Sexta em Festa – Festejando a criançada (3)

Um mês antes, duas semanas antes e agora, nesta Sexta em Festa aproximamo-nos cada vez mais do dia da festa do seu filho. Desta vez estamos a uma semana da festa… o que fazer? Vamos descobrir juntos!

1 semana antes

1. Faça as suas compras

Antes de mais, um pequeno parêntesis: é necessário e crucial que na semana anterior ou pelo menos uns dias antes tenha feito uma extensiva e extenuante lista de compras com todos os artigos que pretende comprar para transformar a festa do seu filho num sucesso, desde os finíssimos balões para fazer esculturas de cães, empresa que o seu marido não conseguirá concluir, por mais orgulho ferido que isso lhe possa trazer até aos maravilhosos confettis coloridos que a deixará à beira de um ataque de nervos no período pós-festa e passado o efeito da última cerveja que terá consumido.

Tome o seu tempo para ver promoções, de preferência evitando o 1º de Maio e supermercados como o Pingo Doce com descontos exagerados e não caia no erro de levar demasiadas quantidades com medo de não chegar para todos. Para que isso não lhe aconteça, calcule em casa as quantidades todas que precisa para cada produto, telefone às pessoas se for preciso a averiguar apetites e manias de alguns convidados (imponha os seus limites – se der por si a comprar uma garrafa de Moet Chandon, se calhar é melhor parar e pensar…).

Mais uma vez, não vá fazer as suas compras com fome: coma em casa ou, se não tiver tempo, logo que entrar no super pegue numa sandes e coma (poderá pagar mais tarde e ninguém a irá julgar por causa disso… sobretudo depois do feriado passado…). De barriga cheia tendemos a gastar menos e a pensar de forma mais escorreita sem os instintos de caçador-recolector à flor da pele. Há uns tempos, deixei uma nota sobre este tema, talvez não seja má altura para ir lá dar uma espreitadela

Última dica: pode falar com o seu filho e combinar com ele o que lhe irá comprar para a festa, mas, se puder evitar, não o traga consigo. Para além de a atrasar, arrisca-se a trazer para casa várias latas de sardinha com tomate de marca suspeita que nunca na vida lhe pôs os olhos em cima… ou então várias maçãs roídas no fundo do carrinho (acontecimento real), dependendo da idade da sua criaturinha.

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2. Verifique as câmaras fotográficas e de filmar

Esta é uma das típicas coisas que deixamos para a última, não é? E depois o que acontece? É à escolha do freguês:

-a sua máquina não tem bateria;

-a sua máquina não tem cassete ou cartão de memória;

-a sua máquina está em casa do seu primo / tio / avô / recente assaltante do seu carro;

-a sua máquina é um GPS;

-a sua máquina tem outra cassete rebobinada com o vosso casamento que obviamente acabou por perder porque começou a gravar a panóplia de cores e
berros da festa do seu filho por cima;

-a sua máquina está com um cheiro esquisito a sanita;

-a sua máquina tem um estrunfe (sim, eu ainda digo estrunfe) enfiado lá dentro, irremediavelmente encaixado no dispositivo onde se insere a
cassete (“queria ver filmes de estrunfes”);

-a sua máquina tem bocados de nutella lá dentro (“tinha fome”);

-a sua máquina está cheia de carrinhos (“é a garagem nova”);

-a lente da sua máquina está toda pintada com canetas de purpurinas da Hello Kitty e com autocolantes da Disney de cola titânica que mete a super-cola 3 a um canto.

Como vê, mais vale antecipar-se e verificar se não está na hora de comprar uma máquina nova ou de pedir uma emprestada ao vizinho (de preferência um que não tenha filhos).

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3. Estabeleça um plano de tarefas para essa semana e para o dia da festa

Seja chata. Muito chata. Está cientificamente provado que há uma correlação entre a preparação de festas, jantares ou outros acontecimentos susceptíveis de arreganço de mangas e a dor de barriga, joelho, pernas, costas, cabeça, pescoço e outras partes do corpo dos seus filhos mais velhos (os que podem efectivamente ajudar) e do seu mais que tudo. Levante-os do sofázinho ou de frente do computador e explique-se, explane-se e decidam juntos um plano de estratégia militar para os dias que se seguem e para o dia da festa. O truque está na cenoura que lhes colocar à frente:

-motive-os com actividades e tarefas que só eles em todo o mundo conseguem fazer (mentira);

-prometa chocolate ou vinho branco (dependendo da idade a quem está destinada a recompensa);

-tome a iniciativa de escolher tarefas para si: os outros, com muita esperança e água benta, irão querer imitá-la (pois sim, tá bem tá….);

-arranje sempre tarefas que se adequem ao que a pessoa pode fazer (pedir ao seu marido para fazer a decoração do bolo poderá não ser o que estamos a falar);

-faça menção a experiências passadas que tenham corrido bem devido à ajuda deles;

-faça menção a experiências passadas que não tenham corrido bem pela falta de ajuda deles;

-faça menção ao que eles tiveram que aturar de si nos dias a seguir a essas experiências passadas (muito eficaz com maridos);

-tente transformar tudo numa diversão – afinal de contas é uma festa, não é?

-suborne e chantageie… mas não lhes diga que eu lhe disse isto;

-ponha música com mensagens subliminais – se não ajudar pelo menos é agradável;

-e, sobretudo, e num tom mais sério, lembre-se de nunca pedir demais, de pedir coisas simples de se fazer e de especificar quando, onde, o quê, a que horas e como, se for preciso – é essencial;

-ouça sempre – toda e qualquer sugestão é sempre bem-vinda e até pode ter boas surpresas.

Prepare-se para a próxima semana: desta vez estaremos a um a dois dias da festa!

Boa Sexta e Boas Preparações!

Sobre o Autor:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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