5 Objectos a retirar da sua Cozinha Já!

Cozinha: local amado, local odiado

Todos nós temos cozinhas em casa certo? A nossa cozinha é talvez o local mais querido, mais desprezado, mais adorado e mais odiado que temos em nossas casas. Se num primeiro momento temos ganas de chef italiano e achamo-nos capazes de reproduzir um soufllé de 12 sabores diferentes às 3 pancadas, num segundo momento agarramo-nos aos panfletos da tele-pizza e do restaurante de sushi da esquina como se não houvesse amanhã, sem sequer entrar na cozinha, não vá o diabo tecê-las e descobrirmos que temos de facto algo para fazer lá dentro (tipo por exemplo, a loiça).

Não há assoalhada que aglomere de forma tão eficaz as nossas emoções e que seja mais capaz de transmitir aos outros tanta dedicação. Como tal, esta assoalhada, tal como as outras, precisa de manutenção, cuidados e de um olhar atento, caso contrário transforma-se também ela no tabernáculo de uma miríade de objectos e artefactos tão pouco usados que deveriam pertencer à categoria museológica. Ou arqueológica.

Vamos então falar um pouco sobre o que podemos então retirar desta nossa divisão querida para a tornar mais eficaz:

 

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1. Utensílios xpto em desuso

Sim, nós sabemos. Um dia vai utilizar aquele fabuloso cortador de ovos todo xpto para fazer aquele jantar 5 estrelas aos seus amigos. Todos nós temos esses sonhos. E depois acordamos e damos por nós com filhos até ao pescoço e uma montanha de roupa na lavandaria digna de pertencer ao record guiness com o título de maior quantidade de dna recolhido num só sítio.

Está na hora de aceitar a verdade: muitos dos utensílios que compramos para a nossa cozinha são comprados para aquela pessoa que nós desejamos ser, mas não para a pessoa que somos e que seremos, com toda a probabilidade, até ao resto dos nossos dias. A não ser que haja uma titânica força de vontade, um acidente que nos faça mudar de personalidade ou um curso de pastelaria pelo meio, não há motivos que nos levem a pensar que alguma vez iremos usar esses utensílios que, sim, na altura custaram os olhos da cara, mas que agora estão só a ocupar espaço, um espaço vital da cozinha que podia ser usado para coisas mais úteis.

Por exemplo, ar.


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2. Jarros, jarrinhas e jarrões

Gosta daqueles videos que se passeiam na net com coisas giríssimas para fazer com aquela garrafa da polpa de tomate e com o frasco da compota no seu tempo livre? Sabe o que faço no meu tempo livre? Durmo. Vou à casa de banho. Eventualmente respiro. Os frascos, as garrafas e os jarros pertencem mais ou menos à mesma espécie das tampas de tupperware e são primos das meias: de uma maneira ou de outra, inexplicavelmente, multiplicam-se, reproduzem-se à velocidade da luz e, quando damos por ela, infestam-nos a dispensa, o armário da banca e a nossa cabeça.

Razões para isso há sempre.

Podia aqui perder algum tempo a explicar que nem sempre somos senhores dos nossos consumos e que há muitos automatismos no nosso dia-a-dia que nos passam completamente ao lado. Ou então que demos uma indicação à nossa empregada, a dada altura, de não deitar nenhum desses objectos fora e ela levou de tal forma as nossas palavras a sério que fez disso religião com santuário próprio. E agora temos 20 garrafas vazias de polpa de tomate na dispensa (baseado em factos verídicos).

Regra de ouro

Sem grandes rodeios, vamos ao que interessa: à nossa regra de ouro. Tem a garrafa na mão? Está a decidir se a manter ou não? Tem já um destino planeado para o mês, com data hora e local? Sim, senhora. Guarde-a. Ainda não sabe e já tem a cabeça a deitar fumo de tanto pensar? Pare. Deite fora. Sabe que mais? A não ser que tenha renegado e excomungado a polpa de tomate da sua cozinha, com toda a probabilidade, vai voltar a ter uma garrafa vazia de polpa de tomate nas suas mãos e vai voltar a fazer este mesmo raciocínio, portanto oportunidades para ficar com o tal frasquinho para imitar aquelas senhoras todas prendadas dos tais videos não faltarão nunca.

“Ah e tal mas assim estamos a contribuir para o lixo a mais.”

Pois estamos. Costuma dizer-se que não se pode fazer uma omelete sem partir ovos. Neste caso concreto, se tiver quem lhe forneça tomate caseirinho e se tiver dotes de cozinheira para saber produzir polpa de tomate às litradas na sua cozinha (mais uma vez, factos verídicos), então muito bem, escusa de comprar as ditas garrafinhas e aí já não está a contribuir para o amontoar do lixo no nosso jardim comum que é o planeta terra. Mas aí voltamos à questão de ter tempo. Não tem? Então, a solução passa, inevitavelmente, por ter que deitar fora a garrafa depois de a usar.

Agora é adoptar este mesmo discurso a tudo o que é contentor de líquidos e sólidos que venha do super. Ora aí está. E faça o favor de deixar regras mais claras à sua empregada (tipo limites razoáveis de armazenamento).

 

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3. Maquinarias partidas/estragadas que já viram dias melhores

Ainda no outro dia avariou-se-me o robot de cozinha.

Foi uma tragédia. Eu que sou dada a estas coisas de cozinha e até faço uma manteiga de amendoim razoavelzinha, fiquei sem parceiro de combate. E a gerigonça até foi cara, mas nestas andanças pelo mundo da obsolência planeada é assim. Compra-se uma maquinaria cara e a mesma avaria, escassos dias depois do último dia da garantia. Típico não é?

E o que fazer agora? Eu que não sou muito de me ficar, levei a fazer orçamento de arranjo. Afinal de contas, o meu ninja já é quase de família, mais nem seja pelos imensos kilos de amendoim em estado (quase) líquido que proporcionou estes 3 anos. O orçamento chega e é aquela sensação de impotência misturada com um sentimento de raiva que normalmente caracteriza as Valquírias de Wagner: o preço do arranjo do bicho é mais caro que o bicho em si. Tipicamente.

Passo seguinte? Para além da evidente descasca ao pessoal da Phillips, há que planear o que fazer ao mamarracho outrora ninja. Tem-se duas opções: ou se vende peça à peça a quem interessar ou vai directamente para o lixo, infelizmente. O que não pode é haver a terceira opção: ficar em casa. Pergunte-se: para quê?

A) Já não funciona;

B) Não deixa de ser lixo só porque está debaixo do seu tecto;

C) Está a ocupar espaço que pode ser utilizado para outras coisas.

Agora abra os seus armários e veja quantos “ninjas” reformados tem a ocupar espaço na sua cozinha. Por favor, dê-lhes um destino: ou vende ou recicla.

 

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4. Panos de cozinha a precisar de um teste tipo carbono 14

Todos temos esta espécie na nossa cozinha. Muitos deles recambiados de t-shirts velhas, outros acabadinhos de comprar do Ikea ou da loja dos 300 e todos com o mesmo “problema”: têm todos um prazo. E sim, concordo que é fácil habituarmo-nos a eles e alguns deles terão eventualmente um valor sentimental, mas chega a uma altura em que têm de passar à fase seguinte, seja ela o lixo ou a incineradora.

Recolha então todos os seus panos e arme-se em técnica da CSI e escolha bem os que ficam e os que vão. Alguns sinais essenciais que lhe indicam que não poderão manter a sua função de panos:

1) Têm cheiros que não pertencem ao âmbito em que se encontram: por exemplo cheiros fisiológicos (ok, pronto, cheiro a chichi);

2) Mudaram totalmente de cor (itso é, perderam por completo a noção do que é branco);

3) Perderam a forma original – se de um quadrado tiverem passado a ser um triângulo, então é melhor livrar-se dele antes que haja mais alguma metamorfose.

Viu como foi fácil? Quem é amiguinha, quem é?

 

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5. Documentos, Medicamentos e outras categorias que não deveriam estar numa cozinha

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Sei que muitos de nós usam a cozinha como receptáculo para tudo o que é papel das finanças, recibos, talões e cupões do continente. É compreensível, até porque a cozinha costuma ser o primeiro ponto de paragem logo depois de entrarmos em casa. Se não contarmos com a casa-de-banho.

Se tem um sistema de organização documental na cozinha que a) funciona b) está actualizado, então esta conversa não é para si. Vá beber um cafézinho que já falamos. Ou uma cerveja, ainda melhor.

Se, no entanto, usa aquele sistema também apelidado de “vou-só-poisar-aqui-e-já-arrumo”, muito popular pelas casas deste planeta fora (inclusivamente na minha, de vez em quando… mas quem é que não conhece este sistema??), devo avisar que não é muito bom se quiser manter a integridade física dessas mesmas papeladas (o que para algumas contas que nos chegam até pode ser espiritualmente recompensador). Porquê? Porque estamos na cozinha: o espaço onde tudo acontece, inclusivamente, fumos vários, gorduras, vapores de água, cheiros e muita água à mistura.

A solução? Arranje um sistema documental para ter na cozinha, fechado e que permita ser facilmente actualizado. Em alternativa, arranje uma gaveta próxima da porta de entrada que sirva de depósito temporário para essas papeladas, pelo menos até as organizar como deve ser. O lixo também pode ser uma boa solução, mas é um deposito um pouco menos temporário.

Medicamentos

Medicamentos? A mesma coisa: de nada vale manter um medicamento na sua cozinha se não estiver devidamente acondicionado (os que são de frigorífico têm mesmo de estar no frio). Duas grandes condições mencionadas em todos os panfletos de instruções por essas farmácias fora: manter em lugar seco e protegido dos raios solares (sem contar com a temperatura).

Desde que estas duas condições sejam respeitadas tudo bem, mas há que ter um lugar designado para esta categoria. Não vale deixar espalhado pelos armários da cozinha. Até porque numa emergência ou em caso de necessidade, convém haver um sítio fixo que possa ser facilmente acedido. Às vezes pode até ser um pequeno tupperware com divisórias, fechado e afastado das fontes de humidade (banca, fogão, etc). Tão simples como isso.

E cá chegamos nós ao final de mais um artigo. Espero ter ajudado um pouco mais a libertar a casa de tralhas indesejadas e a mente de tarefas desnecessárias.

Bons almoços e jantares!

 

 

Sobre o Autor:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

4 Comentários

  1. Isaura Santos 16/04/2017 em 20:34 - Responder

    Muito bom, Rita!

  2. Manuela Carvalho 16/04/2017 em 22:06 - Responder

    Fantástico e objectivo, divertido e rápido… cheio de um sentido de humor peculiar e infalível! Grande, Rita! Obrigada!

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