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5 truques para evitar a “recaída”!

Primeiro veio a organização

É fantástico, não é? Quando finalmente olhamos para aquele nosso quarto antes tão atolado de roupas, sapatos, acessórios, e até mobília que há muito abandonou o seu propósito. E agora está organizado limpo, funcional.

É realmente um momento muito bom aquele em que podemos regojizar-nos ao ver a grande obra que conseguimos terminar. Horas e horas de trabalho depois, com muitas tomadas de decisão pelo meio, ainda frescos de tanto destralhe e tantas manobras de organização. Aquela sensação de assoberbamento entretanto fez as malas e deixou-nos de vez. Fica o sentimento bom de equilíbrio e paz de sabermo-nos sob controlo de tudo, conscientes de que há um sítio para cada coisa e cada coisa no seu sítio.

Estás de Parabéns! E se conseguiste essa proeza com a minha ajuda, ainda melhor! Gostei de contribuir para essa etapa tão importante que é a reconquista dos nossos espaços e o regresso do nosso bem-estar.

Depois começam os primeiros problemas

Passam-se os dias e passam-se semanas. Pouco a pouco, aquele resultado de revista em que estava o teu quarto vai perdendo alguma cor. E começas a ter os seguintes raciocínios:

“Vou só colocar esta peça de roupa aqui, depois arrumo.”

“Olha que coisa tão útil, ainda não sei o que fazer com ela, mas vou poisá-la aqui e depois decido!”

“Deram-me esta prenda mas ainda não sei muito bem se vou ficar com ela ou não, vou deixá-la aqui.”

E é assim que, sem darmos conta, acabamos com o mesmo quarto de sempre e uma pergunta no nosso olhar: “Como?” Voltamos ao mesmo assoberbamento, ao mesmo mal estar e à perda de controlo que sentíamos antes. Acabamos por deitar por terra a esperança de manter aquele espaço pronto a servir-nos. Repensamos se todas aquelas horas de trabalho valeram mesmo a pena.

A famosa recaída

Na verdade, este tipo de situações é muito comum e muito frequente. Quase toda a gente já ouviu falar de destralhar, da importância de termos pouca coisa. Até já folheámos e utilizámos vários catálogos do Ikea e lojas quejandas com aquelas soluções maravilhosas que prometem todo um mundo do organização ao nosso dispor. Caixas, caixinhas e outros acessórios que fazem de nós verdadeiros fanáticos da gaveta e da prateleira.

“O problema é que ninguém nos fala do que está a seguir. Do que é invisível e não se compra em lojas nenhumas.”

De tudo aquilo que precisa de ser feito e que não se adquire senão com a experiência e com o famoso método científico da tentativa e erro. Falo de rotinas, hábitos e pequenos esforços que vamos incorporando no nosso dia-a-dia.

Sem eles e sem esta fase importante que dá continuidade aos esforços de destralhe e organização, caímos na famosa recaída que se assemelha muito ao que acontece quando fazemos uma dieta. Na verdade, nunca pertencemos totalmente àqueles hábitos alimentares. Sempre os vimos como temporários, externalizando-nos dos mesmos. Não são verdadeiramente nossos e acabam por não se tornar a regra geral. Quando finalmente acabamos a tal fase da dieta a recaída é comum. Voltamos a ganhar o peso que se tinha perdido. O desânimo é grande e faz-nos esquecer qualquer outra tentativa de dieta. Acabamos por nos afastar acreditando que há algo de errado connosco. Afinal de contas os outros conseguem, portanto se nós não conseguimos é porque não fomos “talhados” para isso.

É exactamente isso que se passa com o processo de organização. Se não fizermos da organização, algo de nossa pertença e se não aceitamos verdadeiramente a mudança do paradigma – não só para a fotografia! – vamos ter recaídas e cair no mesmo raciocínio: não fomos talhados para ser organizados.

“As recaídas são muito perigosas mesmo por causa disso: tendem a definir-nos e colocar-nos a famigerada etiqueta de incompetente.”

E pelo caminho ficam projectos, ficam espaços abandonados e um bem estar que se perdeu para sempre. Como condão ainda mais perigoso de afectar outras áreas da nossa vida, inclusivamente o nosso trabalho e a nossa vida familiar.

5 truques para evitar a “recaída da desorganização”

Sendo assim, urge falar sobre o que temos de fazer para aceitar de vez essa mudança e aceitarmos a organização como nova competência. Sim, porque todos fomos talhados para a organização. Todos temos essa aptidão. A única diferença é que nem sempre fomos educados para a adquirir em criança. Já na idade adulta, acabamos por ter demasiada dificuldade em lá chegar, sobretudo porque não se torna num processo tão natural mas também por todas as responsabilidades de que nos rodeámos entretanto.

Por esse motivo, deixo aqui 5 truques simples para evitar essa recaída e conseguir manter todos os dias, esse aspecto tão bonito da foto, aquela do depois que tanta paz e bem estar nos trouxe.

1º truque: evita rotinas complicadas

Muitas vezes o grande engano da organização está em pensar que tem de se ser um projecto complicado, demorado e que a rotina tem que pesar muito no nosso horário. Nada de mais errado.

O truque está em simplificar, escolher uma rotina adequada que cumpra os requisitos necessários e  que possa ser seguida por ti, consoante o teu ritmo e à tua medida.

Se efectivamente temos pouco mais de 10 minutos ao final do dia para arrumações e rotinas, de nada vale optar por um esquema que nos retire meia-hora e que nos deixe estourados. É meio caminho andado para a desistência. Assim, opta por rotinas simples, quer se trate de organizar os recibos, quer se trate da dobragem da roupa, quer se trate dos brinquedos da criançada.

2º truque: 10 minutos de ouro

Se realmente o tempo que tens são 10 minutos, óptimo! 10 minutos de organização são 10 minutos de valor acrescentado. Usa-os da forma mais proveitosa e lembra-te que a perfeição é inimiga dos resultados. Podes achar pouco e uma dos grandes erros está em pensar que se não se vai conseguir nada nesse tempo ou que para organizar é necessário um grande dispêndio de tempo e energia.

No entanto, é incrível o que se consegue fazer com 10 minutos de tempo, como prova e muito bem este video:

E pensa que aqui estamos a destralhar e a organizar um espaço desde o início! Agora imagina o que tu consegues fazer com o mesmo tempo mas com a simples tarefa de manter organizado!

3º truque: técnica dos cestos

Esta técnica é muito útil para casos mais bicudos em que o tempo é pouco mas as pessoas de casa são muitas. Trata-se de ter um cesto com uma função específica. Um cesto que possa albergar alguns objectos que por falta de tempo ou por falta de foco, não possam ser imediatamente acondicionados.

Por exemplo, poderá servir para aqueles brinquedos com que o teu filho esteve a brincar na sala. Na verdade, pertencem ao quarto não é? Provavelmente até a diferentes caixas. Se não tiveres, arranja caixas para separar os brinquedos por categorias e etiquetas coloridas para o ajudar a arrumar.

No final da brincadeira, imagina que têm de sair de casa, talvez para uma consulta do médico ou porque precisam de ir às compras.

“Poderás ajudá-lo a colocar tudo nesse cesto num sítio estratégico da sala.”

O cesto não poderá ter muito peso para que ele possa levá-lo para o quarto mais tarde quando chegarem e colocar tudo no sítio. Poderás também à partida usar uma das caixas e condicionar a brincadeira para uma só categoria, para que seja mais fácil de arrumar.

O cesto também poderá servir para colocares a roupa que está por dobrar, que retiraste da gaveta e que não tiveste tempo de repor. Assim quando voltares, sabes o que está dentro do cesto e torna-se mais rápido arrumar tudo.

Finalmente, poderás utilizar o cesto como cesto out, ou seja, um cesto onde irás colocar tudo o que não serve, não precisas e não tem lugar na tua casa. No final do mês, poderás então ligar àquela instituição de caridade de tua confiança e entregar os conteúdos desse cesto para serem doados (certifica-te de que são apropriados para tal efeito, evidentemente).

4º truque: aliar rotinas

Este truque é excelente para criar pequenos automatismos que nos vão ajudando e tornando as rotinas menos pesadas e mais rápidas de fazer. Já pensaste na quantidade de pequenos gestos que cumpres por dia e que te passam completamente despercebidos? Todos os fazemos e são todos automáticos o que quer dizer que despendes muito pouca energia para os cumprires e muito pouco tempo. Estão de tal forma incorporados nos teus hábitos que te são naturais e intuitivos.

É isso que se pretende fazer com os pequenos hábitos de organização: transformá-los em pequenos automatismos de modo a que se tornem naturais para ti. No final, o efeito é incrível: tens tudo organizado, conseguiste manter tudo no sítio com esforço quase zero! E o truque para lá se chegar é bem simples, uma autêntica brincadeira de crianças: está em aliar rotinas ou automatismos!

“Dou-te um pequeno exemplo de cá de casa…”

Todos os dias, de manhã, logo depois a levantar-me bem cedo de manhã, saio da cama. No mesmo movimento, recolho a roupa da cama para trás. Passo pela janela e abro para pôr o quarto a arejar. Depois, entro na casa de banho. Logo depois de me sentar na sanita, vou-me despindo. Ao mesmo tempo vou dobrando a roupa nos meus joelhos. Movimentos rápidos e sempre os mesmos. Como tenho o balcão da casa de banho mesmo à beira coloco lá o pijama dobrado. Depois de tomar banho e vestir, saio do quarto de banho, faço rapidamente a cama e no mesmo momento coloco imediatamente o pijama já dobrado debaixo da almofada, sempre no mesmo sítio.

“Retirando o tempo do banho, quanto tempo demorei? 10 minutos a fazer essas 3 coisas: pôr o quarto a arejar, dobrar a roupa, fazer a cama.”

Depois, à noite dispo a roupa e visto o pijama. No mesmo movimento que uso para me despir, com as roupas ainda na minha mão, dobro-as. Dou-lhes logo um destino: se as vou voltar a vestir no dia seguinte, coloco-as à minha frente em cima da mesa da cama. Se não vou vestir, coloco no cabide mesmo ao meu lado onde ponho as peças de roupa em standby. Ou seja, que ainda podem ser usadas mais uma vez, mas que não irão ser usadas no dia seguinte. Aproveito para dobrar também e destinar outras roupas que estejam em cima dessa mesa e no cabide:

  • o que está já a precisar de ser lavado (às vezes acumulam cheiros e nem sempre nos apercebemos à primeira);
  • o que já não usamos há algum tempo mas está lavadinho e pode ser pendurado de novo no armário;
  • o que vai ser usado de seguida.

“Mais uma vez, quanto tempo demorei? 10 minutos.”

Aproveitei duas rotinas, dois automatismos, a hora de acordar e a hora de dormir. Isto para incorporar outros hábitos que se estivessem noutros momentos do dia passariam ao lado. Aliado a isto o facto de deixar o telemóvel fora do quarto, todas as noites.

Agora pensa em todos os momentos do dia que podes usar desta forma:

  • arrumar os recibos enquanto lanchas e vez um pouco de televisão;
  • arrumar as especiarias durante 3 minutos enquanto cozinhas;
  • dar uma arrumadela à gaveta dos talheres enquanto tiras a loiça da máquina.
  • etc

5º truque: tem tudo sempre à mão

Um das grandes causas das falhas na organização tem a ver com a própria fase da organização, quando não está bem pensada toda a estrutura e não está adequada aos teus hábitos. Isto pode acontecer quando esta fase é feita mais à pressa. Ou porque entretanto os teus hábitos mudaram e não houve um repensar de estratégias entretanto.

E por isso, acabas por não conseguir manter rotinas porque o sistema não está adequado. Porque não tens tudo o que precisas à mão. O que é prenúncio para uma desorganização mesmo ao virar na esquina.

No entanto, é um erro fácil de corrigir: usa os tais 10 minutos para repensar brevemente o que está fora de mão e faz mais sentido ter em determinada assoalhada. Se tens o teu tabuleiro de documentos temporários enfiado num armário, é natural que, ao chegar a casa, os coloques na primeira superfície que encontres. Ao final de uma semana, é cerca de uma pilha de 5 a 10 folhas. Na mesa da sala, na mesa da cozinha, na cómoda do quarto.

“Ao final de um mês imagina o tipo de acumulação que será.”

A organização em tua casa tem que fluir. Tem que ter como leme os teus movimentos, a tua orgânica. Quanto mais acompanhar os teus hábitos e rituais, melhor. A propósito disso, já ouviste falar no Diagrama de Spaghetti? É um diagrama muito fácil de fazer em casa e que traça todos os movimentos que cumpres a fazer uma determinada tarefa. Através deste diagrama muitas empresas têm conseguido resolver problemas semelhantes aos que falámos. Ao ter as coisas não organizadas de forma a respeitar uma certa orgânica, irão ser despendidos muitos mais movimentos do que seria necessário. A percepção desse desperdício prepara então o passo a seguir: a correcção e optimização desses movimentos.

Se quiseres saber um pouco mais sobre isso vê este video:

E por hoje é tudo! Quais são os truques que vais experimentar primeiro?

Não te esqueças de nos contar as tuas experiências!

E se quiseres podes experimentar uma sessão de organização connosco para poderes pôr à prova estes truques!

Basta inscreveres-te aqui!

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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