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Acessórios que Nunca deves Comprar!

Vamos falar sobre compras…. de organização!

Como assim? Achavas que um dia não haveríamos de falar sobre isto? O certo é que falamos muito de não acumular tralhas, de destralhar, de comprar menos coisas, de fazer as perguntas certas, mas por aqui nunca falámos nas compras daqueles acessórios que fazem as delícias de qualquer pessoa que enverede pelo mundo maravilhoso da organização. E depois… acorda para a realidade. E descobre que não só não avançou muito em termos de organização como ficou com uma data de acessórios tipo “tralha” que ou não encaixaram bem com o armário ou não se deram bem com a pessoa.

É realmente um erro muito comum e muito fácil de reconhecer. Até as melhores professional organizers tiveram que passar por situações assim. Afinal de contas há tanta coisa e tão aliciante. Artigos muito bem concebidos, belo design e que prometem tanto, não é? Como podemos recusar mais uma caixa, mais um cestinho, mais um cabidezinho para o nosso armário?

Organizar é…. comprar acessórios?

No meio dessa enxurrada toda de compras, nós pouco a pouco vamos perdendo protagonismo e o acessório vai ganhando terreno e adquirindo vários nomes. Santo Graal da arrumação. Milagre do pôr no sítio. Santo padroeiro da ordem. E nós, os verdadeiros protagonistas da mudança, vamos achando e pensando que aquele acessório vai mudar-nos a vida, vai transformar o nosso armário e vai ficar finalmente tudo no sítio. Como se os próprios objectos ganhassem vida e se substituíssem a nós.

Como numa daquelas fotos estáticas de armários bem irrealistas em que tudo está tão direitinho. Ou aqueles finais de contos de fadas em que se diz sem mais demoras “E viveram felizes para sempre…”. E assim fechamos portas a qualquer iniciativa, o acessório está comprado, está dentro do armário e a nossa roupinha tão direitinha dentro dele. Que bom, não é? Final feliz. Vamos todos dormir. Fechou o tasco.

Problemas à vista

Pois é. Os problemas começam quando a Branca-de-Neve manda valente chapada à cara do príncipe por ele ter ousado beijá-la sem lhe pedir licença quando ela estava no primeiro sono às custas da dose de alprazolam que tinha tomado (afinal de contas depois daquele trabalho doméstico todo bem merecia uma noite repousadinha, não? Ora essa…). Começam quando a Cinderella se apercebe que afinal o príncipe só tinha casado com ela para poupar na mulher a dias. Começam quando a Bela descobre que é alérgica ao pelo do gato (cão? leão? mas afinal de contas exactamente que animal é o monstro?). E quando a Elsa apanha uma pneumonia daquelas por aquela conversa toda de o frio não lhe causar mossa era só mesmo para se gabar. Problemas que quem lida com permafrost.

E começam também quando descobrimos que os nossos acessórios não são aparentados com os objectos do castelo da Bela e do Monstro porque não falam francês nem fazem tudo sozinhos. Acabou o final feliz.

“Temos de ser nós a levantar o nosso “derriérezinho” da “chaise” e manter as nossas coisas no sítio. Com ou sem acessório.”

Não me levem a mal. Não vejo problema nenhum em comprar o acessório de organização. Em muitos casos ajuda e ajuda muito. Separa, categoriza, distingue. Mas a compra desse acessório como qualquer outra compra deve ser ponderada, medida, orçamentada. Não deve ser fruto de uma ida tresloucada aos saldos. Só porque o Ikea manda arrumar  (hashtag #euqueroarrumarmastambémquerogastardinheirocomolixo) ou porque o DeBorla tem uma colecção nova lindíssima com aquelas madeiras todas a imitar rústico, que bonita.

O acessório é exactamente isso: acessório. Dá-nos “acesso” ao essencial. Que somos nós, os motores desta coisa giríssima que é organizar. Simples não é?

“Tanto paleio para dizer algo que eu já sei! Então os tais coisos que a gente supostamente não deveria “acheter”? Que é deles?” – dizem vocês, tomad@s de uma certa impaciência wagneriana.

Calma, já vamos a eles. Isto é preciso primeiro aquecer a caldeira senão ninguém sem entende. Então, sem mais demoras, aqui estão eles.

Acessórios que nunca deves comprar se queres organizar!

Caixas para sapatos em linho

Tão bonitas que elas são! Tem um visorzinho na frente, várias cores, um toque tão suave. E ocupam mais de metade do teu armário com dois ou três pares de sapatos que podem ou não lá caber (os sapatos não são todos iguais, lembras-te?). Sim, até podem deixar respirar alguma coisa, mas o facto é que se puseres este lindos acessórios dentro do armário a transpiração vai toda para cima da roupa. Que fica a cheirar àquele queijo fantástico que a tua tia te trouxe de azeitão.

Outra coisa: já te viste a abrir essas caixas todos os dias? Tipo tirar, pôr, tirar pôr? Grande seca, não achas? Se vais usar esses sapatos todos os dias, terás de ter outro tipo de suporte e outra localização mais acessível. Exemplo: uma sapateira exterior que possas apoiar na parede como esta

Pequena ressalva: se estivermos a falar de sapatos de uso mesmo muito raro tipo em festas e situações do género então… podes sempre mantê-los na caixa original embrulhados naquele papel fininho e poupares dinheiro em caixas de linho para sapatos.

E com esse dinheiro vais beber uma cervejinha. Final Feliz.

Gavetas transparentes para maquilhagem

Inicialmente ainda olhei para estas gavetas com alguma curiosidade. Realmente são atraentes. Eu gosto muito de coisas em acrílico. Ouso dizer que já me imaginei a comprar gavetas destas. Depois pensei: quando é que nos maquilhamos? Para ir a uma festa? A um evento? A um jantar?

O factor em comum a todos esses momentos é que nem sempre existe uma grande fatia de tempo para o fazer. A palavra chave aqui é a acessibilidade. E não há melhor do que ter os acessórios de maquilhagem todos ao mesmo nível e todos acessíveis ao mesmo tempo. Com gavetas, temos de estar a abrir uma para chegar à outra. Perde-se tempo.

Tens aqui um acessório que torna tudo mais acessível e fácil de arrumar. E este aqui também. Nem precisas de etiquetas. Pode ficar fora ou dentro de uma gaveta alta ou armário.

Cabides de plástico

Sim, eu sei. Toda a gente tem destes cabides em casa. Porque a avó, a tia e a mãe deram roupa e veio nestes cabides. Porque a roupa vem da lavandaria com estes cabides ou, pior, a versão metálica deles. E não falo da banda.

O facto é que acabamos com o armário atafulhado com estes cabides que nem sempre são a melhor escolha para as nossas vestimentas. Por variados motivos. O mais óbvio? Porque a roupa escorrega toda pelo cabide abaixo, afastando-o do seu propósito de cabide.

“Ou então porque o plástico vai-se deteriorando e criando aqueles pedaços virados para cima com o potencial de destruir as blusas mais resistentes.”

Por outro lado, são por norma tão fininhos que marcam a roupa que se vê objecto de sacrifício deste acessório ignóbil. Duas soluções alternativas a este cabide: cabides de veludo da Primark (até com ganchinho na sua versão “empilhável”) e cabides de madeira, preferivelmente dos mais larguinhos. Se a roupa deslizar ligeiramente nos de madeira, podemos sempre aplicar elásticos nas duas extremidades ou optar simplesmente pelo cabide de veludo.

E nada de pendurar malhas e roupas demasiado frágeis. Para essas, não há cabide que valha.

Apoios para pulseiras e colares

O quê? Querem-me dizer que com tanto video, tutoriais e 5 minute crafts que vocês encontram ao metro no youtube ainda não optaram por uma das milhentas soluções maravilhosas (e grátis…) e preferiram gastar o vosso gravetame numa solução aparentemente bonita, mas que depois vai-se a ver e até nem é assim tão prática?

Porque é mesmo isso que acontece. Chegamos a casa. Começamos a colocar lá todos os nosso colarzinhos. Descobrimos que temos muitos mais do que mostrava na foto. E que para chegar a uns temos que tirar outros. E acabamos com uma salgalhada de fios que nos lembra aquele natal de 1998 em que estivemos 3 horas a desenrolar aquelas famigeradas luzes de cores para pôr no pinheirinho, verdadeira cena fire hazard típica dos anos 80 e afins.

E se optarmos pela opção do lado ou das duas uma: ou temos mesmo muito espaço no nosso quarto, ou temos colares mesmo muita caros e que justifiquem o dinheiro. Solução: deixo-vos com este tutorial.

T-shirts stackers

Esta é o meu ódio de estimação. O meu confort facepalm (existe a confort food, portanto…). Mas quem é que se lembra destas coisas? A ideia seria facilitar o dia-a-dia do mais comum dos mortais, certo? E pelo caminho, alguém se lembrou de parar e perguntar a quem realmente dobra e usa camisolas se este método poderia ajudar. Isto porque a ideia base disto é colocar fatias de plástico entre as camisolas, ensanduichando-as e diminuindo ainda mais o espaço de prateleira disponível. A acessibilidade se pudesse chorava e a visibilidade pediria para emigrar. Para além disso, para que cada camisola consiga aguentar-se nesta torre de babel do nosso descontentamento tem de:

  1. ser igual em medidas a todas as outras que estão por cima e por baixo;
  2. estar perfeitamente bem dobrada, em simetria com as outras;
  3. ter a mesma densidade volumétrica das suas compatriotas para não inchar o espaço entre as fatias.

E vamos falar do elefante do quarto? Aquele que está a olhar para as fatias de plástico com incredulidade? Mais plástico? A sério? Não. De todo.

Existem por aí imensas, inúmeras soluções para o eterno problema das camisolas, fininhas ou grossas. Primeiro que tudo, e sem acessórios, existe a dobra da camisola que a permite colocar na vertical dentro da gaveta, facilitando a acessibilidade e visibilidade de todas as camisolas. Até a Marie Kondo mostra como se faz neste video, enquanto pratica uma espécie de ioga das peças de roupa.

Depois há caixas como estas que muito facilitam o posicionamento e separação em gavetas maiores.

Prateleiras à mostra nas cozinhas

Não me levem a mal, mais uma vez. Gosto muito das imagens meio pornográficos de armários sem nada para esconder, com tudo à mostra, sem receios, naquilo que são as revistas playboy do design de interiores.

E sim, é verdade que está tudo acessível. Ao pó sobretudo. Eu que sou alérgica olho para estas imagens com algum horror. Mas percebo perfeitamente o intuito das mesmas e a utilidade de armários abertos, sobretudo quando não somos alérgicos e apanhamos baforadas de ácaros nas trombas sem sofrer mossa.

O mesmo não se pode dizer numa cozinha.

“Sabem o que se faz numa cozinha? Cozinha-se. Com vapor, com frigideiras, com cheiros, com gorduras, com tudo. Com resultados que fazem as maravilhas dos comensais que nos esperam à mesa ansiosos de papilas gustativas a postos.”

Enquanto isso, nas nossas lindas prateleiras abertas vão-se acumulando pós, gorduras, cheiros, condensações que trazem uma mistura fabulosa aos nossos pratos. Tipo condimentos adicionais. Acabamos a lavar pratos quando comemos e a lavar pratos antes de comer. E entretanto lavar pratos vira modalidade olímpica. E nós com braços que nos recordam as meninas ginastas da USSR dos anos 80 dos tempos da Perestroika.

Claro, também gosto muito de ver coisas fora de armários. Mais do que gostar há um intuito prático. Ninguém quer abrir o armário de cada vez que quer chegar ao sal ou à pimenta ou à garrafa de azeite. Há que haver equilíbrio. Mas para todas as outras coisas que só precisam de sair dos armários na hora H e não participam do momento hecatômbico da actividade culinária, a melhor solução é ficar dentro dos armários. A conta da água agradece.

No que a acessórios diz respeito ficamos por aqui. Muito há ainda para se dizer e analisar mas o artigo já vai longo e uma pessoa também tem de dormir. De vez em quando sabe bem.

Já viste o nosso artigo sobre o uso alternativo das sapateiras? Vê-o aqui!

Sobre o Autor:

Decidida, perseverante e viciada em desafios, mãe de 3 filhotes e esposa de italiano, a Rita é também, nas horas vagas, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesas, um curso que, indirectamente, a impulsionou a descobrir o mundo, ainda inexplorado, dos dispositivos médicos e da criopreservação de células estaminais, onde exerceu um papel de relevância no apoio logístico. Teve desde cedo o bichinho da organização, com a mania de querer sempre melhorar tudo e encontrar soluções para toda a gente e foi nesses dois âmbitos dos serviços médicos que começou a perceber que havia ali algum padrão reconhecível e caminho a singrar. Acabou a seguir o trilho de Professional Organizer, profissão ainda desconhecida em território português, fez formação nos Estados Unidos e tornou-se numa das POs pioneiras em Portugal, com formação certificada pela NAPO (National Association of Professional Organizers) da qual é também membro. Já andou pelo Consulado de Itália no Porto e pelo ramo imobiliário, mas é na OrganiGuru, a escrever o seu blog de ideias de organização (OrganiBlog) e a ajudar clientes a organizarem-se melhor que a Rita se sente como peixe dentro de água. Perita também na gestão de projectos e pessoal, nos seus tempos livres adora viajar e aprender novas línguas, deixar no perfil do FB as mil e uma ideias que lhe passam pela cabeça, resolver o cubo de Rubik 3x3 (quase) em apneia e aventurar-se pelo mundo da pastelaria, a sua catarse e terapia pessoal, sobretudo se envolver chocolate com 70% de sólidos de cacau. E uma cervejinha artesanal.

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