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Um Método infalível para atingires os teus Objectivos! (Parte 1)

Tentativa e erro

Primeiro de tudo, prepara-te que hoje vou pôr-te a pensar. De vez em quando faço isso. Quando estou nesta fase os meus filhos dizem que os meus discursos são piores do que aqueles monólogos dos vilões que nunca se calam. O que me faz pensar que tenho que arranjar um super-poder ou um nome de arte para o efeito. Enfim, coisas importantes.

Pois bem, hoje lembrei-me de vos trazer um tema que foi tratado no âmbito da pós-graduação que estou a seguir desde Fevereiro do ano passado em Lean Management, através da CLT Services em Gaia. Venho falar-vos de uma metodologia criada no Japão e que veio trazer muitas mais valias a quem o utiliza, sobretudo na procura do Santo Graal que é o cumprimento dos nossos objectivos a curto, médio e longo prazo.

Isto porque vamos experimentando vários métodos, várias formas de se chegar lá e por vezes demora-se a encontrar a solução ideal, aquela que nos leva ao topo. Daí o título: tentativa e erro. É através desse processo tão científico e tão empolgante que chegamos às soluções. Pelo caminho ganha-se em coragem, perseverança e espírito de descoberta, com uma boa dose de saída da nossa zoninha de conforto, o sítio onde nada cresce e nada se transforma (desculpa lá, ó Lavoisier!).

Deixo-vos então com alguns excertos de um trabalho que realizei a esse respeito no módulo de Lean Coaching.

O Método Harada: como tudo começou

Considerado um dos métodos mais eficazes na procura do aperfeiçoamento pessoal, o Método Harada é utilizado quando queremos resultados quantificáveis para um determinado objectivo que permita fazer a ligação entre esse objectivo e todos os aspectos da nossa vida contemplados na Roda da Vida (falei sobre isto em Dezembro, lembram-se?). Dessa forma há uma coesão que permite a concretização do objectivo sem obstáculos seja no âmbito pessoal como profissional.

O Método Harada foi desenvolvido pelo Sr Takashi Harada, nos anos 90 enquanto Professor de Educação Física, numa escola secundária dos subúrbios de Osaka (Japão), uma das escolas com o ranking mais baixo, numa região degradada, com sérios problemas sociais e económicos.

Depois de trabalhar em conjunto com os seus alunos durante o dia e durante a semana, o professor de educação física verificava que os alunos voltavam de casa desmotivados o que depois se manifestava nas notas e nos resultados escolares. Foi nesse momento que entendeu que deveria aplicar uma metodologia que teria que ter em conta estas flutuações entre escola e casa e manter os dois âmbitos ligados.

Os resultados da implementação do seu método tiveram tal impacto que a escola passou do ranking mais baixo a ser uma das 380 escolas mais cotadas no Japão. Em 1980, Harada abriu uma empresa de consultoria em Tokyo e já treinou cerca de 60.000 pessoas e perto de 300 empresas.

Hoje, o Método Harada é utilizado como método para a gestão diária (auto-suficiência). Tem por base o foco do pensamento lean: o desenvolvimento de pessoas extraordinárias ou, em japonês, Hitozukuri. Só através do foco essencial nas pessoas se conseguem melhorar os melhores processos, os Monozukuri.

Este princípio é seguido pelo Toyota Production System, agora Thinking People System, justamente por se querer concentrar nas pessoas e só depois nos processos.

5 fases principais do Método Harada

O Método Harada tem cinco fases principais:

1. Definir o objectivo

O objectivo escolhido pode ter sido discernido a partir da análise do preenchimento da Roda da Vida. Esse objectivo deve ser algo que se queira mesmo atingir. Não pode ser um devaneio passageiro nem o resultado de uma pulsão, mas fruto de um compromisso intrínseco em mudar.

2. Identificar um propósito

Sem propósito, não há verdadeiro objectivo, mas apenas uma fachada. Devemos perguntar-nos o porquê de querermos escolher determinado objectivo, onde nos leva, de onde vem. Ao mesmo tempo, questionamos se se coaduna com o nosso sistema de valores. De nada serve um objectivo que não faça parte de nós, que nos seja externo. Um objectivo tem de ser sentido, deve ser a nossa segunda pele, um reflexo de nós.

3. Realizar uma auto-análise

O que nos leva a pensar que conseguiremos chegar ao nosso objectivo? Que competências e potenciais estão em jogo? Vamos analisar o nosso passado: o que conseguimos fazer? Quais foram os nossos sucessos passados? O que sentimos, como conseguimos lá chegar, que recursos foram usados?

Ao mesmo tempo e por muito que nos custe vamos também fazer uma curva à esquerda, entrando na avenida dos nossos fracassos passados, olhando de um lado ao outro, inspeccionando. O erro é uma oportunidade e é nesta análise, justamente, que vamos colher essa oportunidade, a de reflectir, ponderar o que correu mal, porque correu mal e o que nos faltou na altura.

Esta auto-análise é tão ou mais importante que a escolha do objectivo. Dá-lhe estrutura, alicerces, esqueleto. Sem esta avançamos como “Alice no Pais das Maravilhas” mas sem percurso, sem gato invisível que nos oriente, sem luz no caminho.

4. Elaborar um plano de acção

Temos o objectivo, temos o propósito e já percebemos que apetrechos interiores temos que ter para entrar nesta grande aventura que é a melhoria contínua da pessoa. Agora só nos falta o plano. Arregaçamos as mangas e identificamos tarefas, acções cruciais, momentos críticos. É nesta fase que se vê a concretização do nosso objectivo e o nosso propósito a ganhar forma.

5. Implementar o plano de acção

Discernido um plano e um caminho, há que se propor rotinas. Calendarizar para que as tarefas que foram pensadas anteriormente tenham um efeito imediato. É aqui que finalmente tudo se torna visual, concreto e real. Há uma data, há um calendário e um esforço factual. O compromisso torna-se visível.

É importante nesta fase que as rotinas que se estabeleçam façam sentido e sejam realistas. Não há nada pior do que agendar rotinas e hábitos demasiado sobrecarregados e que não tenham o potencial de poderem algum dia ser concretizados.

Cenas dos próximos capítulos

Por hoje não te vou “maçar” mais, tens aqui pano para mangas e muito suminho para te pôr a pensar e para te ajudar a repensar estratégias.

Mas não penses que ficamos por aqui: no dia 22 volto com a segunda parte deste artigo! Vamos falar em 20 passos essenciais que nos vão permitir utilizar este método com grande eficácia!

Até lá, boas organizações e saudações Lean!

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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