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10 minutos de organização na tua Casa de Banho!

Quanto vale o teu tempo?

O tempo é um bem comum a todos. Tem um valor específico, um valor que nós próprios lhe atribuímos no preciso momento em que tomamos a decisão de o gastar numa determinada actividade. A partir daí assistimos a uma série de repercussões em catadupa que advêm dessa nossa tomada de decisão.

Tão simples como isto: quando decido perder mais 30 minutos no meu trabalho, chego atrasada à escola para buscar os meus filhos; por conseguinte, eles vão ter que fazer deveres até mais tarde; e por causa disso vamos todos jantar mais tarde e acabamos por atrasar mesmo que por pouco, a hora de ir deitar.

“O tempo não espera nem se compadece de nós. Um dia terá sempre 24 horas, uma hora terá sempre 60 minutos.”

Por mais convenções que tenhamos criado numa tentativa aproximada de definir o que sabemos ser uma inevitabilidade, temos como certeza que a utilização do tempo que nos é dado irá lançar os dados dos nossos sucessos e insucessos.

Daí a pergunta: que valor tem o teu tempo? Aquele tempo específico que te pertence, que tu defines com as tuas actividades, o teu trabalho, o teu tempo em família. Esta pergunta é fundamental porque é partir dela que nascem as melhores decisões, as que te trazem valor, as que te levam de A a B. Não é por acaso que o título deste artigo se inicia com uma medida de tempo. 10 minutos. Que podem significar muita coisa: uma perda ou um ganho.

Graças a Albert Einstein, já sabemos que o tempo é relativo. Só que neste caso, e sem desmérito para esse grande físico,  em vez de estarmos dentro de um comboio a olhar para relâmpagos, vamos comprovar essa teoria dentro das nossas casas de banho.

 

Vamos descobrir juntos que 10 minutos de organização na tua casa da banho valem mesmo muito. Vamos a isso? Prepara o cronómetro!

1. Escolhe um armário e retira tudo o que está lá dentro! (2 minutos)

Só desta forma poderás perceber o verdadeiro conteúdo desse armário específico. Normalmente, as tralhas que temos a mais escondem-se atrás da ilusão do espaço, sobretudo quando ainda temos espaço de sobra. Um pouco o que faz o excesso de stock aos verdadeiros problemas de uma fábrica.

Desde o momento em que estão guardados dentro de um armário, sobretudo se este tiver alguma profundidade, perdemos a capacidade de estimar quanto cabe naquele espaço e quanto desse espaço está a ser sub-aproveitado, ou seja, ocupado com tudo o que não nos acrescenta valor.

Por esse motivo é muito comum ouvir-se expressões do género “Ui mas isto ainda anda aqui?” ou “Há mais de dez anos que não utilizo isto!”

Esta visão de helicóptero ajuda-nos a preparar o próximo passo sobretudo porque:

  • em pouco tempo percebemos a quantidade de coisas que temos;
  • no mesmo instante começamos a fazer uma triagem visual entre o que é utilizado e o que nos causa alguma perplexidade por ainda existir.

2. Destralha tudo o que não te faz falta, não te serve, não te acrescenta valor (3 minutos)

Já conseguiste, mais ou menos entender com esta visão de helicóptero o que realmente utilizas e te é familiar e o que já estás a estranhar de tanto tempo que está sem ser utilizado. Óptimo. Então este passo não deverá levar muito tempo. O truque é confiares nessa tua primeira reacção de estranheza: ela vai conduzir-te à decisão certa.

Ficam aqui algumas perguntas que te poderão ajudar nessa tomada de decisão:

Estás em bom estado?

Tudo o que não está em bom estado não deverá fazer parte da tua casa de banho. Ou de qualquer divisão. Não só é esteticamente feio como poderá ser um perigo para a tua saúde e a saúde dos outros.

Acabou-te o prazo?

A não ser que sejam artigos muito específicos que possam durar para além do prazo que estejam em bom estado de conservação e que tenham bom ar e bom cheiro, será sempre arriscado guardar o que está para além do prazo, sobretudo produtos que colocamos no rosto ou no cabelo.

Eu ainda te uso?

A pergunta das perguntas. Se não te uso porque estás ainda na minha casa de banho? Porque deixei de te ver. Porque me habituei a um certo look visual da minha casa de banho e não o pus em causa. Porque nunca parei para fazer esta pergunta.

Se sim, há quanto tempo?

Se calhar usaste há pouco tempo. Se calhar foi um uso ocasional. Ou então já nem te lembras. Dica: se não te lembras e não tens resposta é porque realmente não sentiste falta. Vale a pena manter o que não te faz falta?

Gosto/Gostei de te usar?

Experimentaste e até nem gostaste muito do resultado final. Mas acabou por ficar porque não quiseste deitar fora algo que podia ser usado. Até decidiste dar uma segunda oportunidade. Até poderás ter dado. Ou não. E, no entanto, ali ficou à mercê das tuas decisões sem uso e sem dono. Porque estás a guardar algo de que claramente não gostas?

Porque é que deixei de te usar?

Será que és complicado de usar? Será que me apanhaste com pouco tempo e numa má altura? Ou pura e simplesmente foste uma daquelas novidades que toda a gente estava a comprar e eu embarquei no mesmo caminho? E agora, vou manter-te só porque tens historial? Ou não?

Fazes parte da minha personalidade?

Ou és uma versão de mim que eu estou a tentar “comprar”? Porque é muito comum querermos ser melhores e querermos atingir versões optimizadas das nossas pessoas. Não há mal nenhum isso, muito pelo contrário. Os problemas começam quando essa versão nova que nós queremos obter está fora do alcance e é irrealista.

Se isto é verdade no que diz respeito às nossas competências, ainda o é mais no que toca ao nosso corpo e aos cuidados que lhe prestamos. Infelizmente ainda fazemos parte de uma mentalidade que nos leva, sobretudo às mulheres, a duvidar dos nossos aspectos físicos e a querer ser diferentes. Porque não temos cabelos perfeitos, porque temos curvas a mais (ou a menos), porque não estamos em conformidade com algum modelo que, sem nós nos apercebemos, nos foi sendo imposto desde sempre. Um modelo que, na esmagadora maioria das vezes, é irreal e inalcançável.

Esta prática de destralhar não se prende assim só com os objectos que temos a mais nas nossas casas de banho. É, por vezes, um verdadeiro acto de renúncia desses modelos, dessas imposições que todas nós mulheres acabamos por sofrer. Destralhamos assim o que nos intoxica e o que nos afasta de nós mesmas. Com esse destralhar vital vem a aceitação do que se é, fisicamente e espiritualmente, sem perseguir falsos caminhos e metas ilusórias.

3. Coloca tudo no sítio, outra vez (5 minutos)

Dedico a este momento 5 minutos, porque aqui precisamos de tácticas. A forma como vamos voltar a colocar tudo dentro dos nossos armários vai reflectir os nossos usos, os nossos hábitos e as nossas manias. E isso exige alguma ponderação.

Sendo assim, ficam aqui algumas regras básicas:

  • utiliza o espaço mais à frente e mais à altura dos olhos para tudo o que utilizas diariamente;
  • coloca atrás o que utilizas com menos frequência ou em ocasiões especiais;
  • utiliza caixas de plástico que tenhas em casa (podem ser até tupperwares que não utilizes) para colocar por categorias os teus produtos;
  • se tiveres algum stock, coloca à frente o que está a uso e atrás o que está para ser aberto (ou então cria um espaço para stock na tua casa de banho);
  • decide deixar algumas coisas fora do armário se fizer sentido para ti – sobretudo o que acedes mais do que uma vez por dia.

Vamos fazer as contas…

Ok, portanto acabamos os nossos 10 minutos de organização. Que tal te sentes? Mais livre? Agora tens o controlo do teu armário e sabes o que lá está e onde está. Fixe, não é?

Mas não ficamos por aqui. Vou ter que te dar uma boa e uma má notícia.

Comecemos pela má notícia. Com toda a probabilidade vais ter que repetir estes 10 minutos muitas vezes. E repara: nem sempre irás tomar as mesmas decisões. Nem colocar as coisas nos mesmos sítios. Cada 10 minutos que gastas na organização são o teu beta test

No fundo está a implementar um sistema de organização e a pô-lo à prova. E o que devemos fazer sempre que temos um sistema implementado? Pois é, devemos sempre verificar a sua eficácia e fazer as correcções necessárias.

Daí que este processo de organização tenha alguns laivos de melhoria contínua, aquela tão badalada que se utiliza nas fábricas do Japão e que tem andado a correr meio mundo. No fundo, trata-se de ir adaptando o sistema às tuas necessidades. E melhorando e alterando de forma a chegares ao teu ideal, ao que está mesmo à tua medida.

“E a boa notícia? Ora pensa lá bem….”

Fazes ideia do que fazer este tipo de acções faz ao teu cérebro? Pois é, não só vais treinar a sério a tua tomada de decisão como vais ficar pro na tua capacidade de resolução de problemas. Tudo coisas boas que tu podes usar noutros contextos, no teu trabalho, na tua família, etc.

Aposto que já não olhas para os “10 minutos” da mesma forma não é?

Agora imagina o que podes fazer em duas horas! Já imaginaste essa transformação? Em vez de imaginar, podes descobrir: contacta-me ainda hoje e falamos sobre isso, ok?

Até lá, boas organizações!

About the Author:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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