Mudança Organizada Passo a Passo!

Mudam-se os tempos…

Hoje mudamo-nos mais. Muito mais. Por causa dos estudos, por causa da carreira, por causa do trabalho, por causa dos filhos e por um ror de motivos que antigamente tinham menos peso, mas que agora parecem ser o leitmotif das nossas vidas.

Adicionalmente, cada vez compramos menos casas e criamos raízes com mais dificuldade, consequência directa do preço vertiginoso dos imobiliários e da habitação em geral.

“O resultado é estarmos mais propensos a mudar de casa, inevitavelmente.”

A mudança de casa é um período de muita metamorfose quer estejamos no âmbito de uma família, de um casal ou até de uma pessoa solteira ou estudante: a mudança física que se opera nesta fase tem consequências a nível emocional, comportamental e até intelectual. Há uma adaptação a um novo paradigma, os nossos hábitos diários sofrem um grande golpe e vemo-nos atirados para um violento turbilhão de emoções em que nos despedimos de espaços, coisas e vivências enquanto partimos para o desconhecido de uma vida prometedora mas, mesmo assim, nova e cheia de incertezas.

“Pelo caminho ficamos mais fortes emocionalmente, adquirirmos novos comportamentos e trabalhamos a nossa capacidade de adaptação.”

Afinal de contas, antes, quando não tínhamos ainda descoberto a agricultura, éramos todos nómadas, portanto, no fundo, trata-se de ir buscar esses apetrechos esquecidos do nosso passado como humanidade.

Curiosamente, deixamos para o fim a percepção do que uma mudança de casa faz no nosso intelecto: as competências que ao longo desta fase transitória nos obrigamos a adquirir porque necessárias e porque inevitáveis. A nossa capacidade de resolução de problemas está ao rubro e, quase sem nos apercebermos, treinamos o desapego, essa ferramenta essencial que nos permite vislumbrar o nosso percurso, manter o foco e trabalhar as nossas prioridades.

Mudança passo a passo

E é por isso, caro leitor, que hoje dedico o primeiro artigo deste mês com a promessa de verão (será?) a este tema de metamorfose e esperança que é mudança. E para que a mesma ocorra sem espinhas mas com toda a carne de uma boa sardinha na brasa (já apetece, não é?), deixo-vos 4 simples passos para vos ajudar a passar de uma tempestade caótica para uma bonança organizada.

Vamos a isso!

Passo 1: Estabelecimento do plano

A primeira coisa a fazer é mesmo estabelecer um bom plano. Nesse plano deve constar toda a informação pertinente que irá ser precisa nas próximas semanas.

Parte deste plano depende da sábia utilização de um calendário onde possam constar todas as datas importantes e todos os momentos da mudança – se se utilizar o calendário google, poderão ser adicionais os e-mails de todos os intervenientes, com um calendário partilhado entre todos para que ninguém perca pitada.

É igualmente importante que se faça uma lista de contactos de empresas de transporte, optando por ir contactando uma a uma e percebendo por qual (ou quais) se irá optar dependendo dos serviços oferecidos, do preço e também dos horários de funcionamento.

Não te esqueças dos dias de férias de trabalho: avisa com antecedência no escritório que irás precisar de alguns dias para a mudança, seja no antes, seja no depois.

“Poderá ser útil estabelecer à partida de que forma se irá compensar os dias de ausência de maneira que não haja prejuízos para a empresa.”

E não se vai a lado nenhum sem um bom gestor de tarefas e recursos, o plano propriamente dito. Faz constar deste gestor todos os intervenientes, as tarefas para cada um e a faixa temporal em que cada um vai actuar, definindo diferentes fases do processo. Apontar os recursos ajuda a preparar uma mudança bem sucedida, não escapando nem o mais ínfimo detalhe.

Finalmente, um bom plano não é nada se não se delinear um orçamento, concordando à partida um valor máximo a gastar em todo o processo de mudança e o que cada tarefa irá contribuir para esse valor final.

Passo 2: Preparação

Depois do plano, vem a preparação, vulgo setup de fábrica. Nesta fase a nossa preocupação principal deverá ser a mesma que ocorre antes da confecção de um bolo: ter tudo à mão e tudo a postos para o grande evento.

Começamos pelo que nos espera na casa nova: toca a activar todos os contratos de água, luz, gás e telefone. Não há nada de mais constrangedor do que esquecermo-nos deste passo e acabarmos numa casa sem podermos ter acesso ao saneamento, à luz eléctrica (depois de tanto esforço da parte de Edison, aliás, Tesla…) e ao gás.

Não se esqueçam de ter bem à vossa beira todos os materiais de empacotamento que podem ser como seguem:

  • caixas de vários formatos (convém);
  • fita-cola larga em abundância (mais vale a mais do que a menos);
  • tesoura ou máquina para a fita-cola;
  • etiquetas grandes e pequenas;
  • tabelas de inventários a preencher;
  • canetas grossas e finas;
  • materiais embaladores como jornais velhos, sacos de plástico, películas várias e plástico bolha de ar;
  • cerveja e chocolate.

Façam uma lista de compras com os materiais que faltarem. Quanto às caixas, encontram-nas com facilidade em lojas como a Makro ou Recheio.

“Poderão falar directamente com um empregado que vos poderá levar ao armazém onde ficam, por norma, todas as caixas vazias dos produtos já expostos.”

Não deve faltar também uma boa preparação do carro, para algumas caixas que possam ser transportadas directamente por vocês. Meçam o espaço no interior e preparem a viatura para a nova função.

Quanto às mobílias especiais que podem ser objecto de heranças ou pura e simplesmente modelos mais caros ou ainda outras mobílias mais específicas como pianos, convém contactar directamente empresas especializadas que possam ocupar-se desses objectos. Nunca tentes fazê-lo sozinha nem peças ajuda àquele amigo que percebe “umas coisas”!

Finalmente, para que saibas para onde vai cada coisa, sobretudo mobílias velhas e as novas que precisares de adquirir, convém perderes algum tempo, mais uma vez, a preparar uma planta com esses móveis à escala em 2D. Sim, terás de o fazer em folhas de papel com as medidas pertinentes que neste caso serão o comprimento e a largura.

“Aqui a altura não será necessária, em princípio, a não ser que se trate de um sótão. Ou que gostes de maquetes.” 

Sei que parece muito trabalho desnecessário mas, acredita, faz toda a diferença: assim saberás o que vai para cada assoalhada em que sítio especificamente. Os senhores das mudanças agradecem o jeitinho. Agora se tiveres também uma mini à chegada para eles até se arregalam.

Passo 3: Empacotamento

Passamos então ao empacotamento propriamente dito. Aqui são várias as técnicas que podem ser utilizadas para um empacotamento de sucesso.

Primeiro que tudo, não há nada de mais importante do que teres um inventário de tudo bem à mão. Esse inventário vai ser feito à medida que colocas tudo nas caixas, preferivelmente por categoria. Terás assim a caixa dos livros, a caixa das loiças da sala, a caixa dos bibelots, a caixa dos brinquedos, etc. E cada uma dessas caixas com uma folhinha de fora a enumerar o que lá puseste dentro. E uma cópia para ti de cada uma dessas folhas.

“Faz sentido para ti?”

Faz uma selecção do que vai ser empacotado primeiro, começando pelo que menos se precisa, pelo que é menos prioritário, deixando os items mais necessários e de uso diário mesmo para o fim, pouco antes de deixar completamente a casa antiga.

Regra de ouro bem necessária nestas andanças: vais com certeza teres caixas maiores e caixas mais pequenas; vais também ter objectos mais pesados e objectos mais leves; agora trata de utilizar as caixas mais pequenas para os objectos pesados e as caixas maiores para os objectos mais leves. As tuas costas agradecem.

Para saberes para que quarto ou assoalhada vai cada caixa, utiliza um código de cores. Para tal não precisas de muito: etiquetas coloridas ou canetas grossas de feltro.

Convém não esquecer que esta é uma excelente altura para destralhar e treinar o desapego, por variados motivos:

vais levar menos coisas

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vais ter menos esforço a empacotar

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vais ter menos coisas para arrumar

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vais ter mais espaço e tempo para o que precisas

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vais treinar a tua capacidade de tomada de decisão

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vais tornar-te numa pessoa mais organizada

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vais conquistar o mundo

Vês a cambada de benefícios que ganhas? Fantástico, não achas?

Finalmente, prepara ainda uma mala de primeira necessidade com tudo o que precisas nos primeiros dias. Essa mala deverá ter:

  • 2/3 mudas de roupa por pessoa;
  • 2 pijamas por pessoa;
  • 1 roupa de cama por pessoa;
  • 1 roupa de banho por pessoa;
  • produtos de higiene essenciais para cada pessoa;
  • 1 livro;
  • 1/2 brinquedos;
  • loiça suficiente para uma refeição (pequeno-almoço e almoço);
  • computadores e outras tecnologias que se não tivermos connosco dá-nos uma coisinha má;
  • cerveja e chocolate.

Passo 4: Desempacotamento e arrumação

E por fim, o momento esperado: a chegada a casa e o arrumar das tralhas.

Para tal tarefa convém delineares o que deve ser feito primeiro: podes ir por categoria ou por assoalhada ou ainda, dentro de cada assoalhada, pelo que é mais importante. O importante é teres um plano que seja claro para ti e para os outros e conseguires cumpri-lo, portanto, nada de planos irreais. Deixa algum espaço para uma destas eventualidades:

  • cansaço;
  • trabalho a fazer;
  • miudagem a precisar de atenção;
  • aquela cerveja no frigorífico;
  • o próximo episódio da Guerra dos Tronos (mas quando é que começa a temporada 8???)
  • reuniões/encontros/conversas com vizinhos, empreiteiros com promessas falsas, vendedores de rua, pessoal da companhia das águas/edp, etc;
  • o que eu não posso dizer aqui porque sou bem educada;
  • imprevistos muito raros ou impossíveis tipo inundações ou o Benfica conseguir o Penta.

Mais uma vez, usa o calendário e gestor de tarefas (as ameaças também funcionam) para conseguires pôr toda a gente a mexer, caso contrário acabas sentada no meio do chão, sozinha, no meio da tralha, com um copo de vinho branco Kopke Reserva de 2016 (menos mal) a lamentar-te de estares a fazer tudo sozinha e de como tudo seria mais fácil com robots (não faltará muito…).

E sabes o que te pode mesmo mesmo ajudar a fazer tudo de forma fluida, ligeira e em muito menos tempo: a ajuda de uma Professional Organizer. Olha, calha bem, é o que eu sou! Que tal marcarmos um encontro e contas-me o que precisas?

Se preferires podes também experimentar uma sessão gratuita de organização de 2 horas, só para ti! Tão bom!

Sobre o Autor:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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