Pai que é pai sabe que há uma constante, uma verdade inabalável que faz parte integrante do seu dia-a-dia de progenitor: os brinquedos. E de uma maneira ou outra, por mais que tente negar, por mais que imponha algum limite, por mais que diga a pés juntos que a situação está sob controle, vai haver um momento em que se vai confrontar com uma inflação de brinquedos em casa. Daquelas.

Brinquedos de todas as formas e feitios, com mais ou menos pertinência, com mais ou menos aspectos pedagógicos, mais ou menos ridículos. Brinquedos dados pelos avós, pelos tios, pelos amigos, pelos vizinhos e alguns, poucos, comprados pelos pais. Brinquedos que efectivamente tiveram o seu papel importante no crescimento dos seus filhos e outros cuja única função parece ser a de fazer sons que seguramente passam o nível de decibéis permitido por lei e com luzes passíveis de provocar um ataque epilético à pessoa mais pacata.

Outros ainda, de dimensões microscópicas e contundência considerável que têm a faculdade de ficar perenemente no chão do corredor a caminho da casa de banho e de se enfiar bem por debaixo dos nossos pés às duas da manhã, causando dores indescritíveis, de tal forma conhecidas pelos pais que já há grupos de apoio na net para ajudar a aliviar o “trauma” de tal experiência. Caminhar por cima de brasas em comparação é canja.

Seguramente já pensou várias vezes: mas precisamos destes brinquedos todos? Ou melhor: os meus filhos precisam mesmo de toda esta tralha? Bem, se perguntar aos seus filhos, eles afirmarão a pés juntos que precisam de tudo. Até mesmo daquela figurinha do MacDonalds toda partida que esteve durante 3 anos enfiada atrás da cómoda. Está na altura de tomar uma decisão. Sobretudo se já não sabe de que cor é o chão do quarto do seu filho. Ficam aqui alguns passos essenciais:

 

1- Primeiro de tudo comece por reunir todos os brinquedos que tem em sua casa. Todos. Sim, mesmo os que estão no carro. E os que estão a boiar na banheira da casa de banho. E na gaveta dos tupperwares. Convém colocar tudo no mesmo quarto.

 

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Se olhar para esta imagem e pensar “Olha o quarto do Pedro!” então é melhor arregaçar as mangas… 
Ou então pedir a minha ajuda!

 

2- Arranje 3 sacos ou caixas e coloque 3 etiquetas: FICAR, DOAR e DEITAR FORA. Em casos drásticos poderá usar um quarto saco com a etiqueta QUEIMAR E TRITURAR, sobretudo para aqueles brinquedos de que falei anteriormente que terão sido utilizados em média umas 253 vezes no período de 12 horas por dia, durante 4 anos.

 

3- De seguida, perca uma boa hora a seleccionar, de preferência com o seu filho, o que fica e o que vai. Opte por retirar tudo aquilo com que já não brinca (pelo menos há seis meses) tudo o que já não está em condições de ser utilizado e se tornou perigoso ou está naquele estado passível de atrair um grupo de arqueólogos a sua casa. Ou um grupo CSI pela quantidade de ADN que acumulou ao longo dos anos sob forma de vários líquidos que não vou descrever aqui porque estou na minha hora de almoço.

Se encontrar alguma resistência da parte do seu filho relativamente a um determinado brinquedo que já não tem lugar em sua casa aconselhe-o a doar e diga-lhe para onde vai e quem vai brincar com esse brinquedo. Opte por ter uma lista de instituições de doação à mão, com algumas fotografias (deverá já ter contactado essas instituições para as avisar). Naqueles casos em que o brinquedo não pode ser doado e tem de ser reciclado / queimado / triturado / sublimado, explique-lhe quais são os perigos reais de brincar com algo que já não tem condições para ser “brincável”. Em último caso, diga-lhe que enquanto não se retirar brinquedos velhos e partidos, não poderá haver brinquedos novos em casa (dentro das festividades e em quantidades expectáveis).

 

4- Tenha em conta quantidades do mesmo tipo de brinquedo. 120 peluches não é propriamente uma quantidade desejável, sobretudo se o seu filho for asmático.

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A não ser que a sua filha esteja a tentar recriar aquela cena dos “Encontros Imediatos de Terceiro Grau” com peluches, é um grandessíssimo NÃO!

4- Depois de retirado o que não serve e ficar o essencial, evite grandes manifestações de alegria, tais como dançar de forma frenética tipo “Harlem Shake” ou começar a dança da macarena (isso ainda se dança??). Não vá o miúdo descobrir o seu plano maléfico!

5- Agora é o momento de passar à verdadeira organização: onde vamos colocar os brinquedos, como os vamos separar?

Em primeiro lugar, convém separar os brinquedos por tipo e tema: PELUCHES, LEGOS, BONECAS, CARRINHOS, PUZZLES, etc. Aconselho a colocar os puzzles em sacos com fecho herméticos (atenção, no entanto, a crianças pequenas – poderá optar por colocar alguns furos no saco ou optar por sacos de pano) com fotografias da caixa (puzzle completo) e deitar fora a caixa para poupar espaço. Quanto aos legos, existem aqueles sacos-tapetes que são sempre muito úteis para recolher peças.

Depois, tenha à sua disposição os suportes onde irá guardar os brinquedos. Convém que sejam caixas sem grandes complicações, que possam ser geridas pelos seus filhos de forma simples e prática e onde possam ser afixadas as etiquetas com os nomes de cada coisa. Aconselho vivamente este modelo do Ikea (gama TROFAST):

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6- Decida também em que divisão da casa deverá colocar os brinquedos. Normalmente costumam ficar sempre no quarto dos seus filhos, centralizado, mas talvez seja bom optar por um modelo mais flexível e que permita aos seus filhos brincar em mais do que uma divisão, ao seu lado.

Poderá optar por colocar uma estrutura semelhante à de cima na cozinha e outra na sala. Em alternativa, uma mesa de brincar/desenhar e cadeirinhas do Ikea fazem um bom cantinho de desenho e é uma boa forma para aproveitar aquelas folhas a mais que queria reciclar.

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Um dos cantinhos da nossa sala, em casa, a título de exemplo…

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Sapateiras extra para arrumação de desenhos, puzzles, etc…

7- Finalmente, vem a parte mais complicada: a de manter tudo arrumado. O facto de ter caixas coloridas, fáceis de manipular e com etiquetas faz metade do trabalho, mas convém introduzir algumas regras simples de manutenção aos seus filhos que poderão ser estas:

a) A seguir a brincar, tudo no lugar!

E não tudo na mesma caixa, misturado. Sobretudo com comida. Não convém.

b) Brinquedo fora do sítio, fora de uso!

Retire-o da circulação por um limite razoável de tempo – poderá voltar a introduzir o mesmo depois de uma semana.

A minha sogra tinha introduzido com uma história escrita por ela o conceito do “duende” que leva tudo o que está desarrumado durante a noite. Ainda funcionou durante uns tempos até ao momento em que os miúdos começaram a tentar encontrar o duende com forcas e archotes para lhe darem um enxerto de porrada…

c) Quem desarruma, arruma!

Regra simples, mas que nem sempre é cumprida com rigor. Seja firme e assertiva(o).

No meu caso, com 3 filhos, traduz-se nuns valentes momentos “kafkianos” de arrumação de brinquedos. Por outro lado, vão todos seguir advocacia, só pelos argumentos que apresentam para atirar o trabalho para o irmão mais a jeito. Mas acaba sempre por ficar tudo arrumado!

d) Se não há tempo para arrumar, vai para a cesta!

Ideal naqueles momentos de pressa em casas com escadas e no caso de terem estado na sala a brincar com brinquedos que têm de voltar para o quarto – tenha essa cesta na sala e na cozinha, por exemplo. Mais tarde poderão pegar na cesta e com calma arrumar o que lá está.

8- Por último, regra de ouro para quase tudo: faça verificações periódicas dos brinquedos (ver se está tudo no sítio, ver se há algo que já não faz falta). E faça desaparecer acidentalmente (leia-se: faça parecer um acidente) tudo o que tem escrito “MacDonalds” na parte de trás.

Boas brincadeiras!