Retira esses Esqueletos do Armário!

 Retira esses Esqueletos do Armário: Vamos falar sobre roupa!

 

Pois é, acho que já adivinhaste: vamos falar sobre roupa! É minha intenção acabar este artigo com uma série de dicas bem fantásticas para esse pessoal que anda aí aos tombos com o seu armário e que já nem sabe por onde se há-de enfiar. No armário não, que já não há espaço.

Um catálogo dentro do nosso armário

Antes de tudo, temos que conhecer o “bicho”. O que nos aguarda quando abrimos as portas do nosso armário? Que personagens em forma de roupa? Vamos então elencar (eu gosto muito de elencar e tu?):

A túnica

Aquela túnica que guardamos porque estamos a ganhar peso e é a escolha responsável, aquela que tapa tudo. Tapa mesmo tudo. De tal forma que nunca ficamos com vontade de a vestir. Ficamos politicamente correctas quando vestimos essa túnica, mas nós nem gostamos muito de política, não é? Mas acaba por lá ficar porque um dia, talvez, até pode dar jeito. Para outra pessoa.

As calças

Versão delas: “Recordam-me o ano de 2003 que foi a última vez que as vesti. São tão bonitas!… E estreitinhas. Fico tão bem com elas! Quer dizer, ficava. Entretanto tive dois filhos. Mas se calhar ainda vou caber nelas, um dia.”

Versão deles: “Então, mas agora as calças encolheram?”

As 30 camisas de trabalho

Sim, porque há que estar preparado para o trabalho. Com várias cores e estilos. Mesmo que os colarinhos até estejam a ceder. Mesmo que metade dessas camisas até já nem sirvam. Também encolheram. Condizem todas muito bem com o par de sapatos. O único.

O camisolão da rena

Lembram-se (ainda) daquela cena inicial do “Diário de Bridget Jones” em que aquele pedação de homem (refiro-me, claro, ao Colin Firth) está no meio da sala e quando se vira mostra um camisolão com uma rena tricotada bem no meio? Pois é, todos nós temos um camisolão destes no nosso armário. Dado pela avó, pela mãe, pela prima que até tem um jeitaço para o tricot e que agora até tem uma página no Facebook toda catita mas que ainda tem poucos likes. Aquele camisolão que nunca foi vestido mas foi prenda. Nunca foi vestido mas é tão fofinho. Nunca foi vestido mas foi feito de propósito para mim. Nunca foi vestido.

O vestido “bué-da-caro”

Foi numa promoção mas mesmo assim não ficou baratíssimo. A vontade de o comprar foi tanta que mal o experimentaste. E é de marca o que quer dizer que é bom. Vestiste-o duas vezes. Para o experimentar à pressa na loja e em casa e chegar à conclusão que até nem fica assim tão bem. Mostra coisas que não queres mostrar e tapa outras que até mostrarias. Mas nem pensar em retirá-lo do armário. Foi tão caro!

A saia que está para remendar

Ó pá essa saia é tão gira! Só precisas mesmo de lhe baixar/subir um pouco a bainha. E retirar um pouco de centímetros à cintura. E fica perfeita. E fica dentro do armário à espera meses seguidos porque entretanto te esqueceste.

Passo a passo… esvazia-se o armário todo!

Penso que por esta altura ou das duas uma: ou estás aí desse lado da fibra a lançar-me vários impropérios ou então consegui fazer-te rir. De todas as formas, reagiste, portanto, missão cumprida. Se entretanto consegui pôr-te a pensar um bocadinho, melhor ainda.

Mais ainda te digo, o catálogo que acabei de elencar não vive só dentro do teu armário. Também vive dentro do meu. Portanto estamos todos no mesmo barco. Estou a escrever estas linhas e já a pensar no que vou retirar do meu armário mais logo.

O primeiro passo está cumprido: perceber que tens coisas a mais no teu armário. O segundo passo leva-nos à acção. E como fazer isso? De uma assentada só? Pouco a pouco? Num momento de raiva valquiriana? Sim, também gosto muito das “Valquírias” de Wagner, mas se calhar convém fazeres isto com calma para não assustares os vizinhos. Vamos fazer isto com números, ok? Eu até gosto de matemática…

1. Faz uma renovação do armário a cada estação

Podes até chegar hoje a casa e resolveres o assunto num instante. Também dá. Se, no entanto, quiseres fazer disto uma prática constante, mais te vale aguardares o final da estação para fazer as tuas ponderações. Se tiveres um espaço para roupa de verão/inverno e for teu hábito fazer a “troca”, opta por esse momento para tomares as tuas decisões. Vai ser mais fácil porque já não vais vestir essas roupas de verão/inverno e daí que já estás a passar por um processo de “desmame” natural.

Aproveita-o a teu favor!

2. Toca a virar esses cabides!

Sabes um bom truque para tomares essas decisões? Faz assim: no início de cada estação, ao enfiares a roupa de verão/inverno no armário, coloca sempre os cabides ao contrário. Ao longo da estação, irás pegar na peça de roupa escolhida e quando a mesma voltar ao armário, coloca o cabide no sentido contrário. Chegas ao final da estação e terás uma visão mais clara do que foi vestido e do que nem sequer mereceu a tua atenção. Mais fácil para tomares uma decisão, não achas?

3. Pede a alguém que segure nas roupas

Talvez não saibas isto, mas temos todos potencialmente a capacidade de activar aquilo que se chama “simpatia cinestésica”. “O que quer isto dizer?”, perguntam vocês. “Lá vem esta com os chavões!”, dizem outros. Passo a explicar: de cada vez que pegamos numa peça de roupa ou num peluche, a nossa parte táctil reage e reactiva memórias e sensações de conforto (o que torna tudo mais difícil). Isto é sobretudo verdade para quem é particularmente táctil como estilo de aprendizagem. Por isso pede a alguém que te segure nas roupas enquanto tomas uma decisão. Ou então usa luvas.

4. Zona “out

Cria uma zona out perto de uma saída de casa bastante frequentada (garagem ou entrada). Nessa zona deixa um saco onde irás colocando as peças de roupa tuas e dos outros que já não pertencem aos vossos armários. Dá-lhe de imediato um destino: ou vendes ou doas. Quanto a vender, estabelece um dia na tua agenda em que te vais dedicar a fotografar e a colocar essas roupas à venda. Faz disso um hábito. Quanto a doar, não te esqueças de ligar primeiro à instituição visada e pergunta sempre se precisam. Marca também um dia para a recolha em tua casa ou para ires lá levar.

5. Pratica a Dieta da Tralha!

Aí há uns tempos, aqui a “Je” criou um conceito que penso poderá interessar-te: a Dieta da Tralha! Sim, de vez em quando devemos aproveitar as nossas boas energias e momentos valquirianos para revolucionar os nossos armários, sem dúvida. Entretanto e para que esses momentos não se transformem em remorsos “porque até deitei fora coisas que ainda vestia e agora estou para aqui a fazer compras de forma completamente desvairada”, que tal irmos treinando?

Faz assim: dia sim, dia não, olha para o teu armário, pondera e selecciona uma peça que te pareça ser a mais renegada do teu armário. Coloca no tal saco. Depois de um mês, ainda lá está certo? Pega no saco e se a tal decisão se mantiver, já sabes o que fazer. O que é isto faz? Treina o nosso desapego e habitua-nos a viver com menos e a tomar decisões pequenas. Assim, quase nem precisas de momentos valquirianos. Já sabes o que precisas. O que vai e o que fica. És dona do teu armário. The Queen of the Mighty Drawer. Ruler of Underpantsland. Ok, eu paro.

6. Compras? Precisas mesmo?

Pensa lá bem: acabaste de te livrar de um monte de roupa. Vais encher o armário outra vez? Pondera. E agora, trabalhinho de casa, faz estas perguntas antes de comprar:

  • Tens orçamento? Até quanto podes/deves gastar?
  • E combina bem com o quê exactamente?
  • Daqui a 6 meses ainda vais estar a vestir isso?
  • É só para uma ocasião ou dá-te para mais vezes?
  • E agora pergunta para queijinho: tens alguma coisa parecida que o substitua?

Queres saber de uma coisa gira: estou (quase) há um ano sem comprar roupa. Palavra de honra! À parte algumas renovações de cuecame, não comprei nadinha de nada. E olha que vontade por vezes não faltou. É que ele há montras bonitas como o caneco! Mas confesso-te uma coisa: após as primeiras vezes em que estive quase para entrar na loja, cabaou por me passar.

Isto porque logo após os primeiros segundos começava a pensar: “Mas afinal de contas estou a comprar porquê?” E a resposta nunca era racional. Porque sinto uma vontade repentina de comprar. Porque se calhar é desta que ia ficar bem jeitosa (nota mental: eu sou sempre jeitosa, com qualquer trapo.). Porque agora fiquei ansiosa e se comprar deixo de estar (a sensação familiar a que o meu marido italiano chama “avere la scimmia sulla spalla”).

Na verdade, o acto de comprar liberta-nos. A tal sensação de alívio que sentimos não é mais do que a libertação dessa ansiedade que foi causada pelo objecto que acabámos de comprar. É uma coisa tipo “pescadinha de rabo na boca”.

Se formos a ver bem, comprar roupa assemelha-se muito à pastilha elástica. Primeiro, são aqueles segundos fantásticos em que sentimos aquela mistura de açúcar e limão palpitante que nos coça as gengivas e a língua. Depois passa a ser um pedaço de plástico que anda ali à solta. E deitamos fora.

7. Trocas e baldrocas

A acompanhar o meu ano de libertação, veio a prática de aceitar roupas de outras pessoas (Obrigada maninha! 🙂 ). Aconselho a todos. Por vários motivos:

  • ficamos com coisas novas e que nos ficam lindamente;
  • não andamos às voltas nos centros comerciais;
  • não gastamos dinheiro nem tempo;
  • na altura de descartar podemos dar continuidade à troca (passar para outra pessoa ou instituição);
  • as roupas são mais usadas e apreciadas;
  • não contribuímos para um negócio que escraviza potencialmente a classe operária (por vezes e infelizmente infantil) e que mal conhecemos.

Marca já com a tua irmã, tia, avó, mãe ou amiga a tal troca e depois conta-me como foi. Olha que tenho vestidos da minha mãe que têm 30 anos e que estão todos outra vez na moda. Vale mesmo a pena.

Até podia deixar aqui mais dicas, mas acho que por hoje estamos bem. Os meus artigos mais parecem discursos do Centeno e depois vocês não os lêem. O que é assim para o chato.

Contem-me as vossas experiências e pratiquem a Dieta da Tralha!

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Sobre o Autor:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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