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Organiza as tuas compras em pouco tempo… e espaço!

O ciclo das compras

Há coisas inevitáveis: O preenchimento do IRS. O primeiro responso menos educado da filha pré-adolescente. O tampo da sanita para cima. A aquisição não planeada de um acessório para a cozinha que é “absolutamente indispensável e que nos vai poupar uma horas valentes, vais ver”. O aparecimento dos primeiros cabelos brancos daí resultante.

E as compras.

É daquelas coisas não é? Um bocadinho em jeito de caçador recolector lá temos nós todos de nos arrastarmos fatidicamente para o supermercado de nossa eleição para as tão famigeradas compras que nos retiram tempo, energia e uns cobres valentes da carteira. Que seca, não é?

Sim, porque até podemos gostar, mais ou menos vá lá, uns mais do que outros, de fazer umas comprinhas para nós mesmos, de coisas relativamente agradáveis. Eu, pessoalmente, desenvolvi um desprezo especial pelas compras desde a invenção dos corredores dos centros comerciais atolados de gente.

Quando se trata de fazer compras semanais para a nossa casa, aquelas que precisamos de fazer para alimentar os nossos filhos (cujo apetite nos dá a ligeira sensação de estar a alimentar um exército) ou para manter a nossa casa e os nossos corpos limpinhos, não vamos propriamente a cantarolar como se estivéssemos dentro do enredo do filme Mary Poppins.

São compras necessárias e repetitivas e daí que, por vezes, na pressa de as fazer (porque preferíamos estar a fazer qualquer outra coisa) acabamos por cometer alguns erros cruciais. Como levar 3 pacotes de papel higiénico quando em nossa casa estão outros 3 (true story).

Lanço-vos então este repto (ou réptil, o que torna as coisas mais interessantes): como fazer compras mais organizadas poupando tempo e dinheiro?

Prepara o cafézinho e anda ver a resposta já a seguir.

Olha a lista!

Achavas mesmo que ia falar de compras sem falar de listas? A sério? Se já me lês há algum tempo, sabes que é daquelas coisas que eu nunca deixo de fora.

Pois é, listas. Há quem goste delas, há quem as odeie. Sim, é verdade: é trabalho acrescido e nem toda a gente se adapta completamente ao mindset necessário que a realização de uma lista exige.

Começa com pouco, ok? Folha de papel, lápis e paciência. Tens tudo? Ok, então agora vais dar uma boa vista de olhos pela casa, começando pela cozinha e pelo que se come. Passa em revista as categorias necessárias: mercearias, frescos, congelados, bebidas, etc. Mais tarde, quando tiveres um pouco mais de paciência poderás fazer uma versão 2.0. Uma lista toda catita dividida por categorias ou, se fores sempre ao mesmo supermercado, dividida por corredores (dá um pouco mais trabalho).

“Ah e tal mas eu saio sempre de casa com a lista na minha cabeça, sei exactamente do que preciso!”

Hmm, tens a certeza? O problema dessas memorizações é que, com toda a probabilidade, irão falhar. Desculpa, mas é um dos azares de sermos humanos. Tendemos a fazer do erro uma das especialidades da casa, daquelas que nem sempre são do total agrado de quem as consome.

Vais esquecer-te. Pior ainda, vais ter de voltar outra vez para comprar o que faltou comprar. Vais trazer coisas a mais porque achaste que faltava. E vais com toda a certeza perder tempo.

E sabes a parte melhor? É que enquanto fazes a lista, o teu cérebro continua a memorizar, mesmo que não queiras. Até é bem possível que te lembres de tudo porque escreveste. No entanto, ir a um supermercado sem uma lista é como fazer um reboot do sistema do teu computador sem fazer um backup de reserva. No final acabas com uma grande frustração e um vocabulário acrescido de novos palavrões para deleite duvidoso da vizinhança.

Não te esqueças do plano!

E agora volta atrás um pouco e planeia o que precisas verdadeiramente de comprar. E que espaços tens na despensa e no resto da cozinha para guardar stock. Isto porque muitas vezes compramos a mais, mas quando chegamos a casa é um problema arranjar espaço para tudo, não é? Estipula à partida que espaço limite tens e joga com números específicos. Exemplo: se tens só espaço para trazer 2 garrafas de polpa de tomate, é o máximo que irás comprar, caso esteja em falta.

Outro dado importante: com que frequência vais comprar? Se vens uma vez por semana é inútil comprares grandes quantidades não achas? Se, no entanto, quiseres fazer compras 1 vez em cada duas semanas, já terás que pensar a médio prazo, pelo menos. Tens de calcular a quantidade exacta que tens de trazer para casa para que não falte até à próxima vez que fores às compras, para evitares teres de ir uma terceira vez até lá.

Claro, como em tudo na vida, há o famoso disclaimer: sim, nem sempre vai correr bem. Até porque compraste 2 pacotes de bolachas e os teus filhos dizimaram isso tudo em poucos dias. E acontece o mesmo com as caixas de cereais. E enquanto ponderas levá-los ao CERN porque eles desafiam tudo o que é lei natural, lembra-te sempre que tudo é susceptível de melhoria. Os hábitos mudam, as pessoas mudam. Assim também os apetites e consequentemente o nosso plano de compras e lista consequente.

Cupões ou Cupons ou Descontos

Verifica já à partida se te convém fazer as compras, coincidindo com a data dos cupões que terás eventualmente. Não só irás poupar dinheiro como ajuda a criar um sistema a longo prazo que regula as tuas compras pela periodicidade dos cupões.

Não me interpretes mal: não faças as compras PORQUE tens os cupões. Utiliza os cupões PORQUE tens compras a fazer a priori. Diferença subtil mas importante.

Pondera também se te compensa. Haverá sempre cupões a propor-te produtos de marcas diferentes das que compras. Se ficar mais barato e se o produto tiver a mesma ou qualidade superior, óptimo. Se não compensar assim tanto e estás a arriscar levar um produto com menos qualidade, então não valerá a pena.

Tens que ter em conta que nem todos os descontos te servem nem devem servir para trazer produtos em demasia. Sobretudo se te faltar espaço. Poderá ser compensador em termos de poupança, mas há que encontrar o equilíbrio. Isto para que mais tarde não tenhas um sistema de stock que não te sirva da melhor maneira pela acessibilidade e pelo assoberbamento dos espaços.

Lista, plano, cupões e…. estômago cheio!

Sim, este é também um aspecto relevante. Fazes ideia dos mecanismos que são activados quando vamos fazer compras com fome? Ok, já me ouviste (ou leste) falar aqui na expressão “caçador-recolector”. No fundo, quando compramos mantimentos vamos activar esse instinto. Que poderá estar mais adormecido quando estamos saciados, mas que é elevado para “nível 5” quando estamos com fome.

O que significa trazer qualquer coisa como 5 confecções de bolachas, 4 barras de chocolate e 80 pães. Tudo o que constitui hidrato de carbono no super. Começas a olhar para a sessão de charcutaria da mesma forma que um hipotético zombie em pleno apocalipse olha para um transeunte inocente na via pública.

“Ah, pois. Falar é fácil, mas eu não tive tempo para comer.”

Tudo bem. Há formas de se contornar isso. Sei que te pode parecer estranho. Na verdade acredito que toda a gente faça isso, uns mais do que outros: come no supermercado. Sim, abre uma embalagem de bolachas ou leva um pão e come directamente. Vais pagar no fim, não vais? Qual é o problema?

Lembro-me que durante as minhas gravidezes passava muito por situações destas. Com umas naúseas que fazem do filme “O Exorcista” um filme digno de passar no Baby Channel em horário nobre, tinha mesmo que optar por comer no supermercado.

Assim pelo menos apaziguas esse instinto e voltas a ter o raciocínio lúcido que te permite fazer umas compras mais sensatas.

Não tenhas olhinhos só para a prateleira do meio

É um conhecido truque de supermercado colocar os produtos mais caros à altura dos olhos. Afinal de contas quem é que olha para as prateleiras de cima e de baixo?

Perde algum tempo a explorar bem cada corredor, sempre procurando a melhor situação de compra. Mas cuidado com os “Leve 2, Pague 1”, que podem apanhar qualquer um de surpresa. Tem sempre em vista só o que precisas!

Mesmo raciocínio para as prateleiras de última hora junto às caixas. É o truque de vendas mais engenhoso e que nos faz gastar mais 3, 4 ou 5 euros em coisas que na verdade nem constavam da nossa lista!

Atenção à tentação!

Se sentires uma grande tentação em comprar algo que não estava previsto, como aquela garrafita de cerveja (ou várias), põe no carrinho mesmo assim.

Devido aos tais instintos de “caçador recolector” de que te falei há bocado é natural sentirmo-nos impulsionados a continuar a “recolher” e a “caçar”. Tudo bem, podes sucumbir, por enquanto. No entanto, logo que chegares à caixa, põe de parte todos os produtos que não necessitas.

Coloca primeiro no tapete tudo o que é essencial. Se o valor final não ultrapassar o orçamento semanal para as tuas compras (nova dica: faz um orçamento semanal actualizado cada mês!), poderás levar a totalidade desses produtos ou só alguns. Se não os puderes levar, não caias no cliché do “Eu mereço”.

Isto porque no fim, quando estamos para pagar, começamos automaticamente a ponderar a compra, a repensar prioridades e a ajustá-las ao nosso orçamento. E aproveitando a deixa da ponderação, chega-se mais facilmente à tomada de decisão.

 Mais algumas perguntas poderosas para te ajudar a tomar decisões no que diz respeito às tuas compras:

  • Podes ser substituído por outra coisa?
  • Que benefício me trazes?
  • És eficaz na tua função?
  • Preciso de te comprar agora?
  • Estou a comprar-te por qualquer outro motivo?

Boas compras!

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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