Sexta em Festa – Jantar

Finalmente chegados à frenética Sexta-feira o tempo urge-nos a preparar os nossos serões para aquele momento especial em que contemplamos o passar do tempo, sempre implacável e quase imperceptível e celebramos o fechar mais ou menos satisfatório de mais uma semana de bom e árduo (?) trabalho…

Esses serões podem ser passados simplesmente em companhia da nossa família, com ou sem filhos pequenos, mas muitas vezes é também festejado com amigos e talvez alguns conhecidos em coloridos e histriónicos aperitivos, jantares e pós-jantares abundantes em criatividade aliada a um apurado sentido prático que fazem de nós exímias protagonistas na arte de bem receber. Se não é assim, fica pelo menos o ensejo e a esperança de que “para a próxima organizo-me melhor”.

Nessa linha de pensamento e fazendo jus ao título “Sexta em Festa”, a OrganiGuru pretende hoje dedicar um pouco do seu mural a mais um conselho precioso, desta feita direccionado a todas aquelas que partilham desse ensejo de bem receber os outros em nossa casa.

O conselho que vos pretendo dar hoje tem muito a ver com organização mas também com algo que costumo chamar “cenário de jantar”. Trata-se muito simplesmente de dedicar um momento do dia anterior a visualizar e a planear logisticamente o jantar de amanhã. Em boa verdade, não é muito prática comum, dado os nossos horários, as várias tarefas homéricas que nos impomos, mas costumo dizer que quem tem menos tempo, mais tempo tem. Confusas? No fundo, trata-se apenas de dizer que quando estamos muito habituadas a lidar com muita coisa ao mesmo tempo, é-nos mais fácil conseguir gerir os nossos horários de forma a que tudo encaixe na perfeição, ou pelo menos almejamos que assim seja. tendo isso em conta, não será demasiado hercúleo conseguir arranjar 10/15 minutos do nosso serão, logo a seguir a deitar os miúdos, a deixar a loiça em água para o dia seguinte e/ou pôr a roupa na máquina, para delinear o que pretendemos que seja o jantar do dia seguinte. Para isso acontecer da melhor forma possível, deixo-vos estes 4 tópicos de reflexão.

Quando começar a pensar no jantar ideal, não se perca em ideias mirabolantes dignas de Pantagruel: os seus amigos vêm a sua casa sobretudo para estar em boa companhia, portanto, embora se possa preparar verdadeiros pitéus, pense sempre no que consegue fazer com as suas possibilidades e competências (para as experiências culinárias utilize os domingos de tarde, por exemplo).

Planeie o jantar tendo sempre em conta o factor financeiro: embora para muita gente este conselho seja absolutamente capaz de despoletar nas pessoas uma reacção mais conhecida por DAH!, muitas vezes no entusiasmo que estes eventos suscitam, tendemos a ver tudo mais cor-de-rosa e a cair no tão badalado “eu mereço” ou “eles merecem” e no ainda mais perigoso “uma vez não são vezes” (no fundo, são as endorfinas a fazer o seu papel…). Se realmente pode dar-se ao luxo de ceder por uma vez, faça-o mas pense sempre a longo prazo e no fim do mês: será que o dinheiro chega para tudo?

Lembre-se dos seus convidados e do que gostam: mesmo que seja uma cozinheira exímia, de nada vale a pena se empanturrar toda a gente e deixar todos com uma grandessíssima indigestão – muitas oportunidades surgirão para mostrar o que sabe fazer, se for o caso.

Escolha quantos momentos da refeição irão ter lugar: haverá aperitivo? Será melhor fazer uma entradinha? E sobremesa? Valerá a pena servir um chá no fim da refeição? Eu prefiro sempre dividir a refeição o mais possível e não trazer um só prato pesado para a mesa: um pequeno aperitivo, uma entrada de salada, um prato ligeiro de carne, peixe ou massa, por exemplo e uma sobremesa é, a meu ver um jantar equilibrado. Quanto ao café/chá com ou sem digestivo é um pouco ao gosto do freguês e consoante os convidados que se tem…

Bem, por agora, é tudo! Para a semana darei continuidade a este tema e falaremos sobre como melhor combinar esses vários momentos do jantar e sobretudo os ingredientes que melhor cantam em uníssono…

Boa Sexta e Boas experiências!

GOD

Sobre o Autor:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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