Quantas vezes abrimos aquele caixote de tralha do qual teremos de escolher o que vai e o que fica e ficamos pelo menos meia-hora a folhear aquele livro da nossa infância ou a recordar bons momentos com as fotos dos tempos de faculdade? E com isto perdemos tempo valioso e acabamos por nunca nos decidirmos e o caixote fica pedra e cal naquele cantinho que até dava um jeitão para colocar a cadeira de baloiço… Esta reacção é muito comum e tem um nome:

Sentimentalismo

A palavra parece algo brusca e com sentido pejorativo, mas na verdade pretende identificar uma das relações que podemos desenvolver com os objectos que temos em casa. É talvez a ligação mais comum que podemos ter: ao longo dos anos, vamos atribuindo memórias, sensações e momentos da nossa vida a cada um dos objectos que temos em casa. É humano e é saudável que assim seja: as nossas vivências deixam sempre marcas, rastos e é de todo natural que a nossa mente faça digressões a analise o que foi para perceber o que será. No entanto, esta ligação pode funcionar contra si, quando não lhe permite avançar e bloqueia a sua capacidade de decisão.

Quando temos pouco espaço para roupa e continuamos agarradas aquele camisolão antigo, poeirento e mal cheirosa que usamos na época dos anos 80, o mais lógico seria doá-lo (se estiver em condições), mas a nossa ligação é tão forte que acabamos por dar-lhe mais uma oportunidade e o seu armário acaba pejado de boas recordações do passado e muito pouca coisa do momento presente. Se multiplicar este acontecimento por 1000 terá a sua casa carregada de muitos objectos que a serviram no seu tempo mas que agora precisam de ir embora para dar espaço a novas recordações, ao momento presente e a um futuro mais límpido.

Como dar a volta a esta situação? O melhor, sem dúvida, é fazer esta selecção com alguém do seu lado que a vá chamando à razão. Se possível, não pegue no objecto em questão, sobretudo se a superfície for macia. Está estudado que o tacto tem um papel sobejamente importante na nossa memória, funcionando como um reactivador a que vamos chamar Simpatia Cinestésica.

Sempre que tocamos numa peça de roupa, num peluche, num objecto com uma textura particular, as sensações tácteis que nos percorrem vão reactivar áreas no nosso cérebro que nos colocam imediatamente numa “zona de conforto”. A imagem mais forte que define esse conforto é a de uma criança enfiada num puff muito fofo que a envolve por completo. Essa sensação sobrepõem-se de tal forma ao resto que nos ficamos completamente impedidos a afastarmo-nos desta sensação e, por conseguinte, do objecto que a provoca. 


O truque está também em perguntar-se se utilizou o objecto em questão nos últimos 6-12 meses. Se a resposta for negativa, então a solução está à vista: o descarte, a doação ou a venda.

E se houver mais dinâmicas pessoais em jogo? O que fazer quando a nossa mentalidade de poupança leva a melhor e nos obriga a acumular bens dos quais nem metade serão usados? Descubra na próxima Quarta Farta!

Boa Quarta e Boas Sensações!

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