que é para nós a satisfação, tendo em conta que esse conceito muda de pessoa para pessoa.

4- Preencher o mesmo círculo de acordo com o que queremos obter num estado futuro.

Aqui já terá que se fazer outro tipo de reflexão: a que nos permite perceber o que precisamos para nos sentirmos satisfeitos. Entra-se num período de introspecção que permitirá a cada um traçar o melhor caminho para passar do estado em que se encontra para aquele que pretende atingir no futuro, considerando o que vai ter de mudar na sua vida para que isso se concretize.

O que terá de se alterar a nível interno pode ser a forma como cada um se vê, como vê os outros, como se conhece, a capacidade de compreender o que sente, como age e reage nas situações que poderão ter consequências importantes, como faz as suas escolhas, etc. O objectivo último da roda da vida será, precisamente, cada um conseguir transformar-se na pessoa que almeja ser, Santo Graal universal do nosso bem-estar, tão necessário a uma vida plena.

Acabei mesmo em beleza, não foi? (Ando tão peneirenta…)

Espero que dês bom uso a mais esta ferramenta e que tenhas um excelente e promissor 2018! Toca a trabalhar para isso acontecer!

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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