Quarta Farta – Pegadas Verdes (4)

Após um interregno de uma semana e uns trocos, eis-nos de volta às nossa Pegadas Verdes. Desta vez iremos falar de mais um RE: Restaurar!

Restaurar

Nunca é fácil depararmo-nos com um móvel que perdeu o brilho e o fascínio de outros tempos. Ficamos sem saber o que fazer e sobretudo como enquadrar numa casa com outro ritmo e que requer outras funções aquele gaveteiro antigo, aquela mesa riscada, aquela estrutura de cama já enferrujada.

Aparentemente, tudo parece já não ter lugar e, por outro lado, avizinham-se outras soluções ao preço do peso do ouro para novas necessidades, novas actividades e sentimo-nos tentados a abandonar toda essa re-categorizada “tralha” no cantinho do nosso esquecimento (que normalmente dá-se pelo nome de garagem ou arrecadação). Para que isso não aconteça e para que a sua carteira não tenha um novo ataque de pânico, eis aqui algumas sugestões bem engraçadas, umas que requerem mais tempo, outras imaginação, mas todas muito originais e muito bem-vindas:

1. Materiais Reciclados + Móveis Antigos = Peças Fantásticas

Antes de mais e matando dois coelhos com uma cajadada só, faça uso de materiais reciclados que tenha lá por casa, tudo conta: jornais de há uns anos a falar sempre em crise, revistas que já não lê nem na casa de banho, plásticos vários a guardar pó nas gavetas na categoria “isto um dia pode dar jeito”, esferovites acumuladas dentro de caixas de equipamentos que o seu marido teima em manter a ocupar espaço na garagem onde podia arranjar o seu cantinho de costura, etc. Use a imaginação, cubra, invente e ria-se se as coisas correrem menos mal: afinal de contas serão peças únicas no mundo.

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2. Tecendo Novas Mobílias

Em qualquer casa existem pedaços de tecidos a pontapés grandes e pequenos: roupas dos anos 80 que já só usaria se estivesse com uma grande trip de LSD, roupas impecáveis que lhe custaram os olhos da cara e que os seus filhos decidiram numa tarde reduzir a retalhos porque, e passo a citar, “ficavam bem na minha boneca”, roupas que já não servem e que o seu marido insiste que entretanto e inexplicavelmente encolheram ao fim de 20 anos (a cerveja consumida ao longo desse tempo nada tem a ver) e várias peças de roupa que foram ficando para trás pelas consequências naturais do tempo ou porque o seu marido um dia achou giro andar a fazer pinturas ou a pegar fogo a coisas com elas vestidas (mesmo sendo o tipo de roupa que ele deveria vestir em situações de cerimónia). Todos esses destroços de guerra vão voltar à luz do dia se as usar para estofar um banquinho, cobrir um tampo de mesa, decorar um armário velhinho. Peça sugestões para estas actividades neste blog.

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3. Pinte a manta… e já agora alguns móveis!

Se o móvel em questão faz doer a vista de tão deslavado que está e até a deixa num estado de turpor depressivo pelas cores que apresenta, está na altura de ter uma pequeníssima despesa e usar umas tintas bem vivas para aplicar uma boa camada anti-depressiva nesses móveis. Está provado que o uso de tintas bem escolhidas e com certas tonalidades influencia o nosso estado de espírito e transforma qualquer divisão num sítio agradável e convidativo (o que não é o caso das repartições de finanças: ponham lá móveis às pintinhas amarelas e cor-de-rosa se quiserem, mas o sentimento é e será sempre o mesmo… entre a depressão-apática e a psicopatia…).

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4. 2 em 1: Memorabilia e Mobília

Se está com um acréscimo de memorabilia (cartas, postais, desenhos, frases giras, lembretes com erros ortográficos memoráveis, fotografias passíveis de serem mostradas a públicos de miúdos e graúdos) e se se encontra com um problema de mobílias a precisar de uma nova vestimenta, porque não juntar essas duas ideias e fazer algo de original e autenticamente seu? Lembre-se, no entanto, de lá colocar coisas positivas e preferencialmente escritas pelo seu mais que tudo – deixar uma cartinha de um seu ex-namorado conhecido pelos seus bíceps acima da média colada na parte da frente da gaveta dos boxers do seu marido, por mais que tenha sido escrita num estilo digno de um Pulitzer, não será a melhor das ideias…

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5. Brincar às Casinhas

O mesmo móvel que a si já nada diz, pode ser para o seu filho um novo mundo de aventuras e possibilidades a explorar. Seja ele um armário, uma estante pequena, uma mesa ou um banquinho, peça a consultoria do seu rebento e juntos inventem peças novas para a cozinha, o quartinho ou a casa de banho das bonecas. Use tintas fáceis de limpar e amigas do seu filho (incluindo as roupas do seu filho) e do ambiente, acondicione a área e dê início à diversão. Os miúdos adoram participar neste tipo de coisas e assim escusa de andar a gastar fortunas em mobílias miniatura que, por vezes, até saem mais caras que as de tamanho normal. Pequena nota: convém lembrar ao seu filho que a experiência não é para repetir pelo resto da casa, senão acaba com algumas novas criações pela casa fora, como a da imagem.

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6. “Mobreis” de Arte

Móveis partidos e irrecuperáveis? Divirta-se e faça uma obra de arte com os miúdos! Mesmo que a função dos móveis não perdure, não significa que não os possa manter e criar algo que tenha só a função de ser esteticamente agradável à vista. Não se esqueça das sábias palavras de Saint-Exupery, na sua obra “O Principezinho”:

“Au moins son travail a-t-il un sens. Quand il allume son réverbère, c’est comme s’il faisait naître une étoile de plus, ou une fleur. Quand il éteint son réverbère ça endort la fleur ou l’étoile. C’est une occupation très jolie. C’est véritablement utile puisque c’est joli.”

7. Site de dicas e Conselhos

Antes que me ponha aqui a armar-me em sabe-tudo e a falar sobre matérias que equivalem para mim ao outro lado da lua dos astronautas, deixo-lhe com este site que lhe dirá tudo o que precisa de saber sobre lixar, preparar, pintar e fazer coisas bonitas nos seus móveis antigos!

8. Ajudas Externas

Se não for do género de ter muito tempo para estas andanças, mas não quiser guardar permanentemente o seu “velhote” na garagem, aconselho-a a dar uma vista de olhos a esta empresa que trabalha com o restauro de peças antigas de mobiliário e que tem feito coisas extraordinárias!

Boa Quarta e Bons Restauros!

Sobre o Autor:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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