Quarta Farta – Pegadas Verdes (5)

Hoje, Quarta Farta, continuaremos a encontrar novas soluções desse mundo maravilhoso que é a Eco-Organização. O nosso RE desta vez é Regressar. Vamos todos fazer um salto no passado e apreciar o que se fazia nessa altura. Não havia onda verde. Os nossos avós não eram ecológicos, nem sabiam o que era um painel solar. Mas à maneira deles tinham soluções e formas de resolver as questões do dia-a-dia que, ironicamente, põem as nossas soluções e a nossa onda verde a um canto.

Hoje vou-me abster de escrever mais sobre o assunto porque encontrei um texto na internet que cai como uma luva para o tema que estamos a tratar. Privo-vos assim um pouco dos meus dotes de escritora por hoje (ui, ui!), descanso um bocadinho, mas volto amanhã!

Espero que gostem!

REgressar

Na fila de um supermercado, o empregado da caixa diz a uma senhora de idade:

”A senhora deveria trazer os seus próprios sacos para as compras, uma vez que os sacos de plástico não são amigos do ambiente.


A senhora pediu desculpa e disse:


–”Peço decsulpa… não havia essa onda verde no meu tempo…”


O empregado respondeu:


“Esse é exactamente o problema de hoje, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o ambiente.”

”Tem razão.” – respondeu a senhora – “A nossa geração não se preocupou suficientemente com o ambiente.

Naquela época, as garrafas de leite, as garrafas de refrigerante e de cerveja eram devolvidas à loja. A loja mandava-as de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de serem reusadas e os fabricantes de bebidas usavam as garrafas umas tantas outras vezes.

Realmente, não nos preocupávamos com o ambiente no nosso tempo.

Subíamos as escadas porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até às lojas, em vez de usar o carro de 300 cavalos de potência de cada vez que precisávamos de andar dois quarteirões.

Mas tem razão. Nós não nos preocupávamos com o ambiente.

Até então, as fraldas dos bebés eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. A secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas de 220 volts. As energias solar e eólica é que realmente secavam as nossas roupas. As crianças usavam as roupas que tinham sido dos seus irmãos mais velhos e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente naqueles dias.

Naquela época só tínhamos uma TV ou rádio em casa e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha um ecrã do tamanho de um lenço, não um ecrã do tamanho de um estádio, que depois será deitado fora como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo à mão porque não havia máquinas eléctricas que fizessem tudo por nós.

Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo, e não plástico com bolhas que leva cinco séculos para começar a degradar.

Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina para cortar a relva, era sim utilizado um cortador de relva que exigia músculos. O exercício era extraordinário e não precisávamos de ir a um ginásio e usar passadeiras de corrida que também funcionam com electricidade.

Mas está certo: não havia, naquela época, preocupação com o ambiente.

Bebíamos directamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora sujam os oceanos.

Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes em vez de comprar uma nova.

Afiávamos as navalhas, em vez de deitar fora todos os aparelhos ‘descartáveis’ e poluentes só porque a lâmina deixou de cortar.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época.

Naqueles dias, as pessoas apanhavam o autocarro e as crianças iam de bicicleta ou a pé para a escola, em vez de usarem a mãe como um serviço de táxi 24 horas.

Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos.

E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a kms de distância no espaço, só para encontrarmos a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a actual geração fale tanto em ambiente, mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época?”

Palavras sábias e que nos fazem pensar. Está na hora de dar dois dedos de conversa com a sua avó, a sua vizinha idosa e começar a apontar… Nas palavras de um certo pastor de óptimo aspecto, num fabuloso filme chamado Contact, tirado do ainda mais fabuloso homónimo livro de Carl Sagan:

“Is the world fundamentally a better place because of science and technology? We shop at home, we surf the Web… at the same time, we feel emptier, lonelier and more cut off from each other than at any other time in human history…”

Boa Quarta e Bons Regressos!

Green-Life
 

Sobre o Autor:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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