Já alguma vez pensou porque estamos tão ligados às nossas coisas? Existem várias processos psicológicos que inconscientemente nos levam a um estado de tamanha dependência que se torna extremamente difícil desfazermo-nos do que já não serve e está a ocupar espaços vitais. Durante as próximas semanas falaremos desses processos e de que modo fazer a importante “Dieta da Tralha”. Hoje iremos falar de um desses processos:

Antropomorfismo

Antropomorfismo é o acto de atribuir características humanas como sentimentos a objectos e é um dos grandes entraves a uma boa organização: de facto, de cada vez que estivermos a deitar fora alguma coisas, sentimos que a estamos a abandoná-las e tudo se torna mais difícil. Identificar esse comportamento permite-nos encontrar técnicas para lidar com ele e avançar mais um passo. Muitas vezes, sem nós darmos conta, desenvolvemos essa conexão emocional com aquele bibelot antigo que a sua avó lhe deu quando ainda andava na faculdade ou aquele peluche velho e já a precisar de um banho da sua infância. Esse sentimento é tão forte que sentimos que, ao abdicarmos desse nosso objecto querido estamos a abandoná-lo e a trai-lo.

Muitas vezes confundimos esse objecto com a pessoa que representa ou que nos ofereceu o mesmo. Frequentemente este tipo de conexão está muito presente em casais em que faleceu um dos cônjuges: tudo o que está relacionado com a pessoa falecida é passível de criar dependência na pessoa que ficou, sendo uma situação extremamente difícil de superar e muito sensível.

A melhor maneira de conseguir ultrapassar esta situação é através da doação, assegurando que o bibelot antigo será entregue a alguém que saberá cuidar bem dele e respeitá-lo tanto como o faria a antiga dona. Dessa forma, a pessoa poderá ter oportunidade de se despedir dos bens do falecido marido ou daquela avó que nos acompanhou nas nossas tropelias de criança e saber que lhes foi dado um fim digno do nosso ente querido.

E quando os nossos bens nos trazem à baila todas aquelas memórias fabulosas? Como é que conseguimos separarmo-nos dessas boas sensações? Descubra connosco na próxima semana!

Boa Quarta e Boas Despedidas!

ANTRO